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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como tratar do cabelo crespo curto?


Aqui no blog já falamos diversas vezes da importância de proteger os fios para que todo o trabalho que temos durante aqueles tratamentos maravilhosos não vá por água abaixo - ou travesseiro adentro...

Há um tempo atrás, recebi uma sugestão de uma leitora que pedia dicas de proteção para quem está finalizando a transição ou que acabou de passar pelo big chop e cujos cabelos estão curtos ou curtíssimos. Apesar de eu, pessoalmente, não ter colocado em prática muitos destes procedimentos por puro desconhecimento na minha época de cabelo curto, pensei em algumas coisas que podem ajudar as novas naturais a construírem suas rotinas de tratamento. Aqui vão algumas dicas!

Penteados para a transição
Se as tranças e twists não funcionam muito bem no seu cabelo para disfarçar a diferença entre a parte crespa e a esticada, opte pelos penteados presos. Coques e outros penteados presos mais elaborados escondem a "fronteira" entre o cabelo relaxado e o natural e também protegem seus fios da manipulação diária e dos agentes externos. Dê uma olhada aqui, aqui e aqui.

Proteja o cabelo na hora de dormir
Independentemente de comprimento, a regra número um das naturais é sempre evitar dormir sem nenhum tipo de proteção na cabeça. Seja um lenço, uma touca ou uma fronha de cetim, é importantíssimo evitar que seus fios sofram com o atrito com o travesseiro. Dependendo do comprimento do seu cabelo, o método de proteção pode ser mais (ou menos) eficaz - teste e descobra o que funciona melhor!

Evite xampus com sulfato
Relembrando a minha jornada capilar, percebi que meus cabelos deram um grande salto quando parei de usar xampus com sulfato. Eles deixavam meu cabelo "espetado" (o cconhecido "frizz"!) e atrapalhavam bastante a definição dos cachinhos. Opte por xampus sem sulfato e nunca esfregue seu cabelo como nos comerciais de xampu! Dilua o produto em água e ponha em um frasco com bico aplicador para que ele possa ser colocado diretamente no couro cabeludo. 

Co-wash
Se o seu cabelo está super curto e você sente que as lavagem com xampu sem sulfato ainda assim estão sendo um pouco demais, que tal experimentar lavar seus fios com condicionador? Cabelos curtíssimos são fáceis e rápidos de lavar, e o condicionador, além de limpar, já proporciona alguma hidratação. Assim, você poupa tempo no seu dia-a-dia pulando a etapa da máscara de tratamento naquelas lavadas mais apressadas de meio de semana.


Dividir para conquistar
A partir do momento em que você sentir que tem comprimento para trabalhar com seu cabelo dividido em seções, faça!  Geralmente, quando nossos cabelos já estão indo de curtos a médios, a divisão em seções já se torna uma necessidade. Dividir o cabelo em 4, 6 ou 8 partes poupa bastante tempo e energia, seja ao lavar com xampu, ao desembaraçar ou ao finalizar com creme de pentear ou gel - seus braços e fios agradecem!

Método LOC
Outra descoberta fundamental na minha jornada foi o método LOC. Selar a hidratação no fio seguindo esta ordem - primeiro o líquido, depois o óleo e finalmente o creme - fez uma diferença enorme a médio e longo prazos. Se o seu cabelo estiver bem curtinho, coloque o óleo vegetal apenas nas pontinhas e, conforme seus fios forem crescendo, vá "subindo" com o óleo para até metade do comprimento.

Pente grafo + borrifador = seus amigos da manhã
Muitas meninas reclamam que, com cabelos curtos, não conseguem ter um day after razoável. Como o cabelo curto fica solto dentro da touca, do lenço ou em contato com a fronha de cetim, é inevitável que amasse enquanto dormimos. Borrifar um pouco de água, selando a hidratação com seu creme de pentear e/ou óleo favorito é uma forma de disfarçar o amassado sem ter que enfiar a cabeça debaixo do chuveiro e refazer toda a finalização. O pente garfo ajuda ainda mais, puxando a raiz e dando volume. 

É muito importante ter em mente que o day after nunca ficará exatamente igual ao dia em que lavamos o cabelo. É totalmente normal termos diferenças na definição dos cachos, no brilho dos fios e no volume do cabelo de forma geral. Essas diferenças não são problemas que precisem ser solucionados, são condições com as quais precisamos aprender a conviver e usar a nosso favor.

Reconsiderações
Também precisamos saber que é necessário abrir mão de certas coisas. Você está acostumada com cabelo comprido? Diante da possibilidade de um big chop (grande corte) o cabelo comprido vai ter que ficar para depois... Da mesma forma, o visual do "cabelo comprido" vai ser dificultado pelo encolhimento, que é absolutamente normal, do cabelo natural. Você gosta de usar o cabelo solto? Nem sempre, em todos os momentos e em todas as fases da sua jornada capilar, vai ser possível usar o cabelo solto - seja por uma questão de proteção mesmo, ou de visual, apenas. Você tem medo de ficar feia usando uma touca ou lenço na frente do(a) parceiro(a)? É uma questão de escolher entre ter cabelo bonito na hora de dormir ou durante o dia seguinte inteiro...

