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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Cabelos naturais e expectativas desleais


O crescimento da comunidade dos cabelos crespos naturais na internet fez surgir novas referências estéticas. Através de imagens amplamente compartilhadas entre nós, elegemos nossas gêmeas, nossas divas e nossas paixonites de cabelo. Há até mesmo o termo hair porn (pornografia capilar) para designar aquelas fotos ou vídeos que enchem nossos olhos de beleza ao mostrar imagens de cabelos estonteantes, sejam eles soltos ou presos.

Contudo, há de se perceber que nem sempre esses cabelos são genuinamente naturais. Muitas das imagens que vemos internet afora são de mulheres com perucas ou apliques variados (crochet braids, weaves, sew-ins etc).

Diante de tantas meninas em transição ou que acabaram de passar por ela admirando e almejando os cabelos dessas mulheres, artistas ou anônimas, que lhes servem de exemplo, não há como não perguntar: essas imagens não estariam criando expectativas fora da realidade para quem deseja seguir pelo caminho de volta ao cabelo natural?

O lado bom das imagens é que dão visibilidade a uma estética que, historicamente foi rejeitada pelos meios de comunicação e não se enquadrava no padrão de beleza vigente. A comunidade natural, com seus códigos próprios, criou também seus exemplos de beleza voltada para aquilo que nos é real. Ver os cabelos crespos espetacularmente compridos e afros incrivelmente volumosos das fotos postadas nas redes sociais nos mostra outras possibilidades de beleza além daquela do “cabelo-liso-escorrido-loiro-esvoaçante”.

Por outro lado, como nem sempre é óbvio quais fotos mostram cabelos de fato naturais e quais mostram perucas e apliques, essas imagens podem frustrar a observadora que não consegue relacionar o cabelo que sai de sua cabeça com aquele visto na tela do computador. “Como ela consegue um cabelo tão grande em tão pouco tempo?”, “Como ela tem o cabelo tão cheio e o meu parece tão ralo?”, “Porque o cabelo da foto fica tão definido e ao mesmo tempo tão volumoso e o meu não?” são alguns dos questionamentos que, eventualmente, vemos nos fóruns de discussão.


O fato é que, se nem tudo que reluz é ouro, nem todo cabelo crespo é mesmo natural. E, por conta disso, é importante aguçar nossa percepção para não cair numa “pegadinha” que vá nos desencorajar a continuar em nossa jornada.


* * *



Você acha que as fotos de mulheres com apliques e perucas de cabelo crespo são um incentivo ou um desserviço?

domingo, 9 de novembro de 2014

Experimentando cremes de pentear



Quem acompanha o blog sabe que gosto bastante de finalizar meu cabelo com condicionador. Evidentemente, não é QUALQUER condicionador: são apenas alguns que dão o efeito que eu gosto sem provocar reações adversas, como coceira, caspa ou ressecamento.

Nessa de sempre procurar condicionadores para usar como finalizadores, acabo deixando passar batido alguns cremes de pentear que funcionariam bem para o meu cabelo. Bom, mas dessa vez não deixei e experimentei dois cremes de pentear: o Seda Recarga Natural Hidratação anti-nós e o Seda Cocriações Óleo Hidratação.



Mas para tudo... Seda?????? Aquela mesma Seda que, quando era criança, lançava só produtinhos meia boca que não faziam nada de bom pelos meus cabelos? Sim, ela mesma. Confesso que comprei com certa desconfiança e até mesmo receio por conta das experiências traumáticas no passado de Seda Ceramidas e cia. Mas esses dois cremes de pentear são surpreendentes! Cada um dá um efeito diferente - e isso vai do gosto do freguês, e também do que se deseja para o cabelo na ocasião.



O Recarga Natural deu definição e também bastante volume, deixando meu cabelo bem macio. Percebi que ele é bem interessante pra quem quer um wash and go mais despojado e day afters cada vez maiores. Como todo produto que me dá volume natural logo no primeiro dia, ele não me permite ter muitos dias seguintes satisfatórios - o cabelo acaba precisando de muitos retoques e embaraça com mais facilidade.

Já o Óleo Hidratação deu definição máxima e proteção total contra umidade do ar. Pra quem deseja um wash and go mais “comportado”, superdefinido e que permaneça intacto com o passar do tempo, ou twist-outs que durem vários dias mesmo em épocas mais úmidas ou chuvosas, ele funciona muito bem! 

