Essa semana postei lá na página do Ame Seu Crespo no Facebook uma foto do meu cabelo em dois momentos: ele naturalmente encolhido após um wash and go e ele esticado pelos twists grossos que costumo fazer. Nesta foto, recebi uma pergunta da Vania Freitas:
O que é, exatamente, um wash and go?
Wash and go ("lavar e ir") é uma forma bem simples e rápida de estilizar os cabelos, higienizando-os e, logo em seguida, fazendo uma finalização básica, de forma a deixá-los com os cachos naturalmente encolhidos e definidos após a lavagem. Certamente, é a primeira estilização que nos vem à mente quando decidimos deixar o cabelo natural, mas um wash and go nunca é igual ao outro – isto vale para o seu wash and go e o da sua vizinha crespa, mas também pro seu wash and go de hoje e o da próxima lavagem!
Cada cabeça um wash and go diferente
Cada natural tem a sua “versão” do que seria um wash and go. No YouTube, podemos encontrar vídeos das “gurus do cabelo” gringas mostrando suas técnicas. Nestes vídeos da MahoganyCurls™ e da simplybiancaalexa, vemos que elas começam higienizando os cabelos com co wash e seguem diretamente para a finalização, que é feita com um condicionador usado como produto para desembaraçar e leave-in, sem enxágue posterior. A MahoganyCurls também usa, após o condicionador, um gel para dar mais fixação aos cachos.
O wash and go da Naptural85 é bem diferente. Ela limpa os fios com um higienizador natural, que faz o papel de xampu e condicionador. Após isso, ela faz twists médios no cabelo e espera secar, soltando na manhã seguinte. Segundo a interpretação dela, esse procedimento é um wash and go porque ela literalmente lava o cabelo e sai do chuveiro com ele praticamente pronto, sem produtos extras ou técnicas específicas de finalização.
A minha versão do wash and go se define simplesmente por, após a lavagem com xampu ou co wash (seguida ou não de tratamento com máscara), aplicar o condicionador que eu uso como leave-in na finalização mecha a mecha e esperar o cabelo secar naturalmente encolhido. Certamente, meu wash and go pode ter mais passos do que simplesmente “lavar e ir”, mas o resultado visual é o mesmo, no final das contas.
O wash and go pode ser feito em todos os tipos de cabelo?
Poder, pode. Mas é preciso ter em mente que, de acordo com o seu tipo de fio e de cacho, o resultado final pode variar. Normalmente, quem adere ao wash and go são as meninas que tem cachos pequenos mas bem marcados, que se definem com facilidade com a aplicação de produtos mais pesados ou gel. As meninas de cabelos mais encarapinhados ou cujos fios não formem cachos definidos muito visíveis podem achar que seu cabelo encolhe demais e embaraça demais com o wash and go, e podem optar por outros tipos de finalização. Contudo, é sempre uma questão de testar na sua própria cabeça para ver os resultados. A AFRICANEXPORT tem o cabelo bem encarapinhado e encontrou seu próprio jeito de fazer um wash and go – embora eu não saiba até que ponto é legal colocar o creme tão perto da raiz assim... A ordem que ela usa os produtos/faz os procedimentos é: creme leave-in, gel, secagem com difusor e jato do secador na raiz do cabelo, para dar mais volume e comprimento.
* * *
Ainda não encontrou o jeito ideal de fazer seu wash and go? Inspire-se com os vídeos!
Já descobriu o jeito ideal para o seu cabelo? Como você faz seu wash and go?
Navegando pelo Instagram semana passada, nós topamos com o mais fofo tutorial para cabelos. Riley, 3 anos de idade, estrela o vídeo de 15 segundos, no qual ela explica como fazer o seu penteado de falso moicano (e nós mal conseguíamos colocar tic tacs no nosso cabelo nessa idade).
A pequena lançadora de moda, que é de Houston, Texas, explica o seu penteado em quatro simples passos:
1. Comece com um twist-out
2. Coloque grampos dos dois lados
3. Levante suas raízes
4. Ria sem parar
O ultimo passo não é apenas superfofo; ele também nos lembra que não devemos ficar frustradas com nosso cabelo e que devemos sempre nos divertir com ele.