O processo de transição e o primeiro ano de cabelo natural são períodos difíceis para a grande maioria de nós. É o momento em que estamos aprendendo a cuidar do nosso novo-velho cabelo e estamos nos acostumando com a nossa imagem no espelho. Contudo, essa dificuldade pode ser amenizada com a devida informação, reflexão e paciência.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Fazendo sua transição com tranças



Como já contei aqui no blog, as tranças soltas com aplique surgiram na minha vida como uma solução emergencial para um cabelo que não parecia ter mais salvação devido aos danos causados pelas químicas. Quando decidi colocá-las, nem passava pela minha cabeça me tornar natural: minha ideia inicial era ficar com o cabelo trançado por alguns meses até que ele pudesse crescer eu decidir o que fazer com ele.

Só que o visual e a praticidade das tranças me conquistaram de tal forma que eu não quis mais abandoná-las: fiquei quase 5 anos com este estilo, variando comprimentos, cores, espessuras, materiais... A versatilidade das tranças é realmente apaixonante! E foi tão apaixonante que acabei “me esquecendo” que tinha um cabelo “de verdade” ali dentro, preso. Por isso que, quando resolvi não mais usá-las, meus cabelos, agora 100% naturais, estavam em condições nada legais... Tive que cortar um bom pedaço dele s para conseguir ter um novo começo.

Hoje em dia, com a informação que temos disponível na internet e com os altos e baixos da minha própria experiência, eu percebo o quanto errei com meus cabelos e com as tranças neste período!... Descobri que tranças são sim aliadas no processo de transição quando corretamente feitas e mantidas. Vamos a algumas dicas:


Trate do seu cabelo antes, durante e depois – antes de colocar as tranças pela primeira vez, certifique-se de que seu cabelo recebeu a merecida dose de hidratação e de proteína (e isso vale principalmente pra quem já está com uma parte lisa e outra enrolada!). Enquanto estiver com as tranças, procure não fazer penteados que puxem muito o cabelo e também tente proteger a linha da testa na hora de dormir com uma faixa ou um lenço de tecido sintético. E depois de retirar as tranças, dê alguns dias de descanso para seus fios e couro e aproveite para refazer os tratamentos com máscaras e demais produtos.

Não faça tranças muito grossas ou muito apertadas – tranças muito grossas podem ficar muito pesadas e acabar arrancando seus fios pela raiz, causando, em casos mais graves, alopecia. Da mesma forma, tranças muito apertadas e rentes ao couro podem causar dor e desconforto. Converse com a sua trancista e sempre avise se você estiver sentindo algo de errado enquanto trança o cabelo ou após o processo feito. Dor não é normal!


Dilua seu xampu – diluir uma parte de xampu em uma parte de água, deixando-o bem líquido, facilita a distribuição e o enxágue do produto, evitando a formação daquela massinha rente ao laço da trança. Considerando que você não usará diariamente produtos que possam causar acúmulo, basicamente a única “sujeira” no seu couro cabeludo será a sua oleosidade natural, que é facilmente retirada com um xampu diluído. 

Não abra mão dos óleos vegetais – embora todas as trancistas pelas quais passei tenham me orientado a não aplicar nenhum produto além do xampu nas tranças, li diversos relatos na internet de meninas que mantém uma rotina de uso de óleos vegetais no couro e no comprimento do cabelo enquanto estão com os fios trançados. Não pude testar isso em mim mesma, então vale uma tentativa, caso você ache que seus fios estão precisando de algo além do xampu. 

Não fique mais do que 8 semanas com as mesmas tranças – esse é um fator crucial para a manutenção ou destruição do seu cabelo natural: quanto mais tempo você ficar com as mesmas tranças, maior será o acúmulo daquela massinha próximo à raiz, que é a grande responsável pela quebra massiva dos fios. Por isso, o ideal é refazer as tranças em intervalos de 6 a 8 semanas, pois assim não vai haver tempo de acumular muita sujeira e será bem mais fácil de desembaraçar.

Conclusão
Pense primeiro no seu cabelo, e depois nas tranças – a gente sabe que tranças não são baratas e nem são simples e rápidas, que trança com raiz meio frouxa não contribui para um visual impecável e que tranças grossas são “poder”. Mas pense que, antes do look trançado, sua intenção é fazer a transição e manter intacto o seu cabelo natural. Existem alguns pequenos “sacrifícios estéticos” que você precisará fazer em relação ao visual das tranças para poder manter seu cabelo verdadeiro que está lá, protegido. Se a manutenção das suas trancinhas a cada 6 ou 8 semanas pesar demais no bolso, considere fazê-las você mesma. Existem vários tutoriais no YouTube que ensinam como fazer e, com um pouco de prática e paciência, você poderá dominar o processo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dúvidas da leitoras - Parte III



Depois do hiato pelo qual passou o blog, tirei do fundo do baú as dúvidas que mandaram pelos comentários! É sempre bom responder as dúvidas de uma maneira que todo mundo possa ler - afinal, alguém pode ter perguntado o que você sempre quis saber mas não tinha pensado ainda!

Que produto você usa para reconstrução?
Uso a máscara Anti Age, sempre após uma outra máscara que seja bem emoliente - pois é, eu faço o inverso do que a maioria faz! :)

Misturinha de pantenol
Eu já usei a misturinha de pantenol no borrifador, pra umedecer as pontas quando necessário. Mas é preciso tomar cuidado para não saturar os fios com a mistura. Acho que o mais seguro é diluir uma quantidade bem pequena de pantenol, caso a misturinha seja usada diariamente

Produtos para twists
Para twists pequenos como esses, eu gosto de usar a misturinha de manteiga de karité. Para twists maiores, eu uso qualquer creme que esteja acostumada na finalização.

