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domingo, 12 de janeiro de 2014

Balanceando hidratação e reconstrução

Fonte

Já contei algumas vezes aqui no blog a minha relação de amor e ódio com máscaras que contém proteínas. Embora a importância da etapa de reconstrução, no tratamento com os cabelos, seja tão enfatizada pelas naturais de blogs e grupos do Facebook, eu raramente me acertava nesse quesito. Pesquisando em blogs e sites gringos, descobri que não era a única a ter problemas com proteínas. Algumas meninas relataram que seus cabelos eram sensíveis a proteínas e que facilmente enrijeciam e partiam após o uso de produtos contendo esse ingrediente. 

O problema é que meus fios são compridos, e, portanto, “velhos”. Se a gente pensar que o cabelo cresce um centímetro ao mês, um fio com 40cm de comprimento tem mais de 3 anos de idade! Cabelos compridos são, naturalmente, mais expostos às agressões do dia a dia simplesmente porque existem há mais tempo. Eles vão perdendo a proteção natural das cutículas e sofrendo o desgaste esperado para um cabelo deste tamanho. Por isso, eu sinto que meus fios, por vezes, ficam mais elásticos e necessitam mesmo de uma máscara voltada para reconstrução, que contenha algum tipo de proteína.

Mas aí bateu o dilema: como usar máscaras reconstrutoras quando meus cabelos “pedem” por elas, mas sem danificá-los?

Resultado do mau uso da máscara de reconstrução!
A quebra ocorreu na parte mais encarapinhada do cabelo...

Espaçando o uso da máscara
Enquanto cabelos quimicamente tratados (alisados, descoloridos) necessitam de reconstruções mais frequentes, cabelos totalmente naturais já resistem mais tempo sem elas. Dificilmente um cabelo natural sem grandes danos precisará de mais do que uma aplicação de máscara reconstrutora por mês. Por via das dúvidas, comece com intervalos bem grandes de tempo entre uma aplicação e outra e vá reduzindo à medida que seu cabelo for pedindo. Como as máscaras variam em quantidade de proteínas, se você por acaso estiver usando uma máscara mais potente, este espaço de tempo maior entre um uso e outro pode ser mesmo necessário para não sobrecarregar os fios.

Utilizando uma máscara emoliente antes da máscara reconstrutora
Cabelos encarapinhados, principalmente aqueles de fio mais grosso, tem uma necessidade naturalmente grande de produtos emolientes. As máscaras reconstrutoras geralmente dão o efeito contrário, já que funcionam como um “cimento” para os pedacinhos que estão desgastados nos fios. Usar uma máscara hidratante para desembaraçar os fios antes e separá-los em seções garante a emoliência que os fios necessitam. Após o tempo de pausa recomendado, basta enxaguar e seguir com a máscara reconstrutora. Desta forma, será fácil respeitar o tempo de ação recomendado, já que as mechas já estarão pré-divididas e desembaraçadas para serem facilmente enluvadas.

Aplicando a máscara ou condicionador com proteínas do meio para as pontas
Outra forma de garantir que os seus fios como um todo não sofram com o excesso de proteínas e priorizar apenas as partes que mais necessitam é aplicando o produto apenas do meio para as pontas dos fios. Obviamente, as partes mais antigas e mais desgastadas dos fios são as pontas, e é lá que este tratamento deve ser concentrado caso seus cabelos já tenham um comprimento superior a 25 cm (mais de dois anos de idade). Este método é bem interessante se o seu cabelo mostra sinais de que precisa de reconstrução com certa frequência, mas mesmo assim a parte “nova” dos fios (próxima à raiz) fica propensa à quebra com a aplicação da máscara reconstrutora.

Priorize suas pontas

Atualmente, eu acabei combinando estas três formas de aplicar a máscara reconstrutora. Uso a máscara Anti Age uma vez ao mês, quando lavo o meu cabelo com xampu anti-caspa. Utilizo primeiro uma máscara emoliente para desembaraçar os cabelos, enxáguo e aí sim uso a máscara voltada para reconstrução. Como meus fios já estão desembaraçados, a aplicação da Anti Age é jogo rápido! Eu priorizo sempre a parte do meio para as pontas, em termos de quantidade de produto e também ao enluvar, e procuro não exceder o tempo de ação recomendado para não correr o risco de sobrecarregar os meus fios.


* * *


E você, tem problemas com a etapa de reconstrução?
Quais estratégias você usa para minimizar os efeitos negativos das proteínas nos seus cabelos?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Misturinhas com Pantenol


Quem acompanha o blog há certo tempo sabe que eu sou adepta do método LOC como forma de manter meus fios hidratados por vários dias após a lavagem, sem ter a necessidade de molhá-los novamente com mais frequência. Quando falei sobre o método LOC aqui no blog, mencionei que fazia uma misturinha de Pantenol com água que borrifava nos fios como o meu passo L, para depois seguir com o passo O (aplicação de óleo) e o C (aplicação de creme).

