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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O tutorial de cabelos mais fofo do Instagram!

Riley ensina a fazer um penteado moicano no Instagram
Assista ao vídeo


Via Huffington Post (tradução e adaptação minhas)


Navegando pelo Instagram semana passada, nós topamos com o mais fofo tutorial para cabelos. Riley, 3 anos de idade, estrela o vídeo de 15 segundos, no qual ela explica como fazer o seu penteado de falso moicano (e nós mal conseguíamos colocar tic tacs no nosso cabelo nessa idade).

A pequena lançadora de moda, que é de Houston, Texas, explica o seu penteado em quatro simples passos:

1. Comece com um twist-out
2. Coloque grampos dos dois lados
3. Levante suas raízes
4. Ria sem parar

O ultimo passo não é apenas superfofo; ele também nos lembra que não devemos ficar frustradas com nosso cabelo e que devemos sempre nos divertir com ele.

Que seus cabelos estejam em um penteado, enfeitados com laços ou cobertos por um turbante, fica claro que Riley ama seu cabelo do jeito que ele é. Sua mãe, a fotógrafa Christin Armstrong, disse ao HuffPost Style: “Ela está sempre contente com os resultados. Elas sempre se beija e diz que está bonita.” 

(…)

A lição mais importante que aprendemos com a mãe da Riley? Sempre diga à sua filha o quão bonito é o cabelo dela.

Ela explica: “O melhor conselho que posso dar a outros pais é não comparar o cabelo da sua filha com o de outras pessoas. Riley não tem cachos abertos nem cabelo batendo na cintura, mas nós amamos o cabelo dela da mesma forma! Ensine às suas crianças quem eles são desde sempre. Diga que são bonitas sempre. Não apenas quando estão arrumadas. Não apenas quando seu cabelo estiver penteado. Diga sempre. Não deixe que ninguém as convença do contrário.”

Riley posando para o Instagram
Fonte
* * *

Muito mais importante que qualquer penteado, é o recado que a mãe nos passa. Será que as dificuldades ao lidar com o cabelinho da sua pequena natural não são fruto de de uma expectativa fora da realidade? 

Sua filha é perfeita e o cabelo dela também é. Ame-a e faça com que ela se ame também. Afinal, é isso que queremos ensinar às nossas crianças.

* * *

E você, já elogiou o cabelo da sua filha hoje? :-)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Menina pode ser expulsa da escola por causa do cabelo; instituição se retrata e diz que não irá expulsá-la

Fonte

Mal deu para digerir a última postagem, e mais uma vez nossos cabelos crespos/encarapinhados estão na mídia - infelizmente, em mais um caso que envolve discriminação. Dessa vez foi nos Estados Unidos, com uma garota de apenas 12 anos, que recebeu um ultimato: mudar seu cabelo ou ser expulsa da escola onde estuda.

Vanessa VanDyke, a menininha cheia de atitude em questão, disse que não irá cortar seu cabelo. "Ele mostra como sou única", ela diz. "Ele é armado e eu gosto dele assim", completa. Ela recebeu o apoio da mãe, que também questiona o regulamento da escola, o qual determina que os cabelos dos alunos "não podem ser uma distração": "Uma distração para uma pessoa pode não ser para a outra. Pode haver um aluno com espinhas no rosto. Vão chamar isso de distração?", indaga a mãe.

O fato é que pouco tempo depois de a notícia sair em diversos sites de notícias pelo mundo, os administradores da escola vieram a público dizer que não ordenaram que a menina cortasse o cabelo, sob o risco de expulsão, mas "apenas" que o penteasse de forma diferente.

E nesse momento, voltamos à pergunta lançada na última postagem: será que nosso cabelo é realmente aceito, do jeito que ele é de fato?

Todos nós sabemos que o cabelo crespo não cresce "para baixo", pelo menos não em um primeiro momento. Não parece justo que o fato de uma criança ter cabelo crespo deve privá-la da possibilidade de ter um cabelo comprido, já que outras meninas, com outros tipos de cabelo, podem usá-lo grande e solto. Da mesma forma, não soa igualitário que, por ter um determinado tipo de cabelo, uma aluna deva se submeter a procedimentos químicos ou até mesmo usar produtos para estilizar os fios que as outras não usem necessariamente.

O que chamou a atenção de muita gente foi o fato de esta solicitação ter vindo da escola, justamente a instituição que deveria educar as crianças no sentido de torná-los mais tolerantes às diferenças entre os indivíduos e hábeis a conviver em sociedade de forma harmônica. A família da menina reclama que ela vinha sofrendo bullying desde que começou a usar o cabelo assim, há vários meses, e a escola não tomou providências em relação a isso. Pelo contrário, reforçou o motivo do assédio ao não reconhecer a individualidade e a singularidade de um de seus alunos, e o seu direito a ser respeitado, independentemente de suas escolhas estéticas.

O fato é que, infelizmente, a escola, em geral, ainda é um espaço de reprodução de preconceitos. Não só quando se omite, quando faz vista grossa para casos como este, mas também quando ela própria aponta a vítima como culpada de seu sofrimento, ou ainda quando ela mesma reproduz o discurso do preconceito, rotulando os alunos considerados diferentes ou desviantes do perfil estético esperado.

