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segunda-feira, 3 de março de 2014

Mais sobre crescimento capilar: as "pontas desgarradas"


Aqui no blog já falamos diversas vezes sobre assuntos relacionados ao crescimento dos fios crespos e encarapinhados. Mas é importante lembrar que, quando falamos de “crescimento do cabelo”, não estamos necessariamente querendo dizer “cabelo compridão”. Afinal, o cabelo continua crescendo e se renovando, mesmo quando o cortamos regularmente para conservar o corte ou um tamanho que mais nos agrada.

O que eu vejo das meninas que estão começando a cultivar o cabelo é uma dúvida quanto à percepção visual deste crescimento. “Meu cabelo, está estagnado! Ele não sai do lugar!”, elas dizem. Mas, tratando-se de cabelos crespos, superenrolados, o que seria este “sair do lugar”?

Bom, o que eu pude aprender ao longo da minha jornada é que, primeiramente, nossos cabelos não “tombam” com facilidade nem “crescem para baixo” exatamente como um cabelo liso. Como o nosso blackinho, ao crescer, se expande em todas as direções e além de tudo encolhe, essa percepção de crescimento pode ficar distorcida – mas ainda assim nosso cabelo está crescendo!

Outra forma de perceber o crescimento do cabelo é reparar na sua densidade ou, como eu gosto de falar, na sua “consistência”. Nosso cabelo cresce enchendo, primeiro, para depois “tombar”, se for o caso. Acho mais fácil reparar no desenvolvimento dos nossos cabelos através da sensação de “quantidade” de fios que conseguimos pegar e sentir em um rabo de cavalo ou em múltiplas mechas. Como assim? Eu explico.

A gente sabe que o cabelo tem um ritmo e um ciclo de crescimento médio, mas nem sempre todos os fios estão obedecendo a este ritmo de forma exata – por isso, depois de um tempo, percebemos que nosso cabelo vai perdendo o corte ou ficando com algumas pontas mais compridas do que outras. 

Essas pontas mais compridas acabam deixando o cabelo mais “ralo” nas extremidades, dando aquela impressão de menos cabelo nas pontas, ou aquele efeito de afinamento quando fazemos tranças ou twists. Como esses fios ficam desgarrados do “grosso” do cabelo, eles ficam mais sujeitos a danos, nós de fada, pontas duplas (a máxima do “unidos venceremos” também vale para os nossos fios!) e por isso é bom que sejam cortados mesmo. Eu, pelo menos, costumo usar essas pontas mais ralas como “guia” na hora de me livrar das pontinhas velhas ao aparar o cabelo.

Meu cabelo em banding em 2011 e depois em 2013.
Repare só como na foto de 2013 o cabelo está mais cheio e,
apesar das aparências, ele também está mais comprido!

Repare que quando cortamos essas pontas e deixamos todos os fios do mesmo tamanho, nosso cabelo parece mais “consistente”, mais denso. Embora tenhamos perdido alguns centímetros, o resultado final depois de uma aparada acaba sendo mais satisfatório, não é mesmo?

Como o cabelo não para de crescer, depois de um tempo o “grosso” do cabelo vai atingir aquele comprimento que as pontinhas mais compridas desgarradas atingiram. E provavelmente, quando isso acontecer, vão existir outras pontas desgarradas mais compridas, que eventualmente terão que ser cortadas... E assim sucessivamente.

Na foto de 2012, as pontas estão visivelmente mais ralas.
Na foto de 2013, as pontas estão mais "cheias" e o
cabelo mais comprido mesmo após aparar os fios "desgarrados"

Por isso é importante cuidar muito bem das pontas, para que, após a retirada das pontas desgarradas, esse “grosso” do cabelo não se danifique, arrebente, quebre, tornando-se ralo novamente por causas não naturais. Quando a gente conserva, hidrata e protege as pontas, evita que elas se deteriorem mais do que o inevitável.


Concluindo: para saber o quanto seu cabelo tem crescido, repare na densidade dele, a partir do meio do comprimento até as pontas. Se possível, tire fotos do seu cabelo com o mesmo tipo de finalização de 4 em 4 meses ou de 6 em 6 meses (um intervalo de tempo razoável para perceber diferenças de tamanho em cabelos muito enrolados e para aparar as pontas). Se você acha que no fim das contas o comprimento é o mesmo, repare nas pontas, se elas estão mais densas e formam mechas de espessura mais uniforme, desde a raiz. Se isso acontecer, parabéns! Você tem sido eficiente em manter o comprimento dos fios! Só tenha em mente que o cuidado deve ser constante e para sempre: nunca descuide das suas pontas, de forma que você consiga levar o “grosso” do cabelo ao tamanho que você deseja, caso você deseje fios mais longos.