Contudo, na época, não dei as proporções exatas da mistura porque eu sempre variava as quantidades, fazendo experimentações, ou misturava no “olhômetro”, nunca com quantidades exatas. E não foi em momento mais feliz que a Chicoro, blogueira que difundiu o método LOC, veio com um vídeo superinformativo sobre o uso de Pantenol diluído em água, com as proporções que ela costuma usar. Confira abaixo:


A Chicoro usa Pantenol em pó, que ela compra pela internet. Aqui no Brasil, não sei se é possível encontrar Pantenol nesta forma. Normalmente, as meninas que optam pelo acréscimo de Pantenol à sua rotina usam a versão com textura grudenta, que se assemelha a uma cola. No vídeo, a Chicoro mostra que esta forma viscosa aparece depois de misturar o pó a certa quantidade de água. 

Ainda que não usemos a forma em pó do Pantenol, podemos tomar como referência as medidas que ela usa. Aí vão elas: 

  • Solução a 5%: 5 gramas ou uma colher de chá de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 10%: 10 gramas ou duas colheres de chá de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 50%: 50 gramas de Pantenol para 100ml de água 
  • Solução a 75%: 75 gramas de Pantenol para 100ml de água 

No método LOC
Para o método LOC, eu gosto de usar a solução a 5%. Estes 100ml de água, como é explicado no vídeo e eu já punha em prática desde o início, não precisam ser totalmente usados, de uma vez só nos fios. Como a intenção da etapa L do método LOC é umedecer e não encharcar o cabelo, talvez 100ml seja realmente uma quantidade muito grande. A quantidade que sobra eu costumo guardar por alguns dias, usando para borrifar na pele antes de aplicar óleo vegetal (pois é, eu não uso mais hidratantes comerciais depois que descobri a mágica dos óleos vegetais!). 

No leave-in
As soluções mais concentradas (de 50% e 75%) podem ser acrescentadas a máscaras, condicionadores, leave-ins e xampus, segundo a Chicoro. Caso 100ml deixem seu leave-in aguado, você pode redimensionar as quantidades da mistura, mas mantendo suas proporções. Em outro vídeo, a Chicoro faz um preparado de Pantenol diluído a 50% que usa com o leave-in numa relação de 1 para 6: uma parte da misturinha de Pantenol e 6 partes de outros ingredientes ou do creme que você preferir como leave-in. Este também é um outro uso do Pantenol que muitas meninas já punham em prática há bastante tempo, mas que por vezes gerava dúvidas em relação à quantidade necessária para fazer efeito nos fios. 

Como diluir o Pantenol
Agora por último, mas não menos importante, adorei a dica que ela dá de diluir o Pantenol em água aquecida! Apesar de ela usar a versão em pó, quem já tentou diluir o Pantenol versão viscosa em um creme ou mesmo em água sabe como é difícil. Na água fria, o Pantenol se dilui até relativamente fácil, mas demora uns bons minutos. Nos cremes, a diluição é bem mais complicada. Por isso, antes de fazer a sua mistura, aqueça um pouco de água até ficar morna e acrescente o Pantenol para ser dissolvido. Só então, com ele diluído em água, misture ao creme que você deseja usar.

domingo, 8 de abril de 2012

Como identificar os silicones?



Silicones e óleo mineral são ingredientes muito comuns em produtos cosméticos. Eles tem por objetivo selar a hidratação, retendo água na pele ou nos cabelos por mais tempo. Além disso, facilitam o ato de pentear os cabelos por diminuírem o atrito entre os fios, dificultando a formação de nós e embaraços. Ainda assim, há quem prefira evitá-los, porque podem se acumular com o tempo, causando mais problemas do que benefícios.

Sabemos que ambos, em geral, não são solúveis em água. Logo, para retirá-los dos fios, é necessário que se faça uso de algum tipo de xampu. Enquanto o óleo mineral só consegue ser lavado dos fios com xampu, com os silicones, isso pode variar: alguns são mais aderentes e podem deixar o cabelo muito “pesado” devido ao acúmulo dessa substância, necessitando de xampus mais frequentes ou mais detergentes; outros possuem uma estrutura química que os torna mais “leves”, demorando mais tempo para causar os efeitos negativos do acúmulo nos fios.

O óleo mineral é bem fácil de identificar: nas composições impressas em inglês nos rótulos dos produtos, costuma vir sob os nomes de Liquid Paraffin, Paraffinum Liquidum, Mineral Oil ou Petrolatum. Já os silicones são mais complexos: podem vir com muitos nomes e ter diferentes propriedades. Então, como identificar os silicones nas fórmulas dos produtos? Como saber quais são proibidos ou mais seguros para quem pratica No ou Low Poo?


