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domingo, 9 de novembro de 2014

Experimentando cremes de pentear



Quem acompanha o blog sabe que gosto bastante de finalizar meu cabelo com condicionador. Evidentemente, não é QUALQUER condicionador: são apenas alguns que dão o efeito que eu gosto sem provocar reações adversas, como coceira, caspa ou ressecamento.

Nessa de sempre procurar condicionadores para usar como finalizadores, acabo deixando passar batido alguns cremes de pentear que funcionariam bem para o meu cabelo. Bom, mas dessa vez não deixei e experimentei dois cremes de pentear: o Seda Recarga Natural Hidratação anti-nós e o Seda Cocriações Óleo Hidratação.



Mas para tudo... Seda?????? Aquela mesma Seda que, quando era criança, lançava só produtinhos meia boca que não faziam nada de bom pelos meus cabelos? Sim, ela mesma. Confesso que comprei com certa desconfiança e até mesmo receio por conta das experiências traumáticas no passado de Seda Ceramidas e cia. Mas esses dois cremes de pentear são surpreendentes! Cada um dá um efeito diferente - e isso vai do gosto do freguês, e também do que se deseja para o cabelo na ocasião.



O Recarga Natural deu definição e também bastante volume, deixando meu cabelo bem macio. Percebi que ele é bem interessante pra quem quer um wash and go mais despojado e day afters cada vez maiores. Como todo produto que me dá volume natural logo no primeiro dia, ele não me permite ter muitos dias seguintes satisfatórios - o cabelo acaba precisando de muitos retoques e embaraça com mais facilidade.

Já o Óleo Hidratação deu definição máxima e proteção total contra umidade do ar. Pra quem deseja um wash and go mais “comportado”, superdefinido e que permaneça intacto com o passar do tempo, ou twist-outs que durem vários dias mesmo em épocas mais úmidas ou chuvosas, ele funciona muito bem! 

Esquerda: day after com o creme de pentear Seda Recarga Natural Hidratação anti-nós
Direita: day after com o creme de pentear Seda Óleo Hidratação

Os dois cremes possuem silicones, então é recomendável que você utilize algum xampu (com ou sem sulfato) regularmente caso queira adicioná-los à sua rotina. O preço também é bem convidativo, mas a embalagem é pequena, o que não faz deles muito econômicos para quem gasta muito produto na finalização. Em compensação, são encontrados com facilidade em farmácias, mercados e magazines, então podem ser opções boas para casos de emergência.


***

Depois dessa experiência positiva, acho que vou dar outra chance aos cremes de pentear das prateleiras!

E você, já tentou experimentar novamente algum produto que, no passado, não tenha dado certo para o seu cabelo? O que achou?



Obs: Todos os produtos mostrados na postagem foram adquiridos por mim mesma e comprados com meu próprio dinheiro, em lojas comuns. Logo, as opiniões mostradas aqui refletem puramente as minhas impressões sobre eles.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Diluindo seu xampu


Indispensável para algumas, vilão para outras, o xampu é talvez o produto mais controverso em uma rotina de cuidados para cabelos cacheados, crespos e carapinhas. Apesar do seu importante papel na limpeza dos fios e do couro cabeludo, ele também afasta muitas naturais devido à sua capacidade de retirar a oleosidade do cabelo a ponto de deixá-lo ressecado e quebradiço.

Se você não gosta ou não consegue adotar uma rotina livre de xampu - o chamado No Poo - mas ainda assim sente os efeitos negativos do produto, é possível diluí-lo em uma certa quantidade de água para torná-lo mais suave. Diluir o xampu também auxilia na distribuição do produto no cabelo, além de facilitar enormemente o seu enxágue - essa última parte é especialmente vantajosa para as meninas que estão com tranças soltas evitarem o acúmulo de resíduos na raiz!

O que é necessário

  1. Frasco aplicador graduado (o meu vai até 120 ml)
  2. O xampu de sua preferência
  3. Água (é claro!)
  4. Óleos essenciais (esses são opcionais; eu gosto dos OEs de alecrim e de tea tree/melaleuca)

Como fazer

  1. Encha o frasco com o xampu até, mais ou menos, a marca de 50 ml. O meu favorito é o Oro Argan, da Bioderm.
  2. Pingue as gotas de óleo essencial, caso você deseje. Eu uso de 3 a 5 gotas do OE de alecrim e 10 gotas do OE de tea tree/melaleuca. Eles estimulam o couro cabeludo e possuem propriedades anticaspa , ou seja, são ótimos para o cabelo!
  3. Misture os ingredientes sem agitar o frasco com força - apenas incorpore os óleos no xampu.
  4. Acrescente mais 50 ml de água.
  5. Novamente, incorpore os ingredientes sem agitar o frasco com muita força (ou você terá um frasco cheio de espuma!)

Resultado

Xampu concentrado e xampu diluído

Com uma mistura de água e xampu meio a meio, você terá um produto final bem mais líquido que o original. Por isso, é importante usar o frasco aplicador, pois assim será possível, com o auxílio do bico do frasco, colocar o xampu diretamente no couro cabeludo sem correr o risco de desperdiçar o produto ao escorrer das suas mãos.