Esquerda: day after com o creme de pentear Seda Recarga Natural Hidratação anti-nós
Direita: day after com o creme de pentear Seda Óleo Hidratação

Os dois cremes possuem silicones, então é recomendável que você utilize algum xampu (com ou sem sulfato) regularmente caso queira adicioná-los à sua rotina. O preço também é bem convidativo, mas a embalagem é pequena, o que não faz deles muito econômicos para quem gasta muito produto na finalização. Em compensação, são encontrados com facilidade em farmácias, mercados e magazines, então podem ser opções boas para casos de emergência.


***

Depois dessa experiência positiva, acho que vou dar outra chance aos cremes de pentear das prateleiras!

E você, já tentou experimentar novamente algum produto que, no passado, não tenha dado certo para o seu cabelo? O que achou?



Obs: Todos os produtos mostrados na postagem foram adquiridos por mim mesma e comprados com meu próprio dinheiro, em lojas comuns. Logo, as opiniões mostradas aqui refletem puramente as minhas impressões sobre eles.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como tratar do cabelo crespo curto?


Aqui no blog já falamos diversas vezes da importância de proteger os fios para que todo o trabalho que temos durante aqueles tratamentos maravilhosos não vá por água abaixo - ou travesseiro adentro...

Há um tempo atrás, recebi uma sugestão de uma leitora que pedia dicas de proteção para quem está finalizando a transição ou que acabou de passar pelo big chop e cujos cabelos estão curtos ou curtíssimos. Apesar de eu, pessoalmente, não ter colocado em prática muitos destes procedimentos por puro desconhecimento na minha época de cabelo curto, pensei em algumas coisas que podem ajudar as novas naturais a construírem suas rotinas de tratamento. Aqui vão algumas dicas!

Penteados para a transição
Se as tranças e twists não funcionam muito bem no seu cabelo para disfarçar a diferença entre a parte crespa e a esticada, opte pelos penteados presos. Coques e outros penteados presos mais elaborados escondem a "fronteira" entre o cabelo relaxado e o natural e também protegem seus fios da manipulação diária e dos agentes externos. Dê uma olhada aqui, aqui e aqui.

Proteja o cabelo na hora de dormir
Independentemente de comprimento, a regra número um das naturais é sempre evitar dormir sem nenhum tipo de proteção na cabeça. Seja um lenço, uma touca ou uma fronha de cetim, é importantíssimo evitar que seus fios sofram com o atrito com o travesseiro. Dependendo do comprimento do seu cabelo, o método de proteção pode ser mais (ou menos) eficaz - teste e descobra o que funciona melhor!

Evite xampus com sulfato
Relembrando a minha jornada capilar, percebi que meus cabelos deram um grande salto quando parei de usar xampus com sulfato. Eles deixavam meu cabelo "espetado" (o cconhecido "frizz"!) e atrapalhavam bastante a definição dos cachinhos. Opte por xampus sem sulfato e nunca esfregue seu cabelo como nos comerciais de xampu! Dilua o produto em água e ponha em um frasco com bico aplicador para que ele possa ser colocado diretamente no couro cabeludo. 

Co-wash
Se o seu cabelo está super curto e você sente que as lavagem com xampu sem sulfato ainda assim estão sendo um pouco demais, que tal experimentar lavar seus fios com condicionador? Cabelos curtíssimos são fáceis e rápidos de lavar, e o condicionador, além de limpar, já proporciona alguma hidratação. Assim, você poupa tempo no seu dia-a-dia pulando a etapa da máscara de tratamento naquelas lavadas mais apressadas de meio de semana.


Dividir para conquistar
A partir do momento em que você sentir que tem comprimento para trabalhar com seu cabelo dividido em seções, faça!  Geralmente, quando nossos cabelos já estão indo de curtos a médios, a divisão em seções já se torna uma necessidade. Dividir o cabelo em 4, 6 ou 8 partes poupa bastante tempo e energia, seja ao lavar com xampu, ao desembaraçar ou ao finalizar com creme de pentear ou gel - seus braços e fios agradecem!