Sobre o método LOC
Não é obrigatório esperar algum tempo entre as etapas do método LOC. Só é bom se certificar de que o cabelo não esteja muito encharcado antes de passar o óleo. Se vc sai com ele molhado direto do chuveiro, é bom secar com uma camiseta velha ou toalha o excesso de água e deixar os fios úmidos. Se você borrifa a misturinha de água com pantenol, também é bom não encharcar os fios com ela.
Algumas pessoas gostam de colocar óleo vegetal no couro cabeludo, outras não. Eu não tenho mais colocado. No LOC, eu aplico o óleo primeiro nas pontas e vou espalhando para o comprimento em um movimento de enluvar.

Creme de manteiga de karité 
O creminho de manteiga de karité pode ser usado tanto no cabelo quanto na pele. Na pele, eu uso em quantidades bem pequenas, principalmente nas áreas que são naturalmente mais ressecadas: joelhos, cotovelos, pés, calcanhares etc. A pele não fica oleosa porque o creminho deve ser bem espalhado e com o movimento ele “desaparece”.
Minha mistura de manteiga de karité continua em bom estado mantendo-a e um pote fechado, ao abrigo da luz e do calor, dentro do meu armário. Vou usando no dia a dia ao longo de algumas semanas e não percebo alteração de cor ou cheiro.

Secador
Antes de usar o secador, é bom se certificar que o cabelo está o mais seco possível, isto é, úmido. Por isso, é sempre bom deixar secar por algum tempo antes de aplicar calor, ou, se não for possível, tirar o máximo do excesso de água com uma toalha ou camiseta velha de algodão. Também é bom usar o secador na temperatura mais baixa, com o bico do difusor ou, caso não tenha, a uma distância de pelo menos 15 centímetros do cabelo. Eu costumo colocar a minha mão na frente do jato que direciono pros meus fios e a uso como “termômetro”; ao menor sinal de desconforto na minha pele por causa do calor eu mudo imediatamente de mecha.

Lavo o cabelo no tanque, e agora?
Eu às vezes lavo meu cabelo no tanque porque acabo interditando o banheiro em dias de lavagem! Mas o processo é o mesmo; a única diferença é que jogo a cabeça para frente para poder molhar com a água da torneira.

Método da Teri e volume
O método da Teri tira mesmo o volume do cabelo, mas ele vai sendo recuperado com o passar dos dias (pelo menos no meu cabelo é assim). Também é possível usar um condicionador que seja mais leve e que não pese tanto, ou ainda usá-lo em menor quantidade.

Protegendo os fios curtos na hora de dormir
Quem tem cabelos curtos, dependendo do comprimento, tem algumas opções. Se estão muito curtinhos, a fronha de cetim dá pro gasto. Se estiverem um pouco maiores e correrem o risco de embaraçar durante a noite - principalmente quando a pessoa se mexe muito durante o sono - o lenço de cetim é mais apropriado. E se estiverem curtos naquela fase em que já dá pra prender, é possível fazer banding separando mechas e prendendo cada uma delas com xuxinhas - e cobrindo com o lenço ou dormindo com a fronha de cetim, é claro!

Crescimento dos cabelos
Dica para crescimento dos cabelos começa com a letra P: PACIÊNCIA! O que parece falta de crescimento é na verdade falta de retenção do crescimento. Todos os tipos de cabelos tem, basicamente, o mesmo ritmo de crescimento. Para mais detalhes sobre crescimento dos cabelos, veja esta postagem.
Qualquer cabelo crespo/encarapinhado tende a crescer primeiro “pra cima”, e conforme vai ganhando tamanho costuma “tombar” para os lados. Mas isso varia de cabelo para cabelo. O meu só “tombou” quando, esticado, chegou nas costas, na altura da axila.

Será possível fazer uma transição com química?
Bom, pra mim, “transição” é justamente deixar as químicas transformadoras e passar a usar o cabelo virgem, natural. Algumas pessoas acham que fazendo permanente afro podem conseguir igualar as pontas à raiz. No entanto, um cabelo com permanente afro continua sendo um cabelo com química, porque o permanente nada mais é do que o mesmo produto usado para relaxamentos e alisamentos, só que aplicado de forma diferente. Selagem térmica, pelo que sei, é um procedimento que alisa os fios em algum grau. Logo, não parece razoável uma pessoa que queira o cabelo natural de voltar fazer uso disso... As maneiras mais seguras para passar pela transição estão detalhadas neste post.

* * *

sábado, 30 de março de 2013

Dúvidas das leitoras – Parte II



Depois do superencontro das naturais Amigas Cacheadas do último sábado, me senti na obrigação de me organizar para escrever novamente no blog. Para minha surpresa, percebi que fiquei muitos meses sem ver com atenção os comentários e várias dúvidas ficaram pendentes. Às meninas que deixaram suas questões aqui há meses, minhas desculpas...

Mas vamos às dúvidas!