Que seus cabelos estejam em um penteado, enfeitados com laços ou cobertos por um turbante, fica claro que Riley ama seu cabelo do jeito que ele é. Sua mãe, a fotógrafa Christin Armstrong, disse ao HuffPost Style: “Ela está sempre contente com os resultados. Elas sempre se beija e diz que está bonita.”
(…)
A lição mais importante que aprendemos com a mãe da Riley? Sempre diga à sua filha o quão bonito é o cabelo dela.
Ela explica: “O melhor conselho que posso dar a outros pais é não comparar o cabelo da sua filha com o de outras pessoas. Riley não tem cachos abertos nem cabelo batendo na cintura, mas nós amamos o cabelo dela da mesma forma! Ensine às suas crianças quem eles são desde sempre. Diga que são bonitas sempre. Não apenas quando estão arrumadas. Não apenas quando seu cabelo estiver penteado. Diga sempre. Não deixe que ninguém as convença do contrário.”
Muito mais importante que qualquer penteado, é o recado que a mãe nos passa. Será que as dificuldades ao lidar com o cabelinho da sua pequena natural não são fruto de de uma expectativa fora da realidade?
Sua filha é perfeita e o cabelo dela também é. Ame-a e faça com que ela se ame também. Afinal, é isso que queremos ensinar às nossas crianças.
* * *
E você, já elogiou o cabelo da sua filha hoje? :-)
Já se passou muito tempo desde que escrevi sobre a minha rotina de cuidados com os cabelos. De lá pra cá, algumas coisas mudaram: formas de aplicação dos produtos, os produtos em si, o meu cabelo... Então deixa eu contar o que ando fazendo atualmente!
Atualmente ganhei um dia a mais livre para me dedicar aos cuidados com os cabelos (eba!). Por isso, passei a lavar os fios duas vezes na semana. Sempre após o xampu, uso uma máscara de tratamento (que varia de acordo com o meu humor e com o que eu acho que o cabelo precisa) e aproveito para desembaraçar os fios enquanto a máscara age. Após o enxágue, eu retiro o excesso de água dos fios enrolando uma toalha na cabeça (quando a toalha encharca, eu costumo trocá-la por uma camiseta velha de algodão para continuar secando). Com os fios úmidos, eu sigo aplicando um óleo e finalmente o condicionador que uso como leave-in, de acordo com o método LOC.
No momento da finalização, tenho experimentado técnicas novas, além de simplesmente deixar secar e prender em um penteado protetor. Durante um mês, finalizei fazendo twists finos, que eu já falei sobre aqui no blog. Agora, ainda tenho inventado com twists, mas de outras formas!
Twists grossos frouxos – esses twists tem a vantagem de manter o aspecto natural dos meus cachinhos, mas diminuindo um pouco o encolhimento e consequentemente o embaraço. Para isso, eu mantenho o cabelo separado em 8 ou 9 mechas e faço twists frouxos com cada um delas, mas deixando as pontas soltas, para que não percam o formato natural dos cachinhos. Após secar completamente, eu desmancho os twists. O resultado final é um cabelo alongado como se fosse um day after, após dormir com o cabelo preso com a técnica do banding à noite. Eu me inspirei neste vídeo para fazer os meus twists frouxos.
O resultado é mais ou menos esse, em termos de comprimento:
Twists grossos esticados – essa técnica aqui é o pulo do gato pra quem tem cabelo comprido, mas não vê o real tamanho dele por causa do fator encolhimento! Ainda separando o cabelo em 8 ou 9 mechas, dessa vez eu aplico menos creme/leave-in/condicionador do que o usual. Após fazer cada twist, eu o prendo em um bantu knot ou coquinho, para que ele não encolha, e sigo fazendo o próximo, até completar a cabeça toda. Com todos os twists prontos, eu pego cada um deles, esticando ao longo da cabeça e prendendo a ponta com um grampo. Neste vídeo você pode ver onde me inspirei para fazer os meus twists esticados.