Método LOC
Outra descoberta fundamental na minha jornada foi o método LOC. Selar a hidratação no fio seguindo esta ordem - primeiro o líquido, depois o óleo e finalmente o creme - fez uma diferença enorme a médio e longo prazos. Se o seu cabelo estiver bem curtinho, coloque o óleo vegetal apenas nas pontinhas e, conforme seus fios forem crescendo, vá "subindo" com o óleo para até metade do comprimento.

Pente grafo + borrifador = seus amigos da manhã
Muitas meninas reclamam que, com cabelos curtos, não conseguem ter um day after razoável. Como o cabelo curto fica solto dentro da touca, do lenço ou em contato com a fronha de cetim, é inevitável que amasse enquanto dormimos. Borrifar um pouco de água, selando a hidratação com seu creme de pentear e/ou óleo favorito é uma forma de disfarçar o amassado sem ter que enfiar a cabeça debaixo do chuveiro e refazer toda a finalização. O pente garfo ajuda ainda mais, puxando a raiz e dando volume. 

É muito importante ter em mente que o day after nunca ficará exatamente igual ao dia em que lavamos o cabelo. É totalmente normal termos diferenças na definição dos cachos, no brilho dos fios e no volume do cabelo de forma geral. Essas diferenças não são problemas que precisem ser solucionados, são condições com as quais precisamos aprender a conviver e usar a nosso favor.

Reconsiderações
Também precisamos saber que é necessário abrir mão de certas coisas. Você está acostumada com cabelo comprido? Diante da possibilidade de um big chop (grande corte) o cabelo comprido vai ter que ficar para depois... Da mesma forma, o visual do "cabelo comprido" vai ser dificultado pelo encolhimento, que é absolutamente normal, do cabelo natural. Você gosta de usar o cabelo solto? Nem sempre, em todos os momentos e em todas as fases da sua jornada capilar, vai ser possível usar o cabelo solto - seja por uma questão de proteção mesmo, ou de visual, apenas. Você tem medo de ficar feia usando uma touca ou lenço na frente do(a) parceiro(a)? É uma questão de escolher entre ter cabelo bonito na hora de dormir ou durante o dia seguinte inteiro...

O processo de transição e o primeiro ano de cabelo natural são períodos difíceis para a grande maioria de nós. É o momento em que estamos aprendendo a cuidar do nosso novo-velho cabelo e estamos nos acostumando com a nossa imagem no espelho. Contudo, essa dificuldade pode ser amenizada com a devida informação, reflexão e paciência.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O que realmente limpa o cabelo?

Fonte

Semana passada eu postei na página do Facebook do Ame seu Crespo um artigo do blog The Natural Haven. A JC, autora do blog, é cientista e resolveu unir o útil ao agradável: passou a realizar experimentos científicos com os cabelos crespos, já que ela própria os possui.

Nos últimos meses, ela vem realizando testes com alguns produtos higienizadores para verificar qual deles seria o mais eficiente. Para isso, ela usa seus próprios fios que caem naturalmente, sujos, ou seja, com os produtos que ela aplica no dia a dia para a manutenção do cabelo. Através das fotos que ela obtém com a ajuda de um microscópio, podemos visualizar a camada de oleosidade depositada sobre os fios antes da lavagem e o estado deles após o processo.

Inicialmente ela verificou a limpeza proporcionada pela lavagem com condicionador (co-wash). Contrariando quem não acredita que co-wash limpa os fios, o condicionador conseguiu tirar quase toda a oleosidade dos fios, quase tanto quanto o xampu! 

Xampu X Condicionador: os pontinhos circulados são o que sobrou do óleo
 (clique na imagem para ampliar)
Fonte

Da mesma forma, ela testou dois tipos de argila (que lá nos EUA são encontradas até engarrafadas e prontas para serem usadas como higienizador dos fios). As argilas também se mostraram bem eficazes na retirada da oleosidade dos fios, de maneira similar à lavagem com condicionador.

Após lavagem com um dos tipos de argila: o pontinho
circulado é o que sobrou do óleo.
Fonte

Finalmente, ela resolveu testar o bicarbonato de sódio e o vinagre de maçã, que algumas pessoas alegam ser adequados para retirar resíduos acumulados nos fios. E aí surgiu a grande polêmica: tanto o bicarbonato de sódio quanto o vinagre de maçã não retiraram nada (ou quase nada) da oleosidade acumulada no fio!