Regrinhas básicas
É bom saber que os ingredientes que são silicones costumam ter seus nomes terminados com o sufixo -col, -cone ou -conol. Alguns também terminam -xane. Existem silicones que são solúveis em água, outros levemente solúveis em água e finalmente aqueles que não podem ser diluídos em água em nenhuma hipótese. Os dois últimos, portanto, requerem o uso de xampu com certa regularidade. Veja a lista abaixo para mais detalhes:

Cetearyl Methicone, Cetyl Dimethicone, Dimethicone, Dimethiconol, Stearyl Dimethicone
Silicones mais “pesados” que realmente causam acúmulo se não forem devidamente retirados com xampu. Proibidos para quem segue uma rotina de No Poo e não recomendados aos que seguem a rotina de Low Poo.

Amodimethicone, Cyclomethicone, Cyclopentasiloxane, Trimethylsilylamodimethicone
Silicones que tendem a gerar menos acúmulo nos fios. Ainda que alguns praticantes de No Poo os utilizem, são mais seguros àqueles que ainda usam xampu de tempos em tempos. 

Behenoxy Dimethicone, Stearoxy Dimethicone, Dimethicone Copolyol, Hydrolyzed Wheat Protein Hydroxypropyl Polysiloxane, Lauryl methicone copolyol
Silicones que, de alguma maneira, são solúveis em água. Ainda assim, são evitados por quem opta pelo No Poo, a despeito do baixo risco de se acumularem nos fios. Os dois primeiros, em grandes quantidades, não conseguem ser retirados apenas com água ou co-wash, requerendo o uso de xampu.

  DICA!     A abreviação “PEG” ou “PPG” na frente do nome sinaliza que o silicone em questão foi feito para ser solúvel em água e não irá produzir o acúmulo que os silicones comuns causam!



A polêmica do Amodimethicone
Pesquisando sobre silicones e sua solubilidade em água, você pode encontrar alguns artigos que dizem que o Amodimethicone, quando acompanhado de Trideceth-12 e Cetrimonium
Chloride na fórmula do produto, torna-se solúvel em água e, portanto, liberado para No Poo.

O que acontece é que estes dois ingredientes tornam o Amodimethicone dispersível em água e apenas quando está dentro do frasco. Uma vez aplicado nos fios, ele se torna tão insolúvel quanto qualquer outro silicone. Logo, se você é praticante de No Poo e não usa xampu algum, não use produtos com Amodimethicone, mesmo quando este vier acompanhado do Tricedeth-12 e do Cetrimonium Chloride.

Os tensoativos menos agressivos, como o Cocamidopropyl Betaine, também são capazes de retirar o silicone dos fios, mas de forma menos efetiva do que os sulfatos, especialmente o lauryl ou laureth sulfate. Então, se você é praticante de Low Poo e usa xampu, ainda que mais suave e de maneira espaçada, pode usar produtos contendo Amodimethicone, mas com parcimônia.

domingo, 1 de abril de 2012

Explicando: Low Poo e No Poo

Lorraine Massey e a capa do livro Curly Girl

Muitas naturalistas já devem ter pesquisado sobre cuidados com cabelos na internet e se deparado com alguém falando "tal produto é permitido", "esse aqui é proibido", "aquele xampu tem substâncias do mal", ou ainda ter lido o depoimento de alguém que segue uma rotina com produtos livres de silicones, de alguém que não usa xampu, de alguém que lê obsessivamente rótulos procurando ingredientes e diz seguir a filosofia No Poo ou Low Poo. Mas afinal, o que é isso?

Quem realmente popularizou essas técnicas foi a cabeleireira Lorraine Massey, em seu livro Curly Girl. No livro, ela explica aquilo que chamou de Curly Girl Method, ou o Método da Garota Cacheada: uma série de técnicas e formas de lidar com o cabelo que são apropriadas para cabelos cacheados. O No Poo (e/ou o Low Poo) são técnicas que fazem parte deste método divulgado por Lorraine.

Nós já vimos aqui no blog que existem xampus com sulfatos, substâncias detergentes mais fortes e, portanto, mais agressivas aos fios de cabelo. Com as sucessivas lavagens, especialmente em cabelos finos, com tendência a ressecamento, como os cacheados e crespos, esses xampus vão danificando a fibra capilar, retirando não só a sujeira dos cabelos, mas também toda a proteção natural fornecida pelo sebo e pelos óleos produzidos pela nossa pele e pelo couro cabeludo. Por isso temos aquela sensação de "cabelo cantando" após a lavagem: nossa cabeça está limpa até demais!