Quais condicionadores você indica para co-wash?
Basicamente um que não contenha silicones nem óleo mineral/petrolato/parafina líquida. Dos que usei, gostei do Johnson’s Baby amarelinho e da Máscara de Banho de Gelo da Haskell.

Quais xampus você usa?
Atualmente só o Oro Argan, da Bioderm. O último que eu comprei (ano passado) ainda continua com a fórmula confiável.

Como sei se meu cabelo precisa de hidratação, nutrição ou reconstrução?
Eu não sigo cronograma, então minhas decisões em relação a estes tipos de tratamento se dão na base do olhômetro. Quando sinto meu cabelo seco, especialmente as pontas, uso uma máscara de hidratação. Quando ele não está mais seco, mas os cachinhos estão com dificuldade de definição, uso máscara de nutrição (ou incremento o uso de óleos vegetais). E quando sinto meus fios elásticos e sei que estou em dia com hidratação e nutrição, parto para uma máscara de reconstrução (com proteínas).

Posso molhar/lavar o cabelo todo dia? Não consigo pentear se não molhar...
Uma coisa que toda natural deveria ter em mente é que não é necessário passar pente/escova/dedos todo dia no cabelo. Essa necessidade é menor ainda se você, como eu, protege o cabelo na hora de dormir e/ou é adepta dos penteados protetores. Molhar sem usar xampu pode não ser necessariamente ruim, mas eu, particularmente, não acho legal porque os fios ficarão sempre úmidos, já que nosso tipo de cabelo costuma demorar bem mais a secar.

Como reduzir o volume do cabelo?
Com o devido uso de máscaras de tratamento (especialmente hidratação, mas também nutrição e a dose certa de reconstrução), com o corte certo (geralmente em camadas) e com a estilização correta (a técnica da Teri é muito boa para isso) você pode manter seu volume sob controle. Mas veja bem: “sob controle” não é cabelo lambido, colado na cabeça nem boi lambeu! Volume controlado é o volume bonito e natural dos cabelos encaracolados.

O que você acha da glicerina?
Já usei glicerina durante um tempo e no fim das contas vejo que não fez grande diferença pro meu cabelo. A eficácia dela depende muito do clima. Como sou adepta de uma rotina simplificada, quanto menos produto melhor. Por isso, não uso mais.

Meu cabelo é oleoso, posso abrir mão do xampu?
Às vezes a oleosidade excessiva do couro cabeludo é uma espécie de “efeito rebote”: você lava com um xampu tão forte que o couro cabeludo fica irritado e ressecado, e acaba produzindo mais oleosidade para se proteger dessa agressão. Se lavar com condicionador não for legal, procure um xampu mais suave – normalmente os xampus sem sulfato são os mais suaves.

Me explica o LOC de novo? Como é isso de molhar o cabelo e depois borrifar?
O LOC é um método que tem como objetivo prolongar a retenção da hidratação nos fios crespos encarapinhados. Ele deve ser feito apenas após a lavagem e higienização dos cabelos. Ao sair do chuveiro com os cabelos enxaguados, após a higienização e tratamento com máscara, deve-se retirar o excesso de água dos fios, deixando-os úmidos. Após isso, borrifar alguma misturinha é opcional. Estando com os fios úmidos quase secos, é possível que o fio absorva a misturinha que você aplicar. Mas se não quiser ou não puder borrifar, não tem problema. Os fios úmidos com a água do enxágue já podem receber o óleo, que é o segundo passo do LOC e posteriormente o creme, que é o terceiro passo. E algo que eu acho muito óbvio, mas que vi que levantou dúvidas: é para passar um produto por cima do outro, sem enxaguar entre as etapas e nem depois de tudo aplicado! E outra: "LCO" NÃO é LOC! :)

Estou fazendo cauterização mas meu cabelo continua ressecado e quebradiço...
Isso pode ser resultado do excesso de cauterização. Se o seu cabelo está seco, ele precisa de hidratação. Deixe a cauterização de lado por alguns meses, até que ele se recupere e invista em máscaras de hidratação.

O que o calor pode fazer com meus cabelos? Que alternativa eu tenho durante a transição?
O calor pode destruir seus cachos naturais, como vimos aqui e aqui. Como alternativa, existem as tranças soltas, as tranças rasteiras, penteados e técnicas de texturização que você pode ver aqui.

Tive corte químico e agora tem uns cabelinhos que ficam pra cima quando faço rabo de cavalo. O que eu faço pra amenizar?
Se cortar toda a parte com química for uma solução radical demais, você pode, depois de fazer o rabo de cavalo, amarrar um lenço na cabeça como se fosse uma faixa de cabelo e deixar por uns 20 minutos para “assentar” os cabelinhos arrepiados. Para ajudar a segurar os fiozinhos, pode-se umedecê-los e/ou usar um pouco de gel antes de amarrar o lenço. Nesse caso, é bom deixar até que os fios sequem.

Óleo faz o cabelo crescer mais rápido?
Veja esta postagem sobre crescimento de cabelos e esta sobre óleos vegetais. Nada faz o cabelo crescer mais rápido do que o seu DNA define; óleos fortalecem e nutrem seus fios e auxiliam na retenção de comprimento.