* * * Quer saber mais sobre o assunto? Confira a "Lead Hair" Theory, levantada pela Chicoro, neste link (em inglês).

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Efeitos dos raios solares nos cabelos

Fonte

Todo mundo tem pelo menos alguma noção de que os raios solares causam danos à saúde. Por isso, dermatologistas sempre recomendam que a gente não saia de casa sem filtro solar. Contudo, talvez não tenhamos sempre em mente que a radiação solar também tem efeitos nos nossos cabelos. Como vimos no último post, o sol pode desempenhar papel crucial no ressecamento e porosidade dos fios da coroa. O artigo abaixo fala um pouco sobre o assunto e mostra que os danos podem ser bem mais profundos do que imaginamos. 

Obs: O artigo original em inglês traz alguns termos mais específicos da Química que eu, como leiga, traduzi da forma que consegui. Caso você note algum erro e queira me informar, ficarei agradecida! 


Via Hairscapades (tradução e adaptação minhas)

Com frequência, vejo muitas naturais reclamando do cabelo na região da coroa. “É seco, áspero, quebradiço, opaco, é o cabelo mais crespo que elas tem na cabeça, é o mais difícil de cuidar!”. E comigo não é diferente. O cabelo do lado esquerdo da coroa é sempre mais curto e com mais tendência a se danificar que o resto do meu cabelo, apresentando quebra e pontas estragadas. Eu aprendi, ao longo dos anos, que isso se deve ao fato de a região da coroa ser sempre a mais exposta aos elementos externos: sol, vento, chuva, radicais livres. Também achava que esta exposição apenas resultava em cutículas mais abertas e fios mais porosos, já que o cabelo que fica por baixo é mais macio e responde melhor aos tratamentos.

Quando comecei a ler o livro da Chicoro, “Grow it!”, cheguei à seção “Danos causados pelo meio ambiente” e fiquei fascinada ao aprender que os danos causados pela exposição ao meio externo são muito mais profundos que uma simples reação mecânica. Chicoro revela que o cabelo exposto ao sol sem proteção na verdade passa por uma transformação química irreversível! Como se sabe, o sol pode ser danoso à pele devido aos raios ultravioleta, UVA e UVB. Esses mesmos raios podem ser danosos ao cabelo, como o site Naturally Curly nos mostrou com este post bem informativo há alguns anos atrás:

“Muitas de nós estão familiarizadas com o clareamento do nosso cabelo quando passamos muitas horas debaixo do sol no verão. Para muitas pessoas esse é um efeito desejável. Contudo, esse efeito também sinaliza a destruição do pigmento contido no fio de cabelo como um resultado direto da oxidação da melanina, causada pelos raios UV. A radiação UV também pode causar um enfraquecimento das ligações moleculares no cabelo, levando à fratura da cutícula e do córtex do fio. Isso gera um cabelo seco, áspero, com textura mais grossa por causa das cutículas danificadas, pontas duplas e quebra.”

Contudo, em minha opinião, a Chicoro leva esta informação um passo adiante e realmente demonstra como os efeitos do sol são muito similares àqueles causados pela descoloração. Ela afirma: “como um descolorante, a oxidação causada pelos raios do sol pode destruir ou modificar a composição química e os componentes do cabelo”. Ela continua, informando que o cabelo possui um grupo chamado “grupo tiol” e esses grupos estabilizam o fio de cabelo formando pontes de dissulfeto, que contribuem enormemente para a resistência do fio (jogue “cabelo e pontes de dissulfeto” no Google e você verá muitos artigos sobre a manipulação destas pontes em processos químicos como relaxamentos e alisamentos). Esses grupos tióis também deixam o cabelo escorregadio – e nós sabemos o quanto isso é importante. Mas, uma vez que o cabelo é oxidado pelo sol, essas pontes se transformam em ácidos sulfônicos. Esses ácidos sulfônicos são grudentos e o cabelo com eles irá embaraçar com mais facilidade. E isso não é legal. Finalmente, ela conclui atentando para o fato de que essa mudança das pontes de dissulfeto para os ácidos sulfônicos é permanente.