Após lavagem com bicarbonato: uma camada bem espessa
de oleosidade permanece no fio.
Fonte

Confesso que para mim também foi bastante surpreendente que o bicarbonato, especialmente, não tenha sido nem um pouco eficaz na retirada da oleosidade do cabelo, justamente porque ele é indicado como um passo inicial para quem quer aderir ao no poo e como alternativa aos xampus antirresíduos, que contém uma concentração alta de sulfato e acabam sendo agressivos às nossas madeixas.

Devemos considerar que a JC usa seus próprios cabelos nos testes e que seus fios carregam todos os produtos que ela usa em sua rotina de cuidados – como ela mesma fala, é uma usuária assídua de óleo de coco, então nas fotos do microscópio podemos ver uma camada significativa sobre os fios que ela usa. 

“Note que sob o microscópio podemos apenas ver a camada de óleo mas não vemos os pequenos depósitos de produtos acumulados ou de condicionador (seria possível ver com instrumentos específicos mas não com o meu microscópio!). Rigorosamente falando, esse experimento responde ao questionamento de o quão bem o método de lavagem X remove a oleosidade do cabelo.”
Fonte (tradução minha)

Não sabemos dizer se o bicarbonato de sódio retiraria a oleosidade natural de um fio que não receba nenhum produto cosmético, como máscaras de tratamento, condicionadores ou cremes de pentear. De toda a forma, é seguro afirmar que esta não é a realidade da maioria das naturais, já que em geral nós usamos sempre algum produto que contenha óleo para reter a hidratação nos nossos cabelos.

Contudo, se você faz no poo e tinha dúvidas sobre a limpeza proporcionada pela co-wash, fique tranquila: desde que todos os seus produtos sejam liberados, livres de silicones e petrolatos, o seu condicionador dá conta do recado.

terça-feira, 22 de abril de 2014

O que é um wash and go?


Essa semana postei lá na página do Ame Seu Crespo no Facebook uma foto do meu cabelo em dois momentos: ele naturalmente encolhido após um wash and go e ele esticado pelos twists grossos que costumo fazer. Nesta foto, recebi uma pergunta da Vania Freitas:

O que é, exatamente, um wash and go?
Wash and go ("lavar e ir") é uma forma bem simples e rápida de estilizar os cabelos, higienizando-os e, logo em seguida, fazendo uma finalização básica, de forma a deixá-los com os cachos naturalmente encolhidos e definidos após a lavagem. Certamente, é a primeira estilização que nos vem à mente quando decidimos deixar o cabelo natural, mas um wash and go nunca é igual ao outro – isto vale para o seu wash and go e o da sua vizinha crespa, mas também pro seu wash and go de hoje e o da próxima lavagem!

Cada cabeça um wash and go diferente
Cada natural tem a sua “versão” do que seria um wash and go. No YouTube, podemos encontrar vídeos das “gurus do cabelo” gringas mostrando suas técnicas. Nestes vídeos da MahoganyCurls™ e da simplybiancaalexa, vemos que elas começam higienizando os cabelos com co wash e seguem diretamente para a finalização, que é feita com um condicionador usado como produto para desembaraçar e leave-in, sem enxágue posterior. A MahoganyCurls também usa, após o condicionador, um gel para dar mais fixação aos cachos.

O wash and go da Naptural85 é bem diferente. Ela limpa os fios com um higienizador natural, que faz o papel de xampu e condicionador. Após isso, ela faz twists médios no cabelo e espera secar, soltando na manhã seguinte. Segundo a interpretação dela, esse procedimento é um wash and go porque ela literalmente lava o cabelo e sai do chuveiro com ele praticamente pronto, sem produtos extras ou técnicas específicas de finalização.




A minha versão do wash and go se define simplesmente por, após a lavagem com xampu ou co wash (seguida ou não de tratamento com máscara), aplicar o condicionador que eu uso como leave-in na finalização mecha a mecha e esperar o cabelo secar naturalmente encolhido. Certamente, meu wash and go pode ter mais passos do que simplesmente “lavar e ir”, mas o resultado visual é o mesmo, no final das contas.