Há de se repensar esse tipo de norma escolar que é, em essência, discriminatória. Sabemos que normas devem ser respeitadas, mas elas também devem ser alvo de que questionamento e mudança, caso não abarquem as individualidades do grupo que pretende atingir.

Fica a pergunta que fiz há algum tempo para pais e mães, dessa vez para os educadores: o queremos ensinar às nossas crianças? O que nós, enquanto educadores, podemos fazer para levar noções de respeito às diferenças para a escola?

sábado, 30 de março de 2013

Dúvidas das leitoras – Parte II



Depois do superencontro das naturais Amigas Cacheadas do último sábado, me senti na obrigação de me organizar para escrever novamente no blog. Para minha surpresa, percebi que fiquei muitos meses sem ver com atenção os comentários e várias dúvidas ficaram pendentes. Às meninas que deixaram suas questões aqui há meses, minhas desculpas...

Mas vamos às dúvidas!

Quais condicionadores você indica para co-wash?
Basicamente um que não contenha silicones nem óleo mineral/petrolato/parafina líquida. Dos que usei, gostei do Johnson’s Baby amarelinho e da Máscara de Banho de Gelo da Haskell.

Quais xampus você usa?
Atualmente só o Oro Argan, da Bioderm. O último que eu comprei (ano passado) ainda continua com a fórmula confiável.

Como sei se meu cabelo precisa de hidratação, nutrição ou reconstrução?
Eu não sigo cronograma, então minhas decisões em relação a estes tipos de tratamento se dão na base do olhômetro. Quando sinto meu cabelo seco, especialmente as pontas, uso uma máscara de hidratação. Quando ele não está mais seco, mas os cachinhos estão com dificuldade de definição, uso máscara de nutrição (ou incremento o uso de óleos vegetais). E quando sinto meus fios elásticos e sei que estou em dia com hidratação e nutrição, parto para uma máscara de reconstrução (com proteínas).

Posso molhar/lavar o cabelo todo dia? Não consigo pentear se não molhar...
Uma coisa que toda natural deveria ter em mente é que não é necessário passar pente/escova/dedos todo dia no cabelo. Essa necessidade é menor ainda se você, como eu, protege o cabelo na hora de dormir e/ou é adepta dos penteados protetores. Molhar sem usar xampu pode não ser necessariamente ruim, mas eu, particularmente, não acho legal porque os fios ficarão sempre úmidos, já que nosso tipo de cabelo costuma demorar bem mais a secar.

Como reduzir o volume do cabelo?
Com o devido uso de máscaras de tratamento (especialmente hidratação, mas também nutrição e a dose certa de reconstrução), com o corte certo (geralmente em camadas) e com a estilização correta (a técnica da Teri é muito boa para isso) você pode manter seu volume sob controle. Mas veja bem: “sob controle” não é cabelo lambido, colado na cabeça nem boi lambeu! Volume controlado é o volume bonito e natural dos cabelos encaracolados.

O que você acha da glicerina?
Já usei glicerina durante um tempo e no fim das contas vejo que não fez grande diferença pro meu cabelo. A eficácia dela depende muito do clima. Como sou adepta de uma rotina simplificada, quanto menos produto melhor. Por isso, não uso mais.

Meu cabelo é oleoso, posso abrir mão do xampu?
Às vezes a oleosidade excessiva do couro cabeludo é uma espécie de “efeito rebote”: você lava com um xampu tão forte que o couro cabeludo fica irritado e ressecado, e acaba produzindo mais oleosidade para se proteger dessa agressão. Se lavar com condicionador não for legal, procure um xampu mais suave – normalmente os xampus sem sulfato são os mais suaves.

Me explica o LOC de novo? Como é isso de molhar o cabelo e depois borrifar?
O LOC é um método que tem como objetivo prolongar a retenção da hidratação nos fios crespos encarapinhados. Ele deve ser feito apenas após a lavagem e higienização dos cabelos. Ao sair do chuveiro com os cabelos enxaguados, após a higienização e tratamento com máscara, deve-se retirar o excesso de água dos fios, deixando-os úmidos. Após isso, borrifar alguma misturinha é opcional. Estando com os fios úmidos quase secos, é possível que o fio absorva a misturinha que você aplicar. Mas se não quiser ou não puder borrifar, não tem problema. Os fios úmidos com a água do enxágue já podem receber o óleo, que é o segundo passo do LOC e posteriormente o creme, que é o terceiro passo. E algo que eu acho muito óbvio, mas que vi que levantou dúvidas: é para passar um produto por cima do outro, sem enxaguar entre as etapas e nem depois de tudo aplicado! E outra: "LCO" NÃO é LOC! :)

Estou fazendo cauterização mas meu cabelo continua ressecado e quebradiço...
Isso pode ser resultado do excesso de cauterização. Se o seu cabelo está seco, ele precisa de hidratação. Deixe a cauterização de lado por alguns meses, até que ele se recupere e invista em máscaras de hidratação.

