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terça-feira, 18 de março de 2014

Assumir o cabelo natural é usá-lo sempre encolhido?


Uma questão que causa discussão entre as naturais é sobre fazer ou não texturizações que modifiquem o formato dos cachos e dos fios. Enquanto algumas são adeptas de tranças, twists, coquinhos (bantu knots) e até mesmo blow outs (uma espécie de escova que não traciona muito os fios), outras acreditam que, para realmente aceitar seu cabelo natural é necessário usá-lo em seu estado de encolhimento natural, em um wash and go, com volume, em um black power.

Existem alguns fatores que facilitam ou dificultam o uso do cabelo naturalmente encolhido – e um deles é o comprimento do fio. Na minha experiência com os cabelos, percebi que, quanto mais comprido meu cabelo ficava, mais difícil se tornava a hora de desembaraçá-lo após alguns dias do wash and go. Com mais embolação vinha também mais quebra, e de brinde vários nós (tanto nozinhos de fada quanto nós em mechas propriamente ditas) que acabavam tendo que ser cortados durante o ato de pentear.

Uma das estratégias para diminuir a quantidade de nós era usar o cabelo em um penteado protetor. Eles fizeram parte da minha rotina por meses a fio e tiveram grande responsabilidade por levar meu cabelo até o comprimento que está hoje. Mas confesso que, em determinado ponto, fiquei um pouco cansada do cabelo sempre preso. Ao mesmo tempo, não queria prejudicar meus fios nem perder centímetros preciosos nas pontinhas.

Um presente do meu último wash and go

A solução que encontrei foi lançar mão de twists e twist outs. Nos últimos meses eu venho experimentando bastante com os twists grossos e acabei incorporando-os de vez à minha rotina. Embora as pontas dos cabelos fiquem “soltas”, para baixo, os fios ficam presos em mechas e alinhados, diminuindo enormemente o embaraço. Logo, eu os entendo como uma forma de também proteger os fios e conseguir reter o comprimento que ganhei. Além disso, o twist out me permite mostrar um pouco o comprimento do meu cabelo e aproveitar os centímetros que conquistei ao longo dos anos.

Essa discussão sobre usar o cabelo encolhido ou texturizado me surpreende muito, já que as blogueiras e youtubers americanas que, em sua maioria, serviram como primeira referência nos cuidados com os cabelos, vivem em twist outs, braid outs, em texturizações com coquinhos, bigoudis, bobes e uma infinidade de outros estilos. Elas também entendem que determinadas texturizações são formas de preservar seus fios, evitando que embaracem demasiadamente e facilitando a preparação de penteados presos. Muitas dificilmente abrem mão de texturizações no dia-a-dia. E, a despeito disso, em nenhum momento elas deixaram de ser naturais nem de assumir e declarar que seus cabelos eram “kinky” (ou encarapinhados/carapinha). Ao contrário, compreendem o uso dessas técnicas como parte fundamental do tratamento adequado aos cabelos crespos e encarapinhados e recomendam que suas seguidoras também experimentem.


Conclusão
O cabelo crespo e encarapinhado é versátil, e isso todas nós sabemos. Ao longo da nossa jornada, vamos descobrindo e redescobrindo formas de cuidar dos nossos fios, de acordo com nossos objetivos futuros e com a fase em que nosso cabelo se encontra. Existem várias formas de finalizar e estilizar nosso cabelo que não envolvem químicas transformadoras, e elas podem – e devem – ser pesquisadas e testadas para que você atinja seus objetivos capilares. Nós largamos a química para libertarmos nossos cabelos, então sejamos livres para usá-los como quisermos, seja em um black de parar o trânsito, em um twist out impecável ou em um look mais básico.


* * * Leia também: "Estamos julgando?"

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Minha rotina atualizada - finalizando com twists


Já se passou muito tempo desde que escrevi sobre a minha rotina de cuidados com os cabelos. De lá pra cá, algumas coisas mudaram: formas de aplicação dos produtos, os produtos em si, o meu cabelo... Então deixa eu contar o que ando fazendo atualmente!