Então, o que isso tudo significa pra nós que estamos sendo desafiadas pelas nossas coroas? A resposta simples: prevenção e tratamento. Para o novo cabelo que ainda não foi muito exposto aos elementos externos, precisamos protegê-lo antes que o dano aconteça. Para o cabelo mais antigo, que já passou pelas alterações químicas, precisamos tomar ações de tratamento que reduzam ou eliminem os efeitos resultantes do dano. Em termos práticos, isso significa combinar as seguintes técnicas:

- Condicionamento – com tratamentos profundos com máscaras hidratantes, assim como máscaras que contenham proteína
- Hidratação – para proteger os fios do sol e combater o ressecamento
- Finalizar com produtos que contenham filtro solar
- Selar a hidratação com óleos e manteigas que ofereçam alguma proteção UV, como a manteiga de karité ou óleo de cânhamo
- Usar uma proteção que cubra os cabelos, como chapéus e lenços
- Adotar penteados protetores para reduzir a quantidade de cabelo exposta ao sol
- Não usar produtos que contenham alcoóis que ressequem nem substâncias que são “ativadas” pelo sol, como o limão

E só porque você não vê o sol não significa que não está sendo exposta aos raios UV. Mesmo em dias mais nublados, devemos estar sempre vigilantes.


* * *


Que medidas você adota para proteger seus cabelos do sol?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Misturinhas com Pantenol


Quem acompanha o blog há certo tempo sabe que eu sou adepta do método LOC como forma de manter meus fios hidratados por vários dias após a lavagem, sem ter a necessidade de molhá-los novamente com mais frequência. Quando falei sobre o método LOC aqui no blog, mencionei que fazia uma misturinha de Pantenol com água que borrifava nos fios como o meu passo L, para depois seguir com o passo O (aplicação de óleo) e o C (aplicação de creme).

Contudo, na época, não dei as proporções exatas da mistura porque eu sempre variava as quantidades, fazendo experimentações, ou misturava no “olhômetro”, nunca com quantidades exatas. E não foi em momento mais feliz que a Chicoro, blogueira que difundiu o método LOC, veio com um vídeo superinformativo sobre o uso de Pantenol diluído em água, com as proporções que ela costuma usar. Confira abaixo:


A Chicoro usa Pantenol em pó, que ela compra pela internet. Aqui no Brasil, não sei se é possível encontrar Pantenol nesta forma. Normalmente, as meninas que optam pelo acréscimo de Pantenol à sua rotina usam a versão com textura grudenta, que se assemelha a uma cola. No vídeo, a Chicoro mostra que esta forma viscosa aparece depois de misturar o pó a certa quantidade de água. 

Ainda que não usemos a forma em pó do Pantenol, podemos tomar como referência as medidas que ela usa. Aí vão elas: 

  • Solução a 5%: 5 gramas ou uma colher de chá de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 10%: 10 gramas ou duas colheres de chá de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 50%: 50 gramas de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 75%: 75 gramas de Pantenol para 100ml de água 

No método LOC
Para o método LOC, eu gosto de usar a solução a 5%. Estes 100ml de água, como é explicado no vídeo e eu já punha em prática desde o início, não precisam ser totalmente usados, de uma vez só nos fios. Como a intenção da etapa L do método LOC é umedecer e não encharcar o cabelo, talvez 100ml seja realmente uma quantidade muito grande. A quantidade que sobra eu costumo guardar por alguns dias, usando para borrifar na pele antes de aplicar óleo vegetal (pois é, eu não uso mais hidratantes comerciais depois que descobri a mágica dos óleos vegetais!). 

No leave-in
As soluções mais concentradas (de 50% e 75%) podem ser acrescentadas a máscaras, condicionadores, leave-ins e xampus, segundo a Chicoro. Caso 100ml deixem seu leave-in aguado, você pode redimensionar as quantidades da mistura, mas mantendo suas proporções. Em outro vídeo, a Chicoro faz um preparado de Pantenol diluído a 50% que usa com o leave-in numa relação de 1 para 6: uma parte da misturinha de Pantenol e 6 partes de outros ingredientes ou do creme que você preferir como leave-in. Este também é um outro uso do Pantenol que muitas meninas já punham em prática há bastante tempo, mas que por vezes gerava dúvidas em relação à quantidade necessária para fazer efeito nos fios. 