O que o calor pode fazer com meus cabelos? Que alternativa eu tenho durante a transição?
O calor pode destruir seus cachos naturais, como vimos aqui e aqui. Como alternativa, existem as tranças soltas, as tranças rasteiras, penteados e técnicas de texturização que você pode ver aqui.

Tive corte químico e agora tem uns cabelinhos que ficam pra cima quando faço rabo de cavalo. O que eu faço pra amenizar?
Se cortar toda a parte com química for uma solução radical demais, você pode, depois de fazer o rabo de cavalo, amarrar um lenço na cabeça como se fosse uma faixa de cabelo e deixar por uns 20 minutos para “assentar” os cabelinhos arrepiados. Para ajudar a segurar os fiozinhos, pode-se umedecê-los e/ou usar um pouco de gel antes de amarrar o lenço. Nesse caso, é bom deixar até que os fios sequem.

Óleo faz o cabelo crescer mais rápido?
Veja esta postagem sobre crescimento de cabelos e esta sobre óleos vegetais. Nada faz o cabelo crescer mais rápido do que o seu DNA define; óleos fortalecem e nutrem seus fios e auxiliam na retenção de comprimento.

Posso fazer a sua rotina no cabelo da minha filha?
Acho que a minha rotina pode ser adaptada para crianças, usando produtos infantis, por exemplo. Mas acredito que, no caso de cabeças pequenas, menos é mais. Simplifique ao máximo a rotina para não entendia-la e tome cuidado com produtos que possam causar irritações ou alergias. Tem alguns blog bem legais sobre o assunto, o Beads, Braids & Beyond e o Chocolate Hair Vanilla Care, de mães que cuidam dos cabelinhos crespos de suas filhas.

Meu cabelo está muito curto para fazer penteados protetores...
Nesse caso, preocupe-se com a hora de dormir. Proteja seu cabelo com um lenço, touca, ou use fronha de cetim.


Por enquanto é só, pessoal. Podem continuar mandando suas dúvidas... Eu tardo, mas não falho!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O que queremos ensinar às nossas crianças?


As mulheres de cabelos crespos e encarapinhados nem sempre guardam boas lembranças da infância quando o assunto é cabelo. Normalmente, eram horas e horas não de cuidados, mas de luta contra os cabelos! Lavar, pentear e arrumar os fios podem ser lembrados como verdadeiras torturas.

Nossa infância pode ter mesmo memórias, não só física, mas também psicologicamente dolorosas. As idas ao salão ou as aplicações caseiras de produtos alisantes ou relaxantes deixavam feridas no couro cabeludo e, por que não, na alma. Assim como as piadas dos coleguinhas ou os comentários depreciativos dos adultos que tínhamos como referência ficam guardados para sempre.

Todas nós já ouvimos falar de como o que vivenciamos nos primeiros anos de vida servem de influência para quem somos ou seremos na idade adulta. Uma pesquisa americana recente, por exemplo, mostrou que altas taxas de obesidade em adolescentes negras podem estar ligadas a abusos verbais e sexuais, determinação de metas irreais para si mesma, depressão e ambiente familiar negativo. É claro que a pesquisa não trata especificamente de cabelos mas, de qualquer forma, mostra como acontecimentos para os quais podemos não dar a devida importância afetam nossa vida futura de forma bem séria.

É por isso que, antes de falarmos algo para nossas meninas do presente, devemos pensar duas vezes e lembrar daquilo que escutamos quando nós éramos as crianças da vez. Mesmo que o interlocutor tenha tido a melhor das intenções, nem sempre escutamos as palavras positivas que precisávamos ouvir. E talvez essas palavras tortas tenham contribuído para que construíssemos uma imagem negativa de nós mesmas que perdura até a idade adulta.

Nós, adultos, devemos ter sempre em mente que somos referência para nossas pequenas. Nós as ensinamos sobre o mundo e sobre si mesmas. Antes de taxarmos o cabelo de nossas crianças como ruins, duros, ou sem solução, vamos refletir: o que queremos ensinar a elas? Que são imperfeitas, logo devem ser "consertadas" para serem aceitas, ou que que são belas e únicas e que devem se amar do jeito que são porque nós as aceitamos incondicionalmente?

Modificar a estrutura do cabelo de uma criança é uma decisão seríssima que deve ser muito ponderada antes de ser levada a cabo. Antes de pensar que fazemos isso para deixar nossa filha mais satisfeita ou mais bonita, devemos lembrar que nós é que a ensinamos o que é ser bonita e o que é estar satisfeita com a própria imagem. Todo o cuidado é pouco e há sempre o outro lado da moeda: podemos estar sinalizando sim que ela pode não ser naturalmente tão bonita, a ponto de só ser aceita e amada se for ajustada, adequada. E a atitude que enxergamos como positiva pode ser, inconscientemente, lida como negativa por ela e se desenvolver de forma prejudicial no futuro.

Como eu costumo dizer, cabelos nunca são "apenas cabelos". Eles estão dentro de algo maior, que vai muito além da simples estética. Ensinar a sua filha a se amar e a amar seu próprio cabelo é construir com ela um laço de cumplicidade e também ensiná-la a estabelecer relações positivas consigo mesma e com os que a cercam.