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terça-feira, 6 de maio de 2014

Cabelo grande é genético?


Recentemente, tivemos um bate papo lá no grupo CrespiiiiissimO.osS® do Facebook cujo tema era crescimento dos cabelos: cabelos que parecem não crescer, cabelos estacionados no mesmo tamanho etc. Ou seja, o assunto discutido por 10 entre 10 naturais em pelo menos algum momento ao longo de suas jornadas capilares!

Essa semana li uma postagem no blog BGLH que caiu como uma luva para a conversa lá do grupo. Confira abaixo os trechos principais.


Via BGLH (tradução e adaptação minhas)


1. Cabelo longo É genético
O comprimento que seu cabelo atingirá é determinado por quanto tempo ele permanece na fase anágena, ou de crescimento. Para conseguir um cabelo nas costas, na altura do fecho do sutiã, em média, ele precisará crescer por 2 ou 3 anos. Para conseguir um cabelo na cintura, ele precisará crescer por uns 4 ou 5 anos. Em outras palavras, seus genes vão determinar até que ponto seus fios continuarão crescendo e não há muito o que fazer para mudar isso.

2. Isso significa que algumas pessoas estão fadadas a ter cabelo curto?
Na verdade, não. Embora algumas pessoas digam que a fase de crescimento do cabelo dura de 2 a 6 anos, a verdade é que alguns cálculos estimam que a duração média da fase anágena é de 12 a 14 anos (J Cosmet Sci, pág. 367-378, 2003). Isso corresponderia, para muitas mulheres, a um cabelo na altura do tornozelo. Seria mais correto, entretanto, dizer que cabelo comprido é genético e muitas pessoas são geneticamente predispostas a ter cabelo muito longo.

3. E se ninguém na minha família tiver cabelo longo?
É preciso separar a capacidade de o cabelo ganhar comprimento da habilidade da pessoa conseguir manter seu cabelo por tempo suficiente para mostrar esse comprimento. Normalmente, práticas capilares ruins limitam a possibilidade de o cabelo mostrar todo o seu potencial de comprimento. Se você herdou essas práticas capilares ruins, então você herdou essa limitação de comprimento também.

4. Por que pessoas com cabelo longo geralmente tem cachos mais abertos, cabelo menos encarapinhado, cabelo que suporta secador e chapinha com mais facilidade ou dreadlocs?
Em todos os casos, o cabelo tem uma menor pré-disposição a embaraçar, formar nós ou quebrar quando manipulado. Cabelo que pode receber a aplicação de calor com frequência sem danos visíveis é menos suscetível a danos, de forma geral. Dreadlocs são como quase como um penteado protetor e o cabelo corre pouquíssimo risco de quebrar. Por isso, cabelos que se enquadram nas situações acima descritas conseguem mostrar todo seu potencial de comprimento com pouquíssimos danos e quebra ao longo do tempo.

Se o seu cabelo requer delicadeza no tratamento até mesmo com pouquíssima manipulação, pode ser este o motivo de ele quebrar mais ou precisar ser aparado com mais frequência para ficar em boas condições. Não significa que seu cabelo não possa ganhar comprimento ou cresça mais devagar; só significa que você precisa ser mais cuidadosa e mais paciente para obter o mesmo resultado que aquelas que têm cabelos que não quebram com tanta facilidade.


* * *

Fonte
É isso, naturais! Não confundam a velocidade ou o ritmo com o que o seu cabelo cresce com a possibilidade de reter o comprimento que ele ganha ao longo do tempo. Por mais lento que possa ser o ritmo de crescimento dos nossos fios, quando se trata de cabelos muito crespos, encarapinhados, naturalmente mais frágeis e quebradiços, a adoção das práticas corretas é determinante para obtermos o comprimento que desejamos.

Se você sente que seu cabelo "estacionou" em determinado comprimento e você está querendo que ele cresça mais um pouco, reavalie sua rotina de cuidados e adote práticas de preservação dos fios diariamente.

terça-feira, 25 de março de 2014

Cabelo bonito é uma questão de sorte?