Atualmente ganhei um dia a mais livre para me dedicar aos cuidados com os cabelos (eba!). Por isso, passei a lavar os fios duas vezes na semana. Sempre após o xampu, uso uma máscara de tratamento (que varia de acordo com o meu humor e com o que eu acho que o cabelo precisa) e aproveito para desembaraçar os fios enquanto a máscara age. Após o enxágue, eu retiro o excesso de água dos fios enrolando uma toalha na cabeça (quando a toalha encharca, eu costumo trocá-la por uma camiseta velha de algodão para continuar secando). Com os fios úmidos, eu sigo aplicando um óleo e finalmente o condicionador que uso como leave-in, de acordo com o método LOC.

No momento da finalização, tenho experimentado técnicas novas, além de simplesmente deixar secar e prender em um penteado protetor. Durante um mês, finalizei fazendo twists finos, que eu já falei sobre aqui no blog. Agora, ainda tenho inventado com twists, mas de outras formas! 


Twists grossos frouxos – esses twists tem a vantagem de manter o aspecto natural dos meus cachinhos, mas diminuindo um pouco o encolhimento e consequentemente o embaraço. Para isso, eu mantenho o cabelo separado em 8 ou 9 mechas e faço twists frouxos com cada um delas, mas deixando as pontas soltas, para que não percam o formato natural dos cachinhos. Após secar completamente, eu desmancho os twists. O resultado final é um cabelo alongado como se fosse um day after, após dormir com o cabelo preso com a técnica do banding à noite. Eu me inspirei neste vídeo para fazer os meus twists frouxos. 

O resultado é mais ou menos esse, em termos de comprimento:


Twists grossos esticados – essa técnica aqui é o pulo do gato pra quem tem cabelo comprido, mas não vê o real tamanho dele por causa do fator encolhimento! Ainda separando o cabelo em 8 ou 9 mechas, dessa vez eu aplico menos creme/leave-in/condicionador do que o usual. Após fazer cada twist, eu o prendo em um bantu knot ou coquinho, para que ele não encolha, e sigo fazendo o próximo, até completar a cabeça toda. Com todos os twists prontos, eu pego cada um deles, esticando ao longo da cabeça e prendendo a ponta com um grampo. Neste vídeo você pode ver onde me inspirei para fazer os meus twists esticados.


Se os fios estiverem devidamente úmidos e a quantidade de creme não tiver sido excessiva, na manhã seguinte os fios estarão secos. Aí é só desmanchar os twists com cuidado, para não levantar muito frizz, e curtir o cabelão! 



Pode parecer óbvio, mas custa nada lembrar que eu faço os twists depois do LOC! Para facilitar a separação dos fios, eu já divido meus cabelos em mechas antes de lavar, e mantenho essa divisão até o momento da finalização. Após soltar os cabelos já secos pela manhã, é possível fazer penteados diferentes, que o cabelo 100% encolhido não permitiria.


* * *

Essas técnicas com os twists são particularmente especiais para quem tem cachinhos bem definidos, mas super apertadinhos e encolhidos. Experimente as técnicas e conte qual foi a sua favorita!

domingo, 8 de julho de 2012

O fator encolhimento



Dez entre dez naturais que possuem cabelo encaracolado de qualquer diâmetro ou textura de fio sabem que uma das grandes verdades do universo é a de que o cabelo encaracolado nunca é, de fato, do tamanho que aparenta ser. Quanto mais estreitas as molinhas dos nossos cabelos, mais elas tendem a encolher e fazê-lo parecer bem mais curto do que é quando esticado. Como dizia o slogan de um antigo produto para alisamento, nosso cabelo é do tipo “puxa, estica; solta, enrola”.

Esse fator é agravado no caso de fios muito finos, que tendem a ser mais leves que fios grossos. Esses, então, chegam a encolher até um terço do tamanho que atingem quando esticados! Para quem possui cabelos crespos e encarapinhados, isso é sinônimo de cabelo “joãozinho” ou “blackinho” (um “black power” ou “afro” pequeno) durante vários e vários meses. Nosso cabelo parece crescer sempre para cima, e nunca para baixo...

Por conta disso, muitas de nós acabamos cedendo aos alisantes e relaxantes, que abrem os cachinhos e, em teoria, revelam o comprimento real dos fios. Contudo, sabemos o quanto as químicas que alteram a estrutura dos fios de cabelo são agressivas. A estratégia escolhida para ajudar a abrir os cachos e mostrar o quanto nosso cabelo cresceu acaba saindo pela culatra, a partir do momento que o torna mais frágil e propenso à quebra.