Se os fios estiverem devidamente úmidos e a quantidade de creme não tiver sido excessiva, na manhã seguinte os fios estarão secos. Aí é só desmanchar os twists com cuidado, para não levantar muito frizz, e curtir o cabelão!
Pode parecer óbvio, mas custa nada lembrar que eu faço os twists depois do LOC! Para facilitar a separação dos fios, eu já divido meus cabelos em mechas antes de lavar, e mantenho essa divisão até o momento da finalização. Após soltar os cabelos já secos pela manhã, é possível fazer penteados diferentes, que o cabelo 100% encolhido não permitiria.
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Essas técnicas com os twists são particularmente especiais para quem tem cachinhos bem definidos, mas super apertadinhos e encolhidos. Experimente as técnicas e conte qual foi a sua favorita!
Quem acompanha o blog há certo tempo sabe que eu sou adepta do método LOC como forma de manter meus fios hidratados por vários dias após a lavagem, sem ter a necessidade de molhá-los novamente com mais frequência. Quando falei sobre o método LOC aqui no blog, mencionei que fazia uma misturinha de Pantenol com água que borrifava nos fios como o meu passo L, para depois seguir com o passo O (aplicação de óleo) e o C (aplicação de creme).
Contudo, na época, não dei as proporções exatas da mistura porque eu sempre variava as quantidades, fazendo experimentações, ou misturava no “olhômetro”, nunca com quantidades exatas. E não foi em momento mais feliz que a Chicoro, blogueira que difundiu o método LOC, veio com um vídeo superinformativo sobre o uso de Pantenol diluído em água, com as proporções que ela costuma usar. Confira abaixo:
A Chicoro usa Pantenol em pó, que ela compra pela internet. Aqui no Brasil, não sei se é possível encontrar Pantenol nesta forma. Normalmente, as meninas que optam pelo acréscimo de Pantenol à sua rotina usam a versão com textura grudenta, que se assemelha a uma cola. No vídeo, a Chicoro mostra que esta forma viscosa aparece depois de misturar o pó a certa quantidade de água.
Ainda que não usemos a forma em pó do Pantenol, podemos tomar como referência as medidas que ela usa. Aí vão elas:
Solução a 5%: 5 gramas ou uma colher de chá de Pantenol para 100ml de água
Solução a 10%: 10 gramas ou duas colheres de chá de Pantenol para 100ml de água
Solução a 50%: 50 gramas de Pantenol para 100ml de água
Solução a 75%: 75 gramas de Pantenol para 100ml de água
No método LOC
Para o método LOC, eu gosto de usar a solução a 5%. Estes 100ml de água, como é explicado no vídeo e eu já punha em prática desde o início, não precisam ser totalmente usados, de uma vez só nos fios. Como a intenção da etapa L do método LOC é umedecer e não encharcar o cabelo, talvez 100ml seja realmente uma quantidade muito grande. A quantidade que sobra eu costumo guardar por alguns dias, usando para borrifar na pele antes de aplicar óleo vegetal (pois é, eu não uso mais hidratantes comerciais depois que descobri a mágica dos óleos vegetais!).
No leave-in
As soluções mais concentradas (de 50% e 75%) podem ser acrescentadas a máscaras, condicionadores, leave-ins e xampus, segundo a Chicoro. Caso 100ml deixem seu leave-in aguado, você pode redimensionar as quantidades da mistura, mas mantendo suas proporções. Em outro vídeo, a Chicoro faz um preparado de Pantenol diluído a 50% que usa com o leave-in numa relação de 1 para 6: uma parte da misturinha de Pantenol e 6 partes de outros ingredientes ou do creme que você preferir como leave-in. Este também é um outro uso do Pantenol que muitas meninas já punham em prática há bastante tempo, mas que por vezes gerava dúvidas em relação à quantidade necessária para fazer efeito nos fios.