Posso fazer a sua rotina no cabelo da minha filha?
Acho que a minha rotina pode ser adaptada para crianças, usando produtos infantis, por exemplo. Mas acredito que, no caso de cabeças pequenas, menos é mais. Simplifique ao máximo a rotina para não entendia-la e tome cuidado com produtos que possam causar irritações ou alergias. Tem alguns blog bem legais sobre o assunto, o Beads, Braids & Beyond e o Chocolate Hair Vanilla Care, de mães que cuidam dos cabelinhos crespos de suas filhas.

Meu cabelo está muito curto para fazer penteados protetores...
Nesse caso, preocupe-se com a hora de dormir. Proteja seu cabelo com um lenço, touca, ou use fronha de cetim.


Por enquanto é só, pessoal. Podem continuar mandando suas dúvidas... Eu tardo, mas não falho!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O papel dos nossos parceiros

Fonte

Em nossa jornada capilar, e especialmente na fase de transição, é comum escutarmos opiniões não muito encorajadoras vindas das pessoas que amamos. Dentre estas pessoas, a opinião do parceiro (namorado, noivo, marido) acaba tendo um peso muito grande na tomada de decisão das mulheres que desejam cabelo natural. 

Durante o tempo em que andei sem tempo para escrever material para o blog, minha participação na comunidade virtual natural se resumia a ler as atualizações de alguns dos fóruns de discussão de que faço parte. Ainda que em uma leitura rápida e superficial, percebi que eram muito frequentes as moças com preocupações relativas à aceitação de seus cabelos por seus parceiros. 

A insegurança aparecia antes do big chop, após o big chop, durante os tratamentos mirabolantes com receitas caseiras ou na hora de proteger o cabelo para dormir. Quase todas admitiam abrir mão deste ou daquele detalhe de uma rotina que consideravam ideal pelo temos à rejeição. Algumas, inclusive, consideravam seriamente desistir dos cabelos naturais e voltar aos alisamentos porque seus companheiros diziam não gostar de cabelos curtos ou crespos. 

Entendo que cada um de nós tenha suas preferências em termos de beleza. Mas também compreendo que, em uma relação amorosa, a fronteira da atração meramente visual já tenha sido superada e a ligação entre as pessoas envolvidas já se encontre em outro nível. Por isso, me choca ler casos como este do blog Curly Nikki, em que a mulher relata quase ter perdido seu casamento por causa do cabelo. 

O homem deste caso em especial alegou que aquela mulher pós big chop, de cabelo curto e crespo, não foi a mulher que ele conheceu (pelo que parece, ela tinha cabelo comprido e alisado na época). Além disso, também reclamou do fato de não ter sido consultado quanto à mudança. 

Bom, mudanças são inevitáveis. As pessoas engordam, envelhecem, ficam carecas; às vezes por um infortúnio ganham cicatrizes ou por um bom motivo fazem uma tatuagem. O fato é que nunca seremos os mesmos durante toda a vida e temos todo o direito de não querer sê-lo! Todos nós podemos nos reinventar e fazer diferente quando desejarmos. 

Ainda que em uma relação os parceiros possam e devam ser informados de certas decisões radicais, é preciso entender que nem sempre um dos lados vai mudar de ideia e voltar atrás só porque o outro não gostou. A consulta é importante, mas ela não pode se transformar em uma ordem ou um veto. 

Por fim, acredito no diálogo entre o casal, mas um diálogo que vá além da questão estética. Todas que passam pelo processo de volta ao cabelo natural sabem como este assunto é profundo e mexe com sentimentos. Que tal falar sobre o quanto a transição e o big chop significam para você? Seja sincera e aberta, diga como se sente, explique o que o alisamento não condiz mais com a pessoa que você é agora e que deseja ser no futuro. Mostre que a jornada para o natural é também uma jornada para sua felicidade – e duvido que alguém que ame sua parceira não vai querer vê-la feliz! Qualquer pessoa feliz consigo mesma, tenha ela o cabelo curto ou longo, crespo ou liso, loiro ou castanho, irradia beleza.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Secador + Chapinha = Bolhas no cabelo!

Fonte

A fase de transição é um momento em que muitas naturais se veem em um impasse: o que fazer com um cabelo que apresenta duas texturas? 

As diferentes texturas requerem técnicas de tratamento e estilização distintas. Geralmente, a etapa da finalização (quando se “arruma” efetivamente o cabelo) é a que dá mais dores de cabeça nas futuras naturais, especialmente quando aparte com química é bem mais lisa que a raiz. 

Em uma postagem antiga, falei sobre formas de igualar as duas texturas de um cabelo em transição sem precisar sucumbir às químicas. Contudo, nem todo mundo consegue fazer twists, tranças ou coquinhos nos cabelos, seja por falta de habilidade manual, seja porque o cabelo está tão liso que não “segura” a texturização temporária. 

Nesses casos, costuma-se optar pela escova e pela chapinha, pois esticar a raiz crespa pode ser mais fácil do que enrolar o comprimento esticado. Só que a combinação constante do calor e da tração provocados pelo secador e pela prancha pode ser trágica, tanto para a raiz que nasce natural quanto para as pontas que já estão fragilizadas pela química. 