Então, para aquelas que já estão naturais há pelo menos um ano e sabem que ganharam uns bons dez centímetros de comprimento nos cabelos, existe solução para mostrar o verdadeiro tamanho da cabeleira conquistada a muito suor e creme de tratamento? A resposta é: existe! Na verdade, há diferentes estratégias para dar uma “esticada” nos cachinhos sem ter que recorrer a produtos que modifiquem a sua estrutura. Vamos ver algumas delas.

Escova e chapinha
Não há forma mais eficaz de esticar o cabelo do que com escova, especialmente se for associada a chapinha. Desse jeito, o cabelo mostrará todos os centímetros obtidos durante sua jornada de crescimento. Porém, é importante saber que o calor do secador e da prancha são grandes inimigos dos cabelos crespos e encarapinhados. Sua estrutura frágil não suporta a aplicação constante de calor, associada à tensão aplicada pela escova e pela chapa. Não raramente, esse método pode deformar suas molinhas, esticando-as de maneira definitiva – ou seja, não adianta molhar o cabelo que elas não vão voltar ao normal NUNCA MAIS (em outras palavras, dano permanente nos fios que só se resolve cortando e deixando crescer novamente). Algumas pessoas fazem uso deste “dano” de maneira proposital e atribuem a ele a manutenção do comprimento longo dos fios como esta famosa natural do YouTube (recomendo assistir este vídeo feito por ela, que mostra como está o cabelo após anos e anos do que ela chama de "heat training"). Eu, particularmente, não recomendo o método, muito menos com esta finalidade! O cabelo vai perdendo definição e chega a um ponto em que só é possível usá-lo escovado (ei, mas não era isso que muitas de nós lamentávamos quando usávamos relaxamento? Pois é...).



Tensionando o cabelo com calor
Para quem não se importa em usar calor nos fios, mas não quer submetê-los ao estresse da escova + chapinha, há a opção de tensionar os fios utilizando o calor do secador. Com os cabelos secos ou quase secos, pega-se uma parte ou mecha do cabelo por vez com a mão, puxando de forma a esticar os cachinhos ou molinhas. Ainda segurando o cabelo com uma das mãos, aplica-se o calor do secador, deixando o jato de ar quente agir sobre aquela parte durante alguns segundos. Ao fazer isso, notamos imediatamente que aquela parte tensionada ficou mais comprida, com as molinhas menos “apertadas”. Realizando o procedimento por todo o cabelo, consegue-se um comprimento visualmente maior do que aquele obtido com o cabelo naturalmente encolhido, embora este comprimento fique distante do real, obtido apenas com escova. Por envolver menos tração, este método é menos agressivo para os fios do que a escova tradicional. Contudo, ainda deve-se tomar cuidado com o calor, já que uma vez que o fio é danificado, não há mais conserto! Neste vídeo da CurlyChronicles ela mostra como esticar os fios tensionando-os e aplicando o calor do secador:


Ela começa com os cabelos desembaraçados e apenas levemente úmidos, e o resultado é um fio esticado que fica sem um padrão consistente de cachinhos. Isto pode ser útil para realizar alguns penteados ou ainda se o objetivo for usar um cabelo "grandão", como um "afro" ou "black power".
Mas quando se deseja apenas dar uma esticada nos cachinhos sem desfazê-los, pode-se aproveitar a dica deste vídeo do canal Miss Jessie's: estilize o cabelo como de costume e, depois que os fios estiverem totalmente secos, basta aplicar o jato do secador apenas na raiz, dando uma "puxadinha" no cabelo para esticá-lo:



Banding
O banding é uma técnica que consiste em dividir o cabelo em diversas seções e prendê-las com várias xuxinhas de cabelo. Esta técnica permite diferentes “graus de esticamento”: quanto mais xuxinhas e mais próximas elas estiverem umas das outras, mais esticado ficarão os fios. Se a intenção é esticar o cabelo a ponto de desaparecer com os cachos, é recomendado que se divida o cabelo em seções médias, que se penteie os fios levemente úmidos e que estes sejam presos com muitas xuxinhas, colocadas a uma distância bem curta umas das outras e de forma bem apertada. Mas se o objetivo for apenas alongar um pouco o cabelo, “relaxando” os cachinhos, o banding deve ser feito nos cabelos secos, com xuxinhas colocadas de maneira mais frouxa e espaçada, e deixado, de preferência de um dia para o outro. O banding tem a vantagem de não depender de calor para modelar os fios e traz quase o mesmo resultado da secagem do cabelo sob tensão, comentada no item anterior. Além disso, ajuda a evitar o embaraço dos fios, já que desfaz um pouco os cachos e reduz sua tendência a se enroscar em si mesmos e nos demais. Abaixo, o meu cabelo com banding frouxo (que eu uso para dormir e dar aquela “soltada” nos cachos) e pós banding apertado, em que eu penteei cada seção de cabelo e prendi com as xuxinhas, dando várias voltas em cada uma e deixando-as bem próximas. 


Tranças e twists
Um jeito de dar uma alongada nos fios sem perder textura é fazendo trancinhas e/ou twists (twists nada mas são do que tranças de "duas pernas"; as tranças tradicionais têm três). Estas duas técnicas podem ser utilizadas em cabelos secos ou úmidos. Em ambos os casos, os cabelos devem ser divididos em seções pequenas, que precisam ser previamente desembaraçadas e hidratadas (pode-se optar por algum produto que, além de hidratação, proporcione alguma fixação). Se estiver úmido, o cabelo deve ser mantido com esta técnica até secar totalmente; se estiver seco, deve ser mantido assim por várias horas (de preferência da noite para o dia) até que o cabelo se fixe naquela forma e/ou que o produto aplicado para fixação seque. É possível acelerar o processo com secador, mas se a sua intenção é fugir do calor, melhor ter paciência a esperar o cabelo secar naturalmente. As tranças e twists soltos podem ser combinados a tranças e twists rasteiros, que proporcionam um caimento diferente quando soltarmos os fios (os chamados "braid-out" e "twist-out") . Quanto mais finas as seções, mais definida ficará a textura do cabelo. Você pode assistir a este vídeo do canal Miss Jessie's que ensina a fazer twists no cabelo molhado e ter uma noção do resultado final da técnica.




Outros problemas causados pelo encolhimento
Além do resultado visual do encolhimento dos nossos fios após estilização, ele também atrapalha em outros momentos. Na hora de lavar, por exemplo, o fator encolhimento contribui para que nossos fios embolem e embaracem. Durante a aplicação de máscaras de tratamento e até durante a estilização com leave-in ou condicionador isso também ocorre. O que podemos fazer para evitar o embaraço exagerado nestes momentos é separar o cabelo em seções, trabalhando com uma de cada vez e prendendo em seguida (em coquinhos ou twists, tanto faz; o importante é que os fios não fiquem soltos ou livres para que não se enrosquem ao encolherem novamente após a manipulação).

O encolhimento também agrava o embaraço no cabelo seco, após estilização. Normalmente, quando fazemos wash and go's (lavamos, aplicamos produto e deixamos do jeito que ficar) nossos fios encolhem ao máximo e tendem a embolar bastante, especialmente quando levamos vários dias para lavar e desembaraçar o cabelo novamente. Boa parte das gurus da internet que conseguiram cabelos compridos incluem em sua rotina estilos e penteados que "estiquem" o cabelo justamente para reduzir a formação de nós (incluindo nozinhos de fada), que podem causar quebra ao pentear os fios e em casos graves necessitam de tesoura para serem eliminados. Por isso, adotar uma rotina em que seus cachos fiquem parcialmente esticados pode manter por mais tempo a integridade de seus fios.

Seja legal com seu cabelo!
Por fim, o que a gente pode fazer é aceitar nossos cabelinhos, com todas as suas particularidades. Não há como se livrar do encolhimento definitivamente e ser natural ao mesmo tempo! O fator encolhimento é parte do nosso cabelo crespo e é parte de toda a diversão. Ao mesmo tempo em que nos decepciona ao trazer para a altura do queixo um cabelo que já está abaixo do ombro, também nos permite variar radicalmente o visual, de um “afro” encolhido discreto até um penteado superelaborado, que ninguém imaginava que fosse possível fazer em um cabelo tão “curto”! Aproveite a versatilidade dos seus fios e aprenda a usar o fator encolhimento a seu favor.