Procure diluir seu xampu em quantidades pequenas, que durem apenas algumas lavagens, para que não corra o risco de estragar. No meu cabelo, os 100 ml resultantes da mistura final duram 5 ou 6 lavagens (de duas a três semanas). 


Por último, mas não menos importante, é sempre bom lembrar que, como tudo que se refere a cabelos, as quantidades e proporções da mistura são muito particulares. A consistência da mistura pode ser alterada caso você ache que está muito rala ou muito densa - basta acrescentar mais xampu ou então mais água.

Se você não está acostumada mas deseja se aventurar nos óleos essenciais, comece sempre com menos gotas e vá aumentando conforme sentir que seu couro cabeludo responde bem ao uso. Exagero nos óleos essenciais pode trazer consequências negativas ao seu cabelo e ao seu organismo! 


* * *


Você costuma diluir seu xampu em água?
Acrescenta alguns aditivos para potencializar seus efeitos positivos e diminuir os negativos?
Conte aqui nos comentários os seus resultados!

terça-feira, 25 de março de 2014

Cabelo bonito é uma questão de sorte?


Dia desses, navegando no site Black Girl with Long Hair, encontrei uma matéria sobre o meme de internet que fizeram sobre o cabelo da atriz Tracee Ellis Ross. A figura mostra a foto de uma menininha aos prantos, com a frase “Aquele momento em que você percebe que não tem o cabelo da Tracee Ellis Ross”.

O cabelo da Tracee é inegavelmente bonito: ele é visivelmente saudável, não mostra danos e lhe dá a possibilidade de fazer inúmeros penteados e visuais diferentes. Além disso, ele parece ter cachos um pouco mais largos (apesar de a textura encarapinhada ser notada em parte dos fios), o que o coloca no rol dos cabelos “bonitos”, de acordo com o padrão estético do mundo em que vivemos.

Há quem acredite que certos tipos de cabelo precisam de química porque são naturalmente “ruins” e que as pessoas que não usam químicas podem optar por este caminho porque teriam a “sorte” de possuírem um cabelo razoavelmente “bom”. Obviamente, esse pensamento ainda está baseado na ideia que também define o padrão de beleza vigente: majoritariamente continuam sendo “bonitos”, “desejados” e “desejáveis” cabelos com cachos, de preferência mais largos, com textura do fio não áspera. Quanto mais próximo deste ideal, “melhor” seria o cabelo e “mais sorte” teria a pessoa por ter nascido com ele assim.

Há uma ideia errônea de que nossos cabelos devem ser ou estar perfeitos o tempo inteiro, sem nenhum esforço de nossa parte, e é nesse ponto que a fala da Tracee se encaixa:

Alguém disse que sou mestiça. Então meu pai é branco e minha mãe é negra e talvez esse seja o motivo de eu ter esse cabelo tão especial. Isso não é verdade, pessoal. Nós todos temos diferentes texturas, diferentes heranças étnicas, diferentes misturas, diferentes padrões de cacho e, falando por mim, eu passei por uma jornada para descobrir como esse cabelo funciona. Esse cabelo requer muito trabalho. É complicado. E as pessoas não te dizem como fazer. Essa nova onda do cabelo natural vem acontecendo, graças a Deus. Quem dera que alguém tivesse dividido comigo algumas dessas informações quando eu era mais jovem. Eu tive de descobrir sozinha. Alisei o cabelo, tive que deixar crescer de novo. Foi difícil. Meu cabelo não cresceu cortando. Cortei uma franja, isso foi uma besteira. Eu costumava sentar no salão de beleza o dia inteiro aos sábados quando era adolescente. Acordava minha mãe cedo pra quem ela esticasse meu cabelo. Dormia de bobes e ficava com o pescoço torto. Meu cabelo foi uma jornada.

Nunca é demais relembrar que padrões de beleza são construídos por nós, humanos, ao longo do tempo e da história. A frase “a beleza está nos olhos de quem vê” tem seu fundamento. Talvez ela não esteja nos olhos de quem vê, individualmente falando mas, de fato, está sim em um contexto social mais amplo, que foi sendo consolidado ao longo dos anos, décadas, séculos. 


Fora isso, não existe cabelo bonito sem o mínimo de esforço. Nem mesmo os cachos mais largos e os fios mais sedosos podem ser do jeito que são se não forem adequadamente tratados, cuidados e preservados. Nossos fios crespos e carapinhas, então, precisam de super cuidados por serem mais ressecados, e de métodos diferenciados porque não "funcionam" da mesma forma que cabelos lisos ou simplesmente cacheados. Como ressaltou Tracee, o conhecimento sobre esses cuidados não cai do céu: ele precisa ser pesquisado, investigado, minerado - e por isso temos toda uma rede de meninas e meninos naturais na internet trocando informações sobre cabelos.