Como diluir o Pantenol
Agora por último, mas não menos importante, adorei a dica que ela dá de diluir o Pantenol em água aquecida! Apesar de ela usar a versão em pó, quem já tentou diluir o Pantenol versão viscosa em um creme ou mesmo em água sabe como é difícil. Na água fria, o Pantenol se dilui até relativamente fácil, mas demora uns bons minutos. Nos cremes, a diluição é bem mais complicada. Por isso, antes de fazer a sua mistura, aqueça um pouco de água até ficar morna e acrescente o Pantenol para ser dissolvido. Só então, com ele diluído em água, misture ao creme que você deseja usar.

domingo, 13 de maio de 2012

O Método LOC

Apesar de a internet estar recheada de informações sobre cabelos crespos e encarapinhados, a maior parte delas está em outros idiomas, principalmente o inglês. Por isso, muitas vezes, nós brasileiras encontramos restrições em adquirir todo esse conhecimento disponível.

Devido a esta barreira da língua, muitas naturalistas que não falam inglês podem desconhecer algumas das gurus da internet quando o assunto é cabelo encarapinhado. Uma dessas gurus é a Chicoro. Ela tem um blog, onde escreve artigos diversos e um Fotki com imagens da sua jornada capilar e do passo-a-passo de procedimentos de sua rotina de cuidados com o cabelo. E, além disso tudo, a Chicoro ainda escreveu um livro chamado Grow it! (disponível apenas em inglês), especialmente voltado para ensinar as encarapinhadas a atingirem comprimentos longos com seus cabelos.

A capa do livro Grow it!

Uma das práticas recomendadas pela Chicoro para auxiliar na preservação dos fios de cabelo (e consequentemente na retenção de comprimento) é selar adequadamente e por mais tempo a hidratação que os fios recebem. Para tal, ela sugere o Método LOC. Este método consiste em seguir uma determinada ordem de aplicação de produtos para garantir que a hidratação permaneça nos fio por mais tempo. A ordem dos produtos é justamente o nome do método: L de líquido (liquid), O de óleo (oil) e C de creme (cream).

O líquido em questão nada mais é do que água. Ela é a única substância que, de fato, hidrata nosso corpo - e por consequência, nossos fios. Nos cabelos, o efeito hidratante da água pode ser potencializado com a adição de D-Pantenol, glicerina e/ou extrato ou suco de aloe vera.

Para realizar esta etapa, você pode aplicar, com o auxílio de um borrifador, a misturinha de água com as substâncias já citadas tanto nos fios quanto no couro cabeludo (não se esqueça de que ele é pele, como o resto do seu corpo, e também precisa de hidratação!). É interessante esperar de 10 a 15 minutos antes de passar para a próxima etapa, a fim de que o líquido possa ser absorvido.


Após a pausa, é hora de aplicar o óleo de sua preferência. Óleo de rícino, óleo de oliva e óleo de coco são exemplos de excelentes óleos vegetais para o cabelo. Eles devem ser aplicados nos fios úmidos, nunca encharcados (ou irão "escorrer" junto com o excesso de água dos cabelos). O capricho deve ser redobrado nas pontas, a parte mais antiga e, logo, mais frágil e delicada dos seus cabelos.

No terceiro e último passo, entra a aplicação da substância hidratante de consistência cremosa. Pode ser o leave-in de sua preferência, ou condicionador, caso você opte por não enxaguá-lo. Neste momento, você pode estilizar o seu cabelo da maneira que desejar (lembre-se de trabalhar com seu cabelo em seções para facilitar a tarefa). Novamente, atenção especial às pontas.

Apesar do encolhimento, o cabelo da
Chicoro já está na cintura - compare
a foto acima com a anterior, onde ela
está com os cabelos esticados

A Chicoro conseguiu obter um cabelo extremamente longo graças, em parte, ao Método LOC. Eu também tenho adotado este método nos últimos meses e estou bastante satisfeita com os resultados. De maneira geral, meus fios se mantém hidratados até a próxima lavagem, mesmo quando uso o cabelo solto ao longo da semana. Notei também, especialmente, uma melhora do meu problema de descamação após adotar o uso regular da misturinha de água + pantenol no meu couro cabeludo, aliado à posterior aplicação de óleo vegetal, como já dei mais detalhes aqui.

Por isso, se você busca incrementar a retenção da hidratação nos seus fios e quer preservá-los para que atinjam comprimentos maiores, vale a pena tentar o Método LOC.