Pra compensar essa lavagem agressiva, nós precisamos um condicionador, uma máscara de tratamento ou creme de pentear, após o xampu. Esses produtos, repõem, portanto, aquilo que foi ralo abaixo com a espuma. Para dar novamente aquela impressão de cabelo brilhoso, sedoso, fácil de desembaraçar, muitos destes produtos contém silicones, derivados do petróleo (óleo mineral) ou parafina líquida. 

Como também já comentamos brevemente aqui, estes ingredientes podem, com o tempo, causar acúmulo nos fios e dar aquela impressão de cabelo pesado, opaco e que "se acostumou" com os produtos.

Esse "costume" nada mais seria do que os fios tão saturados e "encapados" pelo acúmulo desses ingredientes que os nutrientes dos tratamentos que aplicamos não conseguem, de fato, penetrar nos fios e fazer efeito.


 Quanto mais usamos produtos contendo silicone, óleo mineral ou parafina líquida, mais propenso o cabelo estará a sofrer com o acúmulo dessas substâncias. Para solucionar isso, existem os xampus antirresíduos. Só que eles são ainda mais fortes que os xampus com sulfatos normais.

E a partir daí forma-se um círculo vicioso. O xampu com sulfato danifica os fios. Os danos são disfarçados com o uso de cremes de tratamento contendo silicones e óleo mineral. Quanto mais a gente usa, mais eles se acumulam e grudam nos fios, que "se acostumam" aos produtos. Pra retirar esse acúmulo, usamos um xampu ainda mais forte (o antirresíduos), que, limpando a "maquiagem" feita pelos cremes, deixa à mostra todos os danos que o cabelo sofreu até então. Aí, pra compensar isso, usamos mais cremes com silicones e óleo mineral que...

Não faz sentido estragar uma coisa pra depois remendar, e remendar de forma mal feita, não é mesmo? Se o sulfato resseca nossos fios a esse ponto, então chega de sulfato! Mas se usamos produtos com silicones, óleo mineral e parafina líquida, que se acumulam com facilidade, precisando mais cedo ou mais tarde, ser retirados com sulfato, então chega dessas substâncias também!

O Low Poo e o No Poo são ótimas técnicas para cabelos cacheados, crespos e encarapinhados, mas também servem para qualquer tipo de cabelo especialmente seco ou frágil e couros cabeludos sensíveis a tensoativos agressivos.


Deva Curl No-Poo:
higienizador de cabelos
Terressentials
Pure Earth Hair Wash
Quem abole totalmente o xampu da rotina capilar pratica o No Poo ("poo" vem de shampoo). As adeptas dessa técnica higienizam o couro e os fios de cabelo com condicionador, fazendo a chamada co-wash, ou lavagem com condicionador. Outras pessoas utilizam enxágues com vinagre ou com bicarbonato de sódio ou ainda produtos que sejam específicos para limpeza dos cabelos mas que não são xampus (fotos ao lado).

 
Já quem não consegue passar sem xampu, mas reduz drasticamente o número de lavagens com ele e, preferencialmente opta por um xampu sem sulfatos, pratica Low Poo. Tem gente que intercala a lavagem com xampu com co-wash (usa, por exemplo, xampu uma vez na semana e, durante a semana higieniza os cabelos com condicionador). Outras conseguem sustentar o cabelo numa boa durante a semana apenas com uma lavagem com xampu.

É muito importante que esse condicionador usado para higienizar os cabelos seja livre de qualquer substância proibida na rotina. É interessante também que o condicionador seja bem "básico", e não contenha muitos óleos vegetais ou substâncias muito hidratantes. Afinal, a intenção nesse momento não é tratamento e sim limpeza.

É preciso saber que a massagem no couro cabeludo é fundamental. Não adianta jogar condicionador nos cabelos e achar que ele sozinho vai limpar magicamente seus fios. É necessário esfregar o couro cabeludo (com as pontas dos dedos, nunca com as unhas!) pra desgrudar as sujeiras que lá estejam. É justamente a fricção, aliada ao condicionador, que vai limpar sua cabeça. Após a co-wash, você pode seguir com os tratamento que mais lhe convier (máscara, outro condicionador mais hidratante, ampola, leave-in...).

Também é necessário estar consciente de que os resultados não aparecem de um dia para o outro. Muitas meninas relatam passar por um período de adaptação, em que o cabelo fica aparentemente pior do que estava antes. Mas isso passa! É como começar uma reeducação alimentar, em que seu corpo demora uns dias (ou quem sabe até semanas) para se adaptar à nova dieta. Pense o Low Poo e o No Poo como a reeducação alimentar dos seus fios!