Como diluir o Pantenol
Agora por último, mas não menos importante, adorei a dica que ela dá de diluir o Pantenol em água aquecida! Apesar de ela usar a versão em pó, quem já tentou diluir o Pantenol versão viscosa em um creme ou mesmo em água sabe como é difícil. Na água fria, o Pantenol se dilui até relativamente fácil, mas demora uns bons minutos. Nos cremes, a diluição é bem mais complicada. Por isso, antes de fazer a sua mistura, aqueça um pouco de água até ficar morna e acrescente o Pantenol para ser dissolvido. Só então, com ele diluído em água, misture ao creme que você deseja usar.
Na semana passada vimos uma das consequências do uso do calor nos fios. Hoje, resolvi comentar sobre uma queixa que no início me surpreendeu, mas agora percebo que é bem mais comum do que imaginava. Vez ou outra, leio relatos de meninas desesperadas, contando que fizeram escova seguida de chapinha ou baby liss e, mesmo após lavarem o cabelo, seus cachos não se comportaram mais como antes: ficaram indefinidos ou esticados, disformes.
"Por que isso acontece?"
O calor muito intenso e direto pode alterar a estrutura do fio de forma definitiva. Acredita-se que ele afete as pontes de hidrogênio (aquelas que permitem que o cabelo molhado seja “moldado” por bobes, twists ou por uma escova após seco), ao mesmo tempo em que causa perda de proteínas do fio. A combinação desses dois fatores muda o formato do cabelo de forma irreversível.
Quando se estica o cabelo com secador e prancha muito quentes e ele se altera, tratamentos à base de proteína podem ajudar, até certo limite, os fios a voltarem ao seu formato original, pois repõem as proteínas perdidas no processo. O uso contínuo e prolongado do calor pode gerar uma perda proteica tão grande que o fio enfraquecerá a ponto de quebrar.
Quais temperaturas são seguras para usar no cabelo?
Sempre que se aplica algo quente nos fios eles sofrem, em algum grau (pense na sua roupa, que vai ficando desgastada ao longo do tempo com o uso do ferro de passar, mesmo que você use na temperatura indicada como adequada). Por isso, o melhor é evitar o uso de calor.
Quando não houver outra saída, procure usar um protetor térmico e um aparelho que tenha regulagem de temperatura. Neste caso, prefira as temperaturas até 150°C, que fazem com que o cabelo perca hidratação, mas não sofra consequências mais graves. De 160 a 175°C o cabelo, além de ficar desidratado, pode sofrer alguma deformação plástica permanente – o cabelo irá voltar ao seu estado “normal”, mas não exatamente como era antes (justamente o problema relatado pelas meninas que fazem escova e o cabelo fica “estranho” após lavar novamente). Finalmente, acima de 200°C, o cabelo derrete, e aí não adianta chorar sobre o leite derramado!
Existem pessoas que usam esta consequência a seu favor. Este procedimento é chamado de heat training. Ele consiste em “abrir” os cachos de forma gradual, com o uso controlado de calor aplicado diretamente nos fios. O cabelo, após algumas sessões de secador e chapinha, não irá mais enrolar ou encolher como antes, ainda que seja molhado.
As adeptas do heat training alegam que o processo de deixar o cabelo menos crespo com o auxilio do calor ajuda a evitar o embaraço exagerado, os nós de fada e, portanto, proporcionaria a retenção do comprimento, ampliando a gama de penteados e estilos possíveis de se fazer no cabelo.
Existem algumas naturais no YouTube, como a Longhairdontcare2011, que praticam o heat training e são bem sucedidas (olha só o tamanho do cabelo dela no vídeo abaixo!). Mas ela mesma reconhece que este método não é para todas e deve ser feito com muita cautela. Considerando que dificilmente algum cabeleireiro irá se propor a fazer isso, as adeptas precisam descobrir sozinhas os limites que seus cabelos aguentam - e a história nem sempre acaba com um final feliz...
Na minha opinião, cabelo esticado permanentemente por calor é sinônimo de cabelo danificado. É claro que existem procedimentos que também são danosos aos fios – relaxamentos e tinturas são, como o heat training, formas de danificar o cabelo de maneira “controlada”, já que nem todo mundo experimenta problemas como quebra exagerada, enfraquecimento e ressecamento dos fios, e muitas, a despeito dos procedimentos feitos, conseguem reter comprimento e conquistam cabelos longos e de aparência saudável. Essas pessoas possuem um cabelo que, naturalmente, é mais resistente a danos. Se o seu cabelo é naturalmente fino, frágil e só de ver um pente costuma arrebentar (como o meu!), então procedimentos que gerem danos, mesmo que de maneira controlada não são para você.