É de consenso que o cabelo seque com o uso do secador porque a água evapora devido ao calor, certo? Sabemos que a evaporação da água nada mais é do que a sua passagem do estado líquido para o gasoso, quando ela atinge a temperatura de 100°C. Pois bem: o vapor da água que é aquecida pelo secador pode ficar preso dentro do fio de cabelo, como uma bolha. Considerando que a maior parte dos instrumentos para cabelo que esquentam atingem temperaturas bem acima dos 100°C, não é difícil de imaginar que as bolhas no cabelo sejam mais comuns do que parecem... 

Imagem mostrando um fio de cabelo com bolhas
Fonte

Um cabelo cujos fios estão com bolhas possuem textura áspera, "encaroçada", além de se tornarem bem mais frágeis. O córtex do fio fica danificado e o que aparenta ser uma bolinha é, de fato, uma bolha de ar


Os protetores térmicos funcionam? 

Os produtos que intitulam protetores térmicos, de acordo com a lógica, funcionam. Sem citar marcas, podemos dizer que um produto que se proponha a proteger o cabelo do calor do secador e da chapinha são geralmente compostos por uma combinação de proteína hidrolisada, silicones e agentes condicionantes. O princípio de ação dos protetores térmicos se baseia em três pontos: prevenir a destruição das proteínas do cabelo, prevenir a desidratação do fio e prevenir o rompimento das cutículas, fazendo com que o fio fique mais forte mesmo com o uso do calor

Calor moderado usado em períodos curtos de tempo ou eventualmente (fazer uma escova para uma ocasião específica, pranchar o cabelo ou usar baby liss uma vez na vida e outra na morte) pode não ser tão prejudicial aos fios. Sempre que for necessário lançar mão de algum instrumento que aqueça, use um produto para proteger seus fios do calor e, caso este não possa ser usado em cabelo secos, deixe os fios úmidos, não molhados/encharcados. Mas lembre-se de que a água ferve a 100 °C, portanto o uso prolongado e constante de secador e chapinha pode trazer consequências desastrosas e irreversíveis.




* As informações desta postagem foram retiradas do blog The Natural Haven. Você pode conferir os artigos originais aqui e aqui.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tendo dúvidas sobre sua jornada capilar?



Por Bennii Blast do The Culture Pine, via Curly Nikki (tradução minha)

Nós vemos tantas histórias de sucesso dentro do universo dos cabelos naturais que podemos quase nos sentir envergonhadas ou culpadas se temos uma ou outra dúvida sobre nossa própria jornada em busca do cabelo natural. Assim como em qualquer outro aspecto da sociedade, o que a maioria está fazendo é considerado “normal” e qualquer coisa fora deste denominador comum é motivo de preocupação. Bom, deixe-me falar: não há absolutamente nada extraterrestre em ter algumas dúvidas! 

Pode parecer que você é a única experimentando alguns pensamentos negativos, mas adivinhe? Junto com inúmeras outras moças, eu estou na mesma situação que você. Por exemplo, observando uma de minhas irmãs passar tranquila pelo seu dia de lavar o cabelo me desperta todos os tipos de sentimentos de inveja capilar, porque eu sei que vou levar o dobro do tempo que ela levou. Ou, naqueles dias em que perco toda a inspiração para estilizar meu cabelo, eu me lembro daqueles tempos em que ele simplesmente estaria baixinho, do jeito que eu queria. Nem que seja por um momento ou outro eu me pego pensando “e se eu ainda fosse relaxada”... Isso significa que eu me arrependo da minha decisão de ter o cabelo natural? De jeito nenhum!

Nós nos acostumamos a lidar com cabelo relaxado - para muitas de nós a maior parte de nossas vidas -  então é natural que isso possa assombrar nossos pensamentos de vez em quando. O truque é, antes de tudo, relembrar os motivos que nos fizeram optar por uma abordagem diferente em relação aos cuidados com os nossos cabelos. Você viu algo em você mesma quando embarcou nesta jornada que lhe disse “eu sou capaz de fazer isso”. Tente redescobrir sua confiança e não deixe que um dia estranho desvie você dos seus objetivos. Se você sentir que está tendo mais do que algumas simples dúvidas não fique sozinha... Fale com alguém antes de tomar qualquer decisão radical! 

Dúvidas aparecem em qualquer âmbito da vida. Não permita que elas sejam um obstáculo; chegue à raiz da dúvida para ter a chance de decifrá-la e superá-la. Há muitas de nós aqui dentro da comunidade de cabelos naturais apoiando você, então...

Fique firme e se expresse!

***

Quem é que não teve o seu momento de dúvida, não é? Mas altos e baixos fazem parte da vida. Nem tudo é perfeito o tempo todo, nem tudo sai exatamente do jeito que a gente quer. Mas nossa jornada capilar nos mostra coisas que vão muito além dos simples cuidados com a aparência. Conhecer métodos e técnicas adequados aos nossos cabelos acaba se tornando um mero detalhe nesse percurso. A capacidade de lidar com adversidades e buscar saídas criativas para determinados impasses, assim como o resgate da nossa autoconfiança são algumas das importantes lições que nosso cabelo nos ensina.

domingo, 22 de julho de 2012

Dicas para a transição


Um dos grandes problemas enfrentados por quem está passando pela transição do cabelo quimicamente modificado para o crespo ou encarapinhado natural é ter que lidar com a enorme diferença de texturas. Especialmente quando temos cabelos compridos quimicamente tratados e decidimos entrar em transição, um corte radical normalmente está fora de cogitação! Enquanto isso, o aparecimento da raiz encaracolada pode muitas vezes nos fazer sucumbir à "dependência química" já que o volume e o aspecto geral do nosso cabelo fica mesmo muito estranho.