Eu optei pelo Low Poo já há alguns anos. Meu cabelo realmente melhorou muito depois que comecei com a técnica. Fui aperfeiçoando com o tempo, achando os produtos mais apropriados para mim e associando com as devidas técnicas de manipulação dos fios que já relatei aqui. Não passei pelo período de adaptação de maneira tão intensa porque usava produtos de marcas profissionais e fui retirando gradualmente as substâncias proibidas dos meus cuidados capilares. Com certeza o Low Poo não fez milagre, mas foi fundamental para meus cabelos terem chegado no ponto em que se encontram hoje.


Se você segue uma rotina e utiliza produtos que dão resultado satisfatório, agarre-se nela e aproveite os efeitos positivos! Mas se você sente que seu cabelo não responde bem a tratamentos que você conhece, ou que "empacou" em determinado ponto que parece não "evoluir" mais, recomendo dar uma chance ao No Poo ou Low Poo. Talvez seja a cereja do bolo que está faltando para você lidar melhor com seus cabelos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Óleos vegetais e suas propriedades

Óleo de rícino


Sabemos que achar o condicionador, máscara de tratamento e leave-in corretos é uma tarefa árdua, mas fundamental. Além de servirem para manter nossos cabelos modelados e arrumados ao longo do dia, é importante também que contenham ingredientes ricos, que "alimentem" adequadamente nossos fios.
  
 
Os óleos vegetais são ingredientes importantíssimos em qualquer produto para cabelos. São extraídos, como o próprio nome diz, de plantas, geralmente das sementes. Já comentamos que eles possuem dupla função: além de nutrirem os fios, pois são ricos em vitaminas, ainda funcionam como selantes, retendo a hidratação no cabelo por mais tempo. Cada óleo possui uma propriedade diferente. Por isso, é interessante procurar produtos com diferentes óleos vegetais em sua composição.

Vejamos alguns óleos e seus benefícios para o cabelo. Como sempre, coloco também o nome em inglês, para facilitar a identificação ao ler os rótulos dos produtos:

Óleo de rícino (castor oil) - engrossa e fortalece o fio, contribuindo para seu crescimento. Ajuda também no combate ao frizz e às pontas duplas, além de prevenir infecções por bactérias e fungos no couro cabeludo.

Óleo de abacate (avocado oil) - contém altíssimo teor de vitaminas A e E, aminoácidos e ácidos graxos muito parecidos com aqueles naturalmente encontrados na nossa pele. Doa brilho e fortalece os fios.

Óleo de oliva (olive oil) - nada mais nada menos que o azeite extra-virgem. Ótimo para hidratação, para fortalecer os fios e combater a perda de cabelo.

Óleo de coco (coconut oil) - previne a caspa, promove crescimento capilar, fortalece e engrossa os fios Já existem estudos mostrando que o óleo de coco efetivamente penetra no fio de cabelo, prevenindo e reparando danos, função semelhante à das proteínas dos tratamentos reconstrutores.

Óleo de jojoba (jojoba oil) - contém vitamina E e antioxidantes, que preservam a cor e a integridade dos cabelos. Por ser bastante escorregadio, mas não grudento, é ótimo para ajudar a desembaraçar os fios.  Sua composição química é bastante similar à do sebum natural excretado pela pele e pelo couro cabeludo. Auxilia na regeneração e cicatrização cutânea.
 
Manteiga de karité (shea butter) - é uma substância oleosa que, quando em seu estado natural, fica sólida em temperatura ambiente, mas pode se liquefazer em tempos de calor. Contém vitamina A e E. Absorve a radiação UV, o que a torna um protetor solar ótimo para os cabelos. É a queridinha das naturalistas encarapinhadas pelo planeta!

Óleo de argan (argan oil) - um óleo de mil e uma utilidades! Além de ser ótimo para a pele e para as unhas, nutre o cabelo, auxiliando na maleabilidade e a fortalecer os fios.

Além destes, todos muito bem cotados pelas naturalistas blogueiras de todas as partes do mundo, existem muitos outros óleos: macadâmia, andiroba, castanha-do-pará, girassol, semente de uva, linhaça...

Dê uma olhada nos seus produtos favoritos e veja se algum deles leva óleo vegetal na composição. Alguns desses óleos batizam linhas de produtos de tratamento de cabelos, como você bem deve ter identificado. Outros talvez você nem imaginaria que servissem para o benefício de seus fios, mas vale a pena experimentar!

domingo, 18 de março de 2012

Lendo a letra miúda (parte 2)

E mais um fim de semana chega com a parte final da série sobre ingredientes dos produtos para cabelo. Na primeira parte falamos sobre os xampus, como vocês devem se lembrar. Agora veremos os ingredientes para os produtos de tratamento: condicionadores, máscaras, leave-ins... Lembrando da regrinha dos cinco primeiros ingredientes: se você está procurando por um produto com o ingrediente X, veja se ele se encontra entre os cinco primeiros nomes que aparecem na composição, pra garantir que esteja em um concentração significativa na fórmula.