O wash and go pode ser feito em todos os tipos de cabelo?
Poder, pode. Mas é preciso ter em mente que, de acordo com o seu tipo de fio e de cacho, o resultado final pode variar. Normalmente, quem adere ao wash and go são as meninas que tem cachos pequenos mas bem marcados, que se definem com facilidade com a aplicação de produtos mais pesados ou gel. As meninas de cabelos mais encarapinhados ou cujos fios não formem cachos definidos muito visíveis podem achar que seu cabelo encolhe demais e embaraça demais com o wash and go, e podem optar por outros tipos de finalização. Contudo, é sempre uma questão de testar na sua própria cabeça para ver os resultados. A AFRICANEXPORT tem o cabelo bem encarapinhado e encontrou seu próprio jeito de fazer um wash and go – embora eu não saiba até que ponto é legal colocar o creme tão perto da raiz assim... A ordem que ela usa os produtos/faz os procedimentos é: creme leave-in, gel, secagem com difusor e jato do secador na raiz do cabelo, para dar mais volume e comprimento.


* * *

Ainda não encontrou o jeito ideal de fazer seu wash and go? Inspire-se com os vídeos!

Já descobriu o jeito ideal para o seu cabelo? Como você faz seu wash and go?
Conte aqui nos comentários!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Diluindo seu xampu


Indispensável para algumas, vilão para outras, o xampu é talvez o produto mais controverso em uma rotina de cuidados para cabelos cacheados, crespos e carapinhas. Apesar do seu importante papel na limpeza dos fios e do couro cabeludo, ele também afasta muitas naturais devido à sua capacidade de retirar a oleosidade do cabelo a ponto de deixá-lo ressecado e quebradiço.

Se você não gosta ou não consegue adotar uma rotina livre de xampu - o chamado No Poo - mas ainda assim sente os efeitos negativos do produto, é possível diluí-lo em uma certa quantidade de água para torná-lo mais suave. Diluir o xampu também auxilia na distribuição do produto no cabelo, além de facilitar enormemente o seu enxágue - essa última parte é especialmente vantajosa para as meninas que estão com tranças soltas evitarem o acúmulo de resíduos na raiz!

O que é necessário

  1. Frasco aplicador graduado (o meu vai até 120 ml)
  2. O xampu de sua preferência
  3. Água (é claro!)
  4. Óleos essenciais (esses são opcionais; eu gosto dos OEs de alecrim e de tea tree/melaleuca)

Como fazer

  1. Encha o frasco com o xampu até, mais ou menos, a marca de 50 ml. O meu favorito é o Oro Argan, da Bioderm.
  2. Pingue as gotas de óleo essencial, caso você deseje. Eu uso de 3 a 5 gotas do OE de alecrim e 10 gotas do OE de tea tree/melaleuca. Eles estimulam o couro cabeludo e possuem propriedades anticaspa , ou seja, são ótimos para o cabelo!
  3. Misture os ingredientes sem agitar o frasco com força - apenas incorpore os óleos no xampu.
  4. Acrescente mais 50 ml de água.
  5. Novamente, incorpore os ingredientes sem agitar o frasco com muita força (ou você terá um frasco cheio de espuma!)

Resultado

Xampu concentrado e xampu diluído

Com uma mistura de água e xampu meio a meio, você terá um produto final bem mais líquido que o original. Por isso, é importante usar o frasco aplicador, pois assim será possível, com o auxílio do bico do frasco, colocar o xampu diretamente no couro cabeludo sem correr o risco de desperdiçar o produto ao escorrer das suas mãos.

Procure diluir seu xampu em quantidades pequenas, que durem apenas algumas lavagens, para que não corra o risco de estragar. No meu cabelo, os 100 ml resultantes da mistura final duram 5 ou 6 lavagens (de duas a três semanas). 


Por último, mas não menos importante, é sempre bom lembrar que, como tudo que se refere a cabelos, as quantidades e proporções da mistura são muito particulares. A consistência da mistura pode ser alterada caso você ache que está muito rala ou muito densa - basta acrescentar mais xampu ou então mais água.

Se você não está acostumada mas deseja se aventurar nos óleos essenciais, comece sempre com menos gotas e vá aumentando conforme sentir que seu couro cabeludo responde bem ao uso. Exagero nos óleos essenciais pode trazer consequências negativas ao seu cabelo e ao seu organismo! 