* As informações para esta postagem eu retirei deste, deste e deste site. Confira os artigos originais clicando nos links!
Vejo muitas meninas falando sobre o day after, o dia
seguinte à lavagem. O que fazer com os cabelos depois de passar 8 horas
dormindo e rolando a cabeça no travesseiro de um lado para o outro? Não há
cabelo que sobreviva, não é mesmo?
Eu entendo que um bom day after começa antes mesmo de
dormir, quando a gente escolhe um dos métodos de proteger o cabelo, como falei
aqui nesta postagem. Garantidamente, 50% do êxito em conservar os seus
cachinhos depende de como você os “guarda” à noite, antes de deitar a
cabeça e contar carneirinhos.
Mas ainda assim nossos cachinhos não acordam intactos. Mesmo
protegidos, eles amassam e desmancham um pouco. Algumas naturais não veem outra
solução senão molhar a cabeça toda e começar a estilização do zero, como se
fosse o primeiro dia.
O ideal é que isso não seja necessário. Se você já adota um
método de proteção do cabelo e mesmo assim ele está amanhecendo em estado de
miséria, significa que talvez você precise experimentar outro método.
Eu adotei o método do lenço de cetim. Ok, não é lá o visual
mais bonito que eu poderia arrumar, mas é o mais eficiente. No meu caso, ele
permite que eu solte o cabelo e tenha de retocar apenas as pontas, que por
serem as partes mais antigas dos fios, costumam perder hidratação mais
rapidamente.
Refazendo meus cachos: 1. Cabelo ainda preso, depois de retirar o lenço;
2. Condicionador na palma da mão;
3. Pontas desmanchadas já umedecidas com um pouco de água;
4. O condicionador deve ser aplicado como que enluvando o produto;
5. Sempre segure acima da região com frizz para não perturbar o resto do comprimento;
6. Por fim, é só separar os cachinhos que insistirem em ficar grudados
Achei um vídeo da Shameless Maya, uma natural que tem um
tipo de cabelo bem diferente do meu mas que, curiosamente, faz o mesmíssimo
procedimento que eu faço para arrumar os cachos desmanchados na manhã seguinte. A grande diferença é que, pelo fato de os meus cachos serem mais apertados, eu preciso separar mechas mais finas. Mas, basicamente, assim como eu, ela procura apenas aquelas partes com mais frizz ou mais indefinidas, para umedecer e aplicar mais leave-in. Confira abaixo:
Como deu pra ver, arrumar os cabelos no day after não deve
ser um processo estressante nem demorado. Você escolheu ser natural para ser
livre, não vai querer trocar a dependência do secador pela dependência da água,
não é verdade?
O cabelo do dia
seguinte nunca vai ser tão perfeitamente definido, com o volume exato e brilho
impecável de um cabelo recém-lavado. Ele fica com um volume diferente, às vezes
até com um “formato” diferente, mas nada disso é ruim. Na verdade, é normal, e
cabe a nós aprender a apreciar os visuais diversos que obtemos com o passar
dos dias. Um look mais despojado, do tipo "acabei de acordar e saí linda", um cabelo mais orgânico, mais "bagunçado", todas as possibilidades tem o seu charme!
Além disso, não necessariamente você tem que usar o cabelo
solto. Faça um penteado, prenda de um lado só com grampos, coloque um acessório. Às vezes é
o que falta para disfarçar aquela parte com frizz e destacar os cachos que
continuam legais.
E lembre-se: muito do seu sucesso no dia seguinte depende também de como você vem cuidando dos seus fios até então. Cabelos hidratados sempre responderão melhor a qualquer situação "perturbadora" a que forem submetidos e conseguirão manter a definição dos cachos por muito mais tempo.