Dia desses, navegando no site Black Girl with Long Hair, encontrei uma matéria sobre o meme de internet que fizeram sobre o cabelo da atriz Tracee Ellis Ross. A figura mostra a foto de uma menininha aos prantos, com a frase “Aquele momento em que você percebe que não tem o cabelo da Tracee Ellis Ross”.

O cabelo da Tracee é inegavelmente bonito: ele é visivelmente saudável, não mostra danos e lhe dá a possibilidade de fazer inúmeros penteados e visuais diferentes. Além disso, ele parece ter cachos um pouco mais largos (apesar de a textura encarapinhada ser notada em parte dos fios), o que o coloca no rol dos cabelos “bonitos”, de acordo com o padrão estético do mundo em que vivemos.

Há quem acredite que certos tipos de cabelo precisam de química porque são naturalmente “ruins” e que as pessoas que não usam químicas podem optar por este caminho porque teriam a “sorte” de possuírem um cabelo razoavelmente “bom”. Obviamente, esse pensamento ainda está baseado na ideia que também define o padrão de beleza vigente: majoritariamente continuam sendo “bonitos”, “desejados” e “desejáveis” cabelos com cachos, de preferência mais largos, com textura do fio não áspera. Quanto mais próximo deste ideal, “melhor” seria o cabelo e “mais sorte” teria a pessoa por ter nascido com ele assim.

Há uma ideia errônea de que nossos cabelos devem ser ou estar perfeitos o tempo inteiro, sem nenhum esforço de nossa parte, e é nesse ponto que a fala da Tracee se encaixa:

Alguém disse que sou mestiça. Então meu pai é branco e minha mãe é negra e talvez esse seja o motivo de eu ter esse cabelo tão especial. Isso não é verdade, pessoal. Nós todos temos diferentes texturas, diferentes heranças étnicas, diferentes misturas, diferentes padrões de cacho e, falando por mim, eu passei por uma jornada para descobrir como esse cabelo funciona. Esse cabelo requer muito trabalho. É complicado. E as pessoas não te dizem como fazer. Essa nova onda do cabelo natural vem acontecendo, graças a Deus. Quem dera que alguém tivesse dividido comigo algumas dessas informações quando eu era mais jovem. Eu tive de descobrir sozinha. Alisei o cabelo, tive que deixar crescer de novo. Foi difícil. Meu cabelo não cresceu cortando. Cortei uma franja, isso foi uma besteira. Eu costumava sentar no salão de beleza o dia inteiro aos sábados quando era adolescente. Acordava minha mãe cedo pra quem ela esticasse meu cabelo. Dormia de bobes e ficava com o pescoço torto. Meu cabelo foi uma jornada.

Nunca é demais relembrar que padrões de beleza são construídos por nós, humanos, ao longo do tempo e da história. A frase “a beleza está nos olhos de quem vê” tem seu fundamento. Talvez ela não esteja nos olhos de quem vê, individualmente falando mas, de fato, está sim em um contexto social mais amplo, que foi sendo consolidado ao longo dos anos, décadas, séculos. 


Fora isso, não existe cabelo bonito sem o mínimo de esforço. Nem mesmo os cachos mais largos e os fios mais sedosos podem ser do jeito que são se não forem adequadamente tratados, cuidados e preservados. Nossos fios crespos e carapinhas, então, precisam de super cuidados por serem mais ressecados, e de métodos diferenciados porque não "funcionam" da mesma forma que cabelos lisos ou simplesmente cacheados. Como ressaltou Tracee, o conhecimento sobre esses cuidados não cai do céu: ele precisa ser pesquisado, investigado, minerado - e por isso temos toda uma rede de meninas e meninos naturais na internet trocando informações sobre cabelos.

Não existem pessoas sortudas ou azaradas quando se trata de cabelos. Há sim, pessoas que ainda não conseguiram ampliar seu padrão de beleza, de forma a englobar a estética dos cabelos crespos e que por isso não conseguiram ampliar também a sua visão sobre as formas específicas de tratamento que o cabelo crespo requer.