Não existem pessoas sortudas ou azaradas quando se trata de cabelos. Há sim, pessoas que ainda não conseguiram ampliar seu padrão de beleza, de forma a englobar a estética dos cabelos crespos e que por isso não conseguiram ampliar também a sua visão sobre as formas específicas de tratamento que o cabelo crespo requer.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sobre os tipos de cachos


Vira e mexe, recebo perguntas das leitoras que querem saber o meu tipo de cabelo. Eu sempre respondo que ele é crespo-encarapinhado, que é o que, de fato, ele é. Mas eu sei que, no fundo, as pessoas querem saber onde meu cabelo se encaixa na classificação alfanumérica criada pelo Andre Walker e perpetuada pelo site Naturally Curly. Sim, aquela classificação que divide os cabelos de acordo com o tipo de cacho, em 2B, 3A, 3B, 4B etc.

Lá no início do blog eu contei que não gostava dessa classificação e como ela perdia importância quando aprendíamos a lidar com o cabelo que realmente temos na cabeça. Outras meninas tiveram a mesma percepção que eu como, por exemplo, a Claudia e a Rosangela, moderadoras do grupo CrespiiiiissimO.os do Facebook.

Ainda assim, é difícil de as naturais se desligarem dela porque é uma das primeiras informações que aparecem nas buscas sobre cabelos na internet. Contudo, percebo que, conforme essa classificação perdura, mais e mais as minhas impressões negativas sobre ela são confirmadas.


Vez ou outra, vejo naturais se perguntando o que um "cabelo do tipo 4" é capaz. Muitas vezes, quando aparece uma imagem de um cabelo que supostamente seria do tipo 4 mas faz algo ou é de um jeito “não previsto” para aquele tipo, duvida-se se realmente pertence a esta categoria, ou se seria um 3C, por exemplo.

Isso é o reflexo da hierarquia de tipos de cabelo que a classificação alfanumérica produz no imaginário das naturais. Se antes muitas meninas de tipo 4 se frustravam porque gostariam que seu cabelo fosse 3C, hoje muitas não acreditam que os cabelos tipo 4 ofereçam tantas possibilidades quanto parecem mostrar – crescer, “tombar”, ser esticado temporariamente para fazer penteados diversos, etc.

Acredito que em parte isso tenha sido gerado pela dificuldade em enquadrar os cabelos em cada uma dessas categorias, porque elas não dão conta da variedade dos nossos cabelos. Afinal, o que é um cabelo 4A, 4B ou 4C? Nem o próprio site do Naturally Curly parece ter chegado a uma conclusão. As imagens mais recentes que o site divulga sobre os tipos de cabelo são bem diferentes das fotos antigas publicadas pelo mesmo site, nas quais muitas naturais mais "antigas" se basearam para definir seu tipo de cacho. E mais diferente ainda das fotos das celebridades que eles dão como amostra de cada tipo de cabelo.

Por exemplo, a Naptural85 enquadra seu cabelo no tipo 4A. Mas ele é bem diferente da foto presente no site do Naturally Curly. Eu acho meu tipo de cacho bem parecido com o da Naptural85, guardadas as nossas diferenças em termos de produtos e finalização. Mas, de acordo com a foto do site, nem eu nem ela seríamos tipo 4A!

Fonte e fonte

Outra blogueira gringa cabeluda é a Alicia James, que entende seu cabelo como 4B. Eu acho o cabelo dela muito parecido com o da Rosangela, em termos de cachos. Mas a foto de referência do Naturally Curly não mostra com clareza o tipo de cacho da modelo (além das diferenças óbvias de formato de corte e comprimento, que também influenciam bastante no visual final) pra sabermos o que de fato é um cabelo 4B.

Fonte, fonte e fonte

E finalmente, o tipo que mais causa discórdia: o 4C. Inicialmente ele, nem existia na classificação do Andre Walker. Foi, na verdade, criado pelas leitoras do site, por "maioria de votos", digamos assim. Elas perceberam que seus cabelos encarapinhados não se enquadravam em nenhum dos tipos previstos e criaram um novo (o mesmo aconteceu com o tipo 3C). Por isso mesmo, muita gente até hoje não sabe o que é um cabelo 4C, e acaba achando que qualquer cabelo encarapinhado que, visualmente, não tenha cachos é um 4C. Ou, ao contrário, acreditam sim que o 4C forma cachos, o que deixa as meninas com fios que não formam cachos em dúvida sobre seu tipo.

Conclusão
Independentemente do tamanho dos nossos cachos, nossos cabelos de herança afro são encarapinhados. Logo, não é o nosso tipo de cacho que determinará sozinho o tratamento que devemos ter com eles. Talvez para pessoas com cabelos genuinamente cacheados, com fios de superfície lisa, o tamanho do cacho seja mais importante. Mas, para nós, precisamos ter em mente que nosso tipo de fio, a sua espessura, sua porosidade, são fatores de extrema importância no que se refere a formas de cuidar e de manusear nossos cabelos. Todas nós podemos ter o comprimento que desejarmos, ou criar os mais diferentes estilos, desde que demos aos nossos cabelos o nível ideal de hidratação e proteção que eles requerem. E sim, nossos cabelos encarapinhados podem muito mais do que sempre disseram pra gente, e não se limitam às imagens “oficiais” do Naturally Curly.