Um dos grandes problemas enfrentados por quem está passando pela transição do cabelo quimicamente modificado para o crespo ou encarapinhado natural é ter que lidar com a enorme diferença de texturas. Especialmente quando temos cabelos compridos quimicamente tratados e decidimos entrar em transição, um corte radical normalmente está fora de cogitação! Enquanto isso, o aparecimento da raiz encaracolada pode muitas vezes nos fazer sucumbir à "dependência química" já que o volume e o aspecto geral do nosso cabelo fica mesmo muito estranho.
Mas existem formas de administrar esse problema enquanto nos preparamos para o big chop, o grande corte que irá nos libertar dos produtos alisantes e irá revelar a verdadeira beleza dos nossos cabelos. Vamos ver algumas estratégias:
Twists
Já falamos sobre os twists como estratégia de diminuição do encolhimento dos cachos. Eles também são conhecidos como trança de dois ou trança de duas pernas. Têm a vantagem de não necessitarem de calor (o que é muito útil para preservar cabelos já fragilizados pela química).
Twist-out
Os twists podem ser feitos em cabelos levemente úmidos (nunca encharcados!) ou secos. Em ambos os casos, é interessante que se aplique algum produtos que, além de hidratar os fios, proporcione alguma fixação. (leave-in, condicionador de consistência mais grossa ou gel suave). Os cabelos devem ser deixados em twists até que sequem completamente, por isso muitas meninas preferem fazê-los à noite, antes de dormir, e soltar os fios no dia seguinte pela manhã. O twist-out é o resultado obtido após os twists serem soltos. Dependendo da espessura das mechas que foram enroladas em twists, você poderá obter de ondas largas até um frisado bem pequeno, como na foto ao lado. Quanto você mais separar as mechas no twist-out, mais volume irá obter.
A MsVcharles ensina, neste vídeo, a fazer twists parafuso. O diferencial desta técnica é que você deve dar uma torcidinha em cada uma das mechas antes de enrolar uma na outra. Assim, obtém-se o efeito de espiral e o resultado final serão molinhas bem definidas:
Este vídeo da Naptural85 mostra uma técnica diferente e bem interessante de fazer twists. Ao invés de fazer um twist em uma mecha fina, de forma tradicional, ela separa seções mais grossas de cabelo e começa a fazê-lo apenas em uma parte dessa mecha, acrescentando mais cabelo à medida em que vai progredindo na execução do twist. Isso traz a vantagem de não precisar separar os cabelos para dar volume ao seu twist-out quando o cabelo secar:
Tranças
Como já havíamos comentado, as tranças podem ser uma ótima opção para quem deseja mostrar um pouco mais do comprimento das molinhas sem perder totalmente a textura dos cabelos crespos e encarapinhados.
Por sua versatilidade, as tranças também podem servir para igualar um pouco a textura do comprimento alisado com a da raiz enrolada. Elas trazem a vantagem de não requererem uma técnica muito apurada para serem realizadas, como muitas vezes enfrentamos com os twists.
Acredito também que, por serem mais firmes, as tranças não necessitem de tantos produtos finalizadores para proporcionarem um look definido quando soltas - o chamado braid-out.
É importante apenas ter cuidado na hora de desmanchá-las (e, novamente o cabelo deve estar 100% seco!). Aplicando um pouco de óleo vegetal nas mãos (pode ser até mesmo o azeite extra virgem) você evita o frizz causado pelo atrito dos seus dedos com os fios.
Apesar de aparentemente trançar o cabelo ser muito óbvio, existem técnicas diferentes para isso. No vídeo abaixo, vemos como fazer um braid-out tradicional. A MopTopMaven usa determinados produtos, contudo você pode experimentar com alguns dos seus produtos favoritos e ver os diferentes efeitos que eles proporcionam. Tranças grossas como as dela dão um visual mais ondulado, mas você também pode fazer várias trancinhas finas para um resultado mais texturizado:
Abaixo, a Naptural85 mostra uma forma bem interessante de trançar o cabelo para conseguir um efeito quase frisado: ao invés de simplesmente separar mechas finas e fazer tranças individuais, ela separa mechas mais grossas e faz praticamente uma trança embutida, adicionando mais cabelo à medida em que progride no processo de trançar os fios (mais ou menos os que ela fez no vídeo dos twists):
Coquinhos
Os coquinhos, também chamados de bantu knots, são uma boa opção para qualquer tamanho de cabelo e para quem acha que não terá muita habilidade com twists ou tranças. Basta separar o cabelo em mechas e enrolar cada uma em forma de coque, sempre torcendo os fios antes para que eles fiquem com aquele aspecto espiralado.