* * *


Você costuma diluir seu xampu em água?
Acrescenta alguns aditivos para potencializar seus efeitos positivos e diminuir os negativos?
Conte aqui nos comentários os seus resultados!

terça-feira, 25 de março de 2014

Cabelo bonito é uma questão de sorte?


Dia desses, navegando no site Black Girl with Long Hair, encontrei uma matéria sobre o meme de internet que fizeram sobre o cabelo da atriz Tracee Ellis Ross. A figura mostra a foto de uma menininha aos prantos, com a frase “Aquele momento em que você percebe que não tem o cabelo da Tracee Ellis Ross”.

O cabelo da Tracee é inegavelmente bonito: ele é visivelmente saudável, não mostra danos e lhe dá a possibilidade de fazer inúmeros penteados e visuais diferentes. Além disso, ele parece ter cachos um pouco mais largos (apesar de a textura encarapinhada ser notada em parte dos fios), o que o coloca no rol dos cabelos “bonitos”, de acordo com o padrão estético do mundo em que vivemos.

Há quem acredite que certos tipos de cabelo precisam de química porque são naturalmente “ruins” e que as pessoas que não usam químicas podem optar por este caminho porque teriam a “sorte” de possuírem um cabelo razoavelmente “bom”. Obviamente, esse pensamento ainda está baseado na ideia que também define o padrão de beleza vigente: majoritariamente continuam sendo “bonitos”, “desejados” e “desejáveis” cabelos com cachos, de preferência mais largos, com textura do fio não áspera. Quanto mais próximo deste ideal, “melhor” seria o cabelo e “mais sorte” teria a pessoa por ter nascido com ele assim.

Há uma ideia errônea de que nossos cabelos devem ser ou estar perfeitos o tempo inteiro, sem nenhum esforço de nossa parte, e é nesse ponto que a fala da Tracee se encaixa:

Alguém disse que sou mestiça. Então meu pai é branco e minha mãe é negra e talvez esse seja o motivo de eu ter esse cabelo tão especial. Isso não é verdade, pessoal. Nós todos temos diferentes texturas, diferentes heranças étnicas, diferentes misturas, diferentes padrões de cacho e, falando por mim, eu passei por uma jornada para descobrir como esse cabelo funciona. Esse cabelo requer muito trabalho. É complicado. E as pessoas não te dizem como fazer. Essa nova onda do cabelo natural vem acontecendo, graças a Deus. Quem dera que alguém tivesse dividido comigo algumas dessas informações quando eu era mais jovem. Eu tive de descobrir sozinha. Alisei o cabelo, tive que deixar crescer de novo. Foi difícil. Meu cabelo não cresceu cortando. Cortei uma franja, isso foi uma besteira. Eu costumava sentar no salão de beleza o dia inteiro aos sábados quando era adolescente. Acordava minha mãe cedo pra quem ela esticasse meu cabelo. Dormia de bobes e ficava com o pescoço torto. Meu cabelo foi uma jornada.

Nunca é demais relembrar que padrões de beleza são construídos por nós, humanos, ao longo do tempo e da história. A frase “a beleza está nos olhos de quem vê” tem seu fundamento. Talvez ela não esteja nos olhos de quem vê, individualmente falando mas, de fato, está sim em um contexto social mais amplo, que foi sendo consolidado ao longo dos anos, décadas, séculos. 


Fora isso, não existe cabelo bonito sem o mínimo de esforço. Nem mesmo os cachos mais largos e os fios mais sedosos podem ser do jeito que são se não forem adequadamente tratados, cuidados e preservados. Nossos fios crespos e carapinhas, então, precisam de super cuidados por serem mais ressecados, e de métodos diferenciados porque não "funcionam" da mesma forma que cabelos lisos ou simplesmente cacheados. Como ressaltou Tracee, o conhecimento sobre esses cuidados não cai do céu: ele precisa ser pesquisado, investigado, minerado - e por isso temos toda uma rede de meninas e meninos naturais na internet trocando informações sobre cabelos.

Não existem pessoas sortudas ou azaradas quando se trata de cabelos. Há sim, pessoas que ainda não conseguiram ampliar seu padrão de beleza, de forma a englobar a estética dos cabelos crespos e que por isso não conseguiram ampliar também a sua visão sobre as formas específicas de tratamento que o cabelo crespo requer.