Mas existem formas de administrar esse problema enquanto nos preparamos para o big chop, o grande corte que irá nos libertar dos produtos alisantes e irá revelar a verdadeira beleza dos nossos cabelos. Vamos ver algumas estratégias:

Twists
Já falamos sobre os twists como estratégia de diminuição do encolhimento dos cachos. Eles também são conhecidos como trança de dois ou trança de duas pernas. Têm a vantagem de não necessitarem de calor (o que é muito útil para preservar cabelos já fragilizados pela química). 
Twist-out

Os twists podem ser feitos em cabelos levemente úmidos (nunca encharcados!) ou secos. Em ambos os casos, é interessante que se aplique algum produtos que, além de hidratar os fios, proporcione alguma fixação. (leave-in, condicionador de consistência mais grossa ou gel suave). Os cabelos devem ser deixados em twists até que sequem completamente, por isso muitas meninas preferem fazê-los à noite, antes de dormir, e soltar os fios no dia seguinte pela manhã. O twist-out é o resultado obtido após os twists serem soltos. Dependendo da espessura das mechas que foram enroladas em twists, você poderá obter de ondas largas até um frisado bem pequeno, como na foto ao lado. Quanto você mais separar as mechas no twist-out, mais volume irá obter.

A MsVcharles ensina, neste vídeo, a fazer twists parafuso. O diferencial desta técnica é que você deve dar uma torcidinha em cada uma das mechas antes de enrolar uma na outra. Assim, obtém-se o efeito de espiral e o resultado final serão molinhas bem definidas:


Este vídeo da Naptural85 mostra uma técnica diferente e bem interessante de fazer twists. Ao invés de fazer um twist em uma mecha fina, de forma tradicional, ela separa seções mais grossas de cabelo e começa a fazê-lo apenas em uma parte dessa mecha, acrescentando mais cabelo à medida em que vai progredindo na execução do twist. Isso traz a vantagem de não precisar separar os cabelos para dar volume ao seu twist-out quando o cabelo secar:



Tranças
Como já havíamos comentado, as tranças podem ser uma ótima opção para quem deseja mostrar um pouco mais do comprimento das molinhas sem perder totalmente a textura dos cabelos crespos e encarapinhados.  
Braid-out
Fonte: blog Naturally Obsessed
Por sua versatilidade, as tranças também podem servir para igualar um pouco a textura do comprimento alisado com a da raiz enrolada. Elas  trazem a vantagem de não requererem uma técnica muito apurada para serem realizadas, como muitas vezes enfrentamos com os twists.
Acredito também que, por serem mais firmes, as tranças não necessitem de tantos produtos finalizadores para proporcionarem um look definido quando soltas - o chamado braid-out.
É importante apenas ter cuidado na hora de desmanchá-las (e, novamente o cabelo deve estar 100% seco!). Aplicando um pouco de óleo vegetal nas mãos (pode ser até mesmo o azeite extra virgem) você evita o frizz causado pelo atrito dos seus dedos com os fios. 


Apesar de aparentemente trançar o cabelo ser muito óbvio, existem técnicas diferentes para isso. No vídeo abaixo, vemos como fazer um braid-out tradicional. A MopTopMaven usa determinados produtos, contudo você pode experimentar com alguns dos seus produtos favoritos e ver os diferentes efeitos que eles proporcionam. Tranças grossas como as dela dão um visual mais ondulado, mas você também pode fazer várias trancinhas finas para um resultado mais texturizado:



Abaixo, a Naptural85 mostra uma forma bem interessante de trançar o cabelo para conseguir um efeito quase frisado: ao invés de simplesmente separar mechas finas e fazer tranças individuais, ela separa mechas mais grossas e faz praticamente uma trança embutida, adicionando mais cabelo à medida em que progride no processo de trançar os fios (mais ou menos os que ela fez no vídeo dos twists):



Coquinhos
Os coquinhos, também chamados de bantu knots, são uma boa opção para qualquer tamanho de cabelo e para quem acha que não terá muita habilidade com twists ou tranças. Basta separar o cabelo em mechas e enrolar cada uma em forma de coque, sempre torcendo os fios antes para que eles fiquem com aquele aspecto espiralado.
Bantu knots

Os coquinhos também devem ser feitos no cabelo levemente úmido e retirados após secagem total dos fios. Eles só podem ser um pouco incômodos na hora de dormir por causa do volume, mas você pode descobrir uma forma de "assentar" seus coquinhos que fique confortável no travesseiro.

No vídeo abaixo, vemos a SimplYounique fazendo coquinhos bem pequenos no cabelo. É possível que, neste tamanho, eles não causem tanto desconforto na hora de dormir. De quebra, ainda há algumas opções de penteados para fazer com seu cabelo solto após desmanchar os coquinhos!






Acessórios
Além de fazer os caracóis que faltam aos nossos cabelos apenas com as nossas mãos, podemos ter a ajuda de alguns acessórios específicos para encaracolar os fios, como rolinhos de permanente, bigoudis e curlformers. 