Pra facilitar, separei os ingredientes por categorias. Vamos lá:

Ingredientes emolientes
Agentes emolientes formam um filme protetor sobre a superfície do cabelo, adicionando brilho, protegendo os fios contra a perda de água e ajudando aos fios adjacentes a deslizarem facilmente uns contra os outros. Em outras palavras, isso facilita o pentear e o desembaraçar do cabelo, prevenindo embaraço, nós e consequentemente danos aos cabelos. Alguns exemplos de agentes emolientes condicionantes são:

  • Álcoois graxos (Stearyl, Behenyl, Cetearyl, Cetyl, Lauryl, Myristyl alcohol): ajudam a “assentar” as cutículas do cabelo. A maioria dos condicionadores contém pelo menos um destes ingredientes.
  • Stearamidopropyl dimethylamine: também “assenta” as cutículas do cabelo e reduz o atrito entre os fios na hora de desembaraçar.
  • Óleos vegetais (jojoba oil, argan oil, coconut oil, sweet almond oil, avocado oil, shea butter): são substâncias emolientes altamente nutritivas aos fios que “seguram” a umidade, contribuindo para que o fio permaneça hidratado por mais tempo.
  • Silicones (dimethicone, amodimethicone, dimethicone copolyol) e derivados do petróleo (mineral oil, petrolatum): também formam um filme protetor e deixam os fios escorregadios, facilitando o pentear. Contudo, estes ingredientes são controversos, pois podem se acumular nos fios ao longo do tempo e impedir que o cabelo seja devidamente hidratado e nutrido de fora para dentro.

O leave-in da linha
Biolage Hydrathérapie
contém dimethicone
Os cremes de tratamento
Novex contém, em geral,
petrolatum na composição
Ampola 3 Minutos Milagrosos,
da Pantene:
contém amodimethicone


 


Observação IMPORTANTÍSSIMA! Existem álcoois não graxos que são indesejáveis, pois contribuem para o ressecamento. São eles SD alcohol, SD alcohol 40, Alcohol denat, Propanol, Propyl alcohol e Isopropyl alcohol. Caso não tenha como fugir deles, prefira utilizá-los em produtos com enxágue.


Ingredientes umectantes
Quando aplicados no cabelo, atraem a água da atmosfera, mantendo o cabelo hidratado por mais tempo.

O condicionador Moisture Maniac,
da Tigi, contém glicerina
  • Glicerina (Glycerin): possui grande poder de atração da umidade, mas deve ser usada com cautela, pois quando aplicada em clima muito seco, pode provocar o efeito inverso.
  • D-Pantenol (Panthenol): uma pró-vitamina altamente eficaz.
  • Butylene glycol
  • Glycerol
  • Propylene glycol
  • Aloe barbadensis juice/gel/extract (aloe vera ou babosa): além de baixar o pH dos produtos, é também umectante.



Ingredientes acidificantes
Ingredientes que fazem com que um produto tenha um pH mais baixo contribuem para manter as cutículas dos fios fechadas, dando uma aparência mais sedosa ao cabelo e dificultando a perda da hidratação.

Máscara de hortelã e jaborandi
da Haskell: citric acid


 
  • Behentrimonium chloride: presente na maioria dos condicionadores e máscaras.
  • Cetrimonium chloride: também encontrado em grande parte dos produtos.
  • Citric acid





Ingredientes reconstrutores
Máscaras reconstrutoras de tratamento profundo costumam conter ingredientes que penetram no fio de cabelo e se combinam às proteínas que já estão lá dentro do fio, deixando-o assim mais resistente. Estas substâncias também podem se aderir à superfície do fio e preencher os “buracos” deixados pelas cutículas danificadas. Basicamente, os ingredientes reconstrutores são as proteínas e os aminoácidos:

    O creme de tratamento Hydra-Max
    Colágeno, da Elsève
  • Collagen (colágeno)
  • Hydrolyzed Collagen Protein
  • Hydrolyzed Silk Protein (seda)
  • Hydrolyzed Soy Protein (soja)
  • Hydrolyzed Wheat Protein (trigo)
  • Keratin (queratina)
  • Keratin Amino Acids
  • Silk Amino Acids
  • Silk Protein
  • Soy Protein
  • Wheat Amino Acids
  • Wheat Protein



O condicionador Óleo Reparação
contém vários óleos vegetais
em sua composição

Em um condicionador ou máscara de tratamento hidratante é importante verificarmos a presença de uma combinação de umectantes e emolientes, pois os primeiros ajudarão a atrair a umidade para o fio, enquanto os segundos irão “selar” a passagem de saída de água deste mesmo fio de volta para o ambiente. 