Bantu knots
Os coquinhos também devem ser feitos no cabelo levemente úmido e retirados após secagem total dos fios. Eles só podem ser um pouco incômodos na hora de dormir por causa do volume, mas você pode descobrir uma forma de "assentar" seus coquinhos que fique confortável no travesseiro.
No vídeo abaixo, vemos a SimplYounique fazendo coquinhos bem pequenos no cabelo. É possível que, neste tamanho, eles não causem tanto desconforto na hora de dormir. De quebra, ainda há algumas opções de penteados para fazer com seu cabelo solto após desmanchar os coquinhos!
Acessórios
Além de fazer os caracóis que faltam aos nossos cabelos apenas com as nossas mãos, podemos ter a ajuda de alguns acessórios específicos para encaracolar os fios, como rolinhos de permanente, bigoudis e curlformers.
Existem acessórios diferentes para texturizar seus fios mais esticados
Os rolinhos e os bigoudis são relativamente fáceis de encontrar em lojas que vendem produtos para cabelo. Eles são usados para fazer permanente e permanente afro, mas podem ser colocados no cabelo natural para mudar temporariamente a forma dos fios. Existe uma variedade grande de modelos de rolinhos e cada um dá um efeito diferente: cachos abertos, cachos apertadinhos, molinhas bem pequenas ou espirais mais largas.
Os curlformers são novidade aqui no Brasil, por isso é provável que custem bem mais caro do que os rolinhos comuns. Ainda que não sejam encontrados em qualquer loja, já existem sites e marcas comercializando produtos similares.
Assim como nos demais estilos, ao aplicar os rolinhos ou curlformers, o cabelo deve estar preferencialmente úmido e com algum produto antes de ser enrolado e só deve ser solto após secagem total. Mas estes acessórios oferecem a vantagem de poderem ser combinados com as técnicas já mencionadas, criando efeitos diferentes, como neste primeiro vídeo, ou intensificando os caracóis em cabelos muito esticados, como no segundo:
Dicas para cachos mais largos
As técnicas anteriores são apropriadas para quem tem cabelo crespo ou encarapinhado. Mas sabemos que algumas naturais tem um padrão de cachos abertos, mais para o cacheado do que para o crespo. Para essas, existem as técnicas das tiras de papel e do coque de meia. Nesses casos, é imprescindível que se use algum produto para fixação, até porque é provável que os fios quimicamente tratados estejam bem esticados e dificilmente segurem-se em um formato diferente por muito tempo. Fazer estes procedimentos à noite e retirar na manhã seguinte é também uma forma de fazer com que os fios fiquem várias horas naquele formato e segurem os cachos por mais tempo.
Todos estes estilos dão um pouco de trabalho para serem executados mas, em compensação, podem durar alguns dias se devidamente conservados (usando um lenço de cetim na hora de dormir e prendendo o cabelo em um coque ou rabo de cavalo bem alto, do tipo "abacaxi", por exemplo), especialmente nos cabelos mais texturizados (muito encarapinhados). Além disso, quando os cachinhos começarem a desmanchar, sempre é possível fazer um penteado ou usar acessórios decorativos e transformar um cabelo meia-boca em um look descolado.
Por isso, não se desespere na fase de transição! Existem formas de passar por ela sem ter que fazer um corte radical logo de cara, ou ainda de ficar escrava da escova e da chapinha, que além de não trazerem um resultado tão bom, podem prejudicar o seu cabelo novo em crescimento.
Taí um vídeo que merece ser assistido não só pelos belos cabelos, mas principalmente pela mensagem! Ele foi originalmente postado em um grupo do facebook do qual faço parte. É claro que imediatamente