Existem acessórios diferentes para texturizar seus fios mais esticados

Os rolinhos e os bigoudis são relativamente fáceis de encontrar em lojas que vendem produtos para cabelo. Eles são usados para fazer permanente e permanente afro, mas podem ser colocados no cabelo natural para mudar temporariamente a forma dos fios. Existe uma variedade grande de modelos de rolinhos e cada um dá um efeito diferente: cachos abertos, cachos apertadinhos, molinhas bem pequenas ou espirais mais largas. 
Os curlformers são novidade aqui no Brasil, por isso é provável que custem bem mais caro do que os rolinhos comuns. Ainda que não sejam encontrados em qualquer loja, já existem sites e marcas comercializando produtos similares.
Assim como nos demais estilos, ao aplicar os rolinhos ou curlformers, o cabelo deve estar preferencialmente úmido e com algum produto antes de ser enrolado e só deve ser solto após secagem total. Mas estes acessórios oferecem a vantagem de poderem ser combinados com as técnicas já mencionadas, criando efeitos diferentes, como neste primeiro vídeo, ou intensificando os caracóis em cabelos muito esticados, como no segundo:




Dicas para cachos mais largos
As técnicas anteriores são apropriadas para quem tem cabelo crespo ou encarapinhado. Mas sabemos que algumas naturais tem um padrão de cachos abertos, mais para o cacheado do que para o crespo. Para essas, existem as técnicas das tiras de papel e do coque de meia. Nesses casos, é imprescindível que se use algum produto para fixação, até porque é provável que os fios quimicamente tratados estejam bem esticados e dificilmente segurem-se em um formato diferente por muito tempo. Fazer estes procedimentos à noite e retirar na manhã seguinte é também uma forma de fazer com que os fios fiquem várias horas naquele formato e segurem os cachos por mais tempo.



Todos estes estilos dão um pouco de trabalho para serem executados mas, em compensação, podem durar alguns dias se devidamente conservados (usando um lenço de cetim na hora de dormir e prendendo o cabelo em um coque ou rabo de cavalo bem alto, do tipo "abacaxi", por exemplo), especialmente nos cabelos mais texturizados (muito encarapinhados). Além disso, quando os cachinhos começarem a desmanchar, sempre é possível fazer um penteado ou usar acessórios decorativos e transformar um cabelo meia-boca em um look descolado.

Por isso, não se desespere na fase de transição! Existem formas de passar por ela sem ter que fazer um corte radical logo de cara, ou ainda de ficar escrava da escova e da chapinha, que além de não trazerem um resultado tão bom, podem prejudicar o seu cabelo novo em crescimento.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Políticas Capilares: Transição


Há alguns dias este vídeo está rolando na internet e fazendo sucesso. Ele foi produzido e narrado pela cineasta Zina Saro-Wiwa para o New York Times e fala sobre o crescente movimento em direção ao cabelo natural feito pelas mulheres negras americanas. A própria cineasta decidiu passar por uma transição, cortando as longas tranças com apliques que já usava há bastante tempo e revelando seu padrão natural de cachos.

E as impressões dela são muito parecidas com a da maioria das meninas que decidem largar os produtos alisantes e assumir seu cabelo natural. O início é complicado, cheio de insegurança quanto à nova imagem, mas também supreendente quando percebemos que o cabelo natural não é o bicho-papão que outrora imaginamos. E, no fim das contas, ela, assim como a grande maioria de nós naturais, descobriu que um simples corte de cabelo mudou sua vida de incontáveis formas.

Mas o que me mais me chamou atenção neste minidocumentário foi o fato de, aparentemente, o movimento atual pró-cabelo natural não ter conotação política, como tiveram os "afros" nos anos 60. Assim como a autora do vídeo, eu discordo desta posição. Embora, como ela ressalta, nossas decisões tenham se dado individualmente e tenham como foco principal muitas vezes a saúde (não só dos fios, mas também do nosso corpo como um todo), nosso movimento acabou tendo, com ou sem querer, um viés político, a partir do momento que nos fez refletir sobre nossa identidade, sobre quem somos e quem decidimos ser dali para frente.

Ainda assim, vejo muitas pessoas se esquivando deste "rótulo". Cada um usa o cabelo do jeito que gosta, que acha mais bonito, mais adequado... São muitas as "desculpas" que a gente dá para usar nosso cabelo natural, normalmente evitando adotar alguma postura ideológica, que remeta à identificação com determinado grupo étnico ou cultural. É evidente também que dificilmente alguém assumirá uma posição meramente pela política, se essa for desagradável em outros aspectos da vida. 

Mas, se a escolha nos faz bem em tantos campos, porque não pensar no bem que ela faz ao mostrar que nossas idéias que vão além da beleza estética? Por que ter medo de dizer que temos orgulho do nosso cabelo porque ele sinaliza que somos mulheres negras, mestiças, afrodescendentes dispostas a ir contra a maré do alisamento que diz que devemos ser adaptadas para sermos aceitas em uma sociedade racista?

Não acho que devemos ter medo de assumir uma posição ideológica, nem quando ela se refere a algo tão "fútil" quanto o jeito que usamos nossos cabelos. Se a política em que acreditamos deve ser vivida, e se viver a política é colocá-la em prática no dia a dia, não há forma mais evidente do que a expressão desta política no nosso corpo. Mais do que  palavras, basta a nossa presença para mostrar quem somos e do que somos capazes.