Os óleos vegetais, além de servirem como “selantes”, segurando a hidratação dentro do fio, também lhe proporcionam nutrição. Logo, é interessante procurar produtos ricos em óleos e extratos vegetais em geral.




Proteínas usadas sozinhas podem deixar o cabelo duro e áspero. Por isso, é imprescindível combinar tratamentos reconstrutores com tratamentos hidratantes, ou então procurar produtos que contenham, além das proteínas, ingredientes umectantes e emolientes também. 

A linha Reparação Total 5
Especial Química, da Elsève,
contém proteínas do trigo
Nem todos os cabelos se dão bem com produtos ricos em proteína. Normalmente, a tendência do cabelo encarapinhado é endurecer e ficar mais áspero, especialmente quando não está devidamente hidratado antes e depois do tratamento reconstrutor. Atente para a quantidade de reconstruções que você faz, pois em demasia, elas acabam quebrando o cabelo por excesso de proteína. Da mesma forma, o uso de produtos mais nutritivos, ricos em óleos, pode não surtir efeito em um cabelo que não esteja suficientemente hidratado, piorando o aspecto de ressecamento, o frizz e a indefinição.

Na dúvida, opte “pecar” pelo excesso de hidratação (principalmente antes de considerar um tratamento reconstrutor!).


E não custa lembrar que eu não esgotei todos ingredientes nesta breve lista... Além dos "princípios ativos", todo produto cosmético costuma ter conservantes, corantes e fragrâncias. Estes, normalmente, vem lá no fim da composição mesmo. Se você tem pele sensível ou é suscetível a alergias, é bom evitar produtos com corantes ou fragrâncias fortes (isso você vai notar sem mesmo ler o rótulo, apenas usando seus sentidos de visão e olfato). 

Ilustrei a postagem principalmente com fotos de produtos de farmácia (mas também alguns de marcas profissionais). Vale a pena dar um passeio na loja do seu bairro e pesquisar o que tem de bom lá, pois muitos produtos comerciais são recheados de ingredientes nutritivos. Nem sempre o preço dita a qualidade - e no supermercado tem pra todos os gostos capilares, acredite... Fique ligad@!


* As informações contidas nesta série de postagens foram retiradas do site Curly Nikki. As matérias do site da Nikki (em inglês) utilizadas com fontes você encontra aqui, aqui e aqui.

sábado, 10 de março de 2012

Lendo a letra miúda (parte 1)

Leia a letra miúda!
Já falei bastante aqui no blog sobre técnicas de manipulação do cabelo: quais os movimentos corretos de lavagem, como desembaraçar, como prender corretamente etc. Acredito que este seja o conhecimento básico: sabendo como “mexer” nos fios já temos metade do caminho andado. A outra metade do caminho é saber os produtos corretos para nosso tipo de fio. Só que, como melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar, antes de recomendar um produto X ou Y, é bom conhecer o que contém cada um.

Apesar de parecer uma coleção de palavrões (um nome mais feio que o outro!), a composição do seu produto de cabelo nunca mente. No rótulo ele pode dizer que é “para cabelos secos e quebradiços”, “para cabelos oleosos”, para cabelos rebeldes e com frizz”, mas é lá atrás, na letra miúda onde está escrito “Ingredientes” que você terá a certeza de que a propaganda não é enganosa. Sabendo mais ou menos pra que servem os ingredientes de um produto, podemos parar de escolher simplesmente por marca ou recomendação, e sim baseadas no que ele pode nos proporcionar de acordo com a nossa necessidade.

É bom saber que, em geral, os ingredientes dos produtos costumam vir escritos em inglês. Contudo, é fácil de reconhecê-los quando estão escritos em português, pois os nomes são parecidos em ambos os idiomas. É comum também que eles apareçam na lista em ordem decrescente: o primeiro ingrediente é geralmente encontrado em maior quantidade do que o segundo, o segundo em maior do que o terceiro, e assim por diante. É bom reparar sempre nos cinco primeiros ingredientes da composição porque esses são, a bem dizer, os que realmente agirão nos seus fios. Exemplo: se algum produto diz conter “o poder da aloe vera” e lá no rótulo aparece “aloe vera” quase no final da lista de ingredientes, significa que só deve ter uma vaga “lembrança” do tal princípio ativo no produto que, provavelmente, não fará muita diferença no resultado final.

Como são muitos ingredientes, decidi dividir este assunto em algumas postagens pra ficar menos cansativo (ainda assim, eu escrevo muito!). Veremos agora os xampus.


Ingredientes surfactantes ou tensoativos
Este tipo de ingrediente é encontrado em xampus. Ele é o ingrediente detergente, que vai retirar a oleosidade excessiva dos fios e do couro cabeludo. Existem tensoativos mais agressivos (os mais comuns) e outros que são mais suaves (e, portanto, mais raros ou encontrados em produtos mais caros). Procure xampus contendo os tensoativos recomendados abaixo:

Os xampus da linha
Amazônia Preciosa, da Surya,
contem Cocamidopropyl Betaine



  • Cocamidopropyl Betaine
  • Coco Betaine
  • Cocoamphoacetate
  • Cocoamphodipropionate
  • Disodium Cocoamphodiacetate ou Cocoamphodipropionate
  • Lauroamphoacetate
  • Sodium Cocoyl Isethionate 




Os tensoativos mais suaves costumam ter algum termo no nome que remeta a "coco": cocamidopropyl betaine, coco betaine, sodium cocoyl Isethionate. Essas substâncias são parcialmente derivadas do coco (talvez a sua vó, que lavava os cabelos e o corpo com sabão de coco não estivesse tão equivocada, viu? O que não significa que você pode pegar qualquer sabão de coco em barra que tiver no mercado e passar no cabelo!) 

A seguir, os tensoativos indesejáveis:

O xampu Hydrathèrapie, da Matrix,
é bem hidratante mas
contém sulfato (sulfate)

  • Alkylbenzene Sulfonate
  • Ammonium Laureth ou Lauryl Sulfate
  • Ammonium ou Sodium Xylenesulfonate
  • Dioctyl Sodium Sulfosuccinate
  • Ethyl PEG-15 Cocamine Sulfate
  • Sodium C14-16 Olefin Sulfonate
  • Sodium Cocoyl Sarcosinate
  • Sodium Laureth, Myreth, ou Lauryl Sulfate
  • Sodium Lauryl Sulfoacetate
  • TEA-Dodecylbenzenesulfonate
   



O xampu infantil Mamãe e Bebê,
da Natura,
não contém sulfato
Você pode dar um pulinho no banheiro agora pra notar que a imensa maioria dos xampus e sabonetes líquidos contém Sodium Laureth Sulfate e/ou Sodium Lauryl Sulfate. Estes dois tensoativos são os mais comuns, mas também podem ser altamente irritantes para a pele do corpo e do couro cabeludo. Algumas pessoas desenvolvem dermatites (descamação, sensibilidade e ressecamento excessivo da pele e dos fios), além do tal "efeito rebote": o corpo se "defende" da agressão do xampu produzindo sebo em demasia para compensar a oleosidade que foi retirada. Com o passar do tempo o cabelo pode ter aspecto de oleoso ou ser misto (oleoso na raiz e mais seco na pontas). Contudo, na verdade, o que há é um desequilíbrio causado pelo xampu: uma vez que se opta por um produto menos agressivo, a oleosidade é regulada pelo organismo com o passar do tempo.


O xampu Multivegetal
de camomila
também não contém sulfato
Dependendo do tipo de fio, do tipo de cacho e da produção individual de sebo do couro cabeludo, os xampus com sulfato podem não fazer tanto mal nem causar reações adversas. Muitas vezes, o uso de sulfatos não precisa ser abolido, apenas racionado (uma vez na semana, uma vez a cada quinze dias, pois algumas pessoas dizem que o cabelo "pede" algum xampu que limpe mais). De fato, a sensação deixada por um xampu sem sulfato, pra quem não está acostumad@, pode parecer de "cabelo sujo". O que acontece não é o cabelo estar sujo, e sim, quando se usa xampu com sulfato, o cabelo ficar "limpo demais", sem a sujeira que deve mesmo ir ralo abaixo, mas também sem a sua proteção lipídica natural, que o mantém brilhoso, sedoso e íntegro.


Pré-Shampoo Éh:
não contém sulfato
Como são mais difíceis de encontrar, optei por colocar mais fotos de sem sulfatos. Tendo a listinha dos ingredientes em mãos, você já pode sair às compras sabendo exatamente o que procurar nas lojas de cosméticos. Alguns desses xampus você encontra apenas na internet, outros em lojas físicas. Mas a busca vale a pena se você quer optar por um produto mais suave. Independentemente de se usar um xampu com ou sem sulfatos, mais ou menos agressivo, lembre-se que as regrinhas de lavagem continuam as mesmas: xampu só na raiz!


Como tudo é experimentação, se um xampu não der certo, experimente-o de outras formas, combinando com outras finalizações, mas sem insistir eternamente: parta pra outra depois de três ou quatro usos.


E no próximo post, veremos os ingredientes mais comuns em cremes condicionadores, de tratamento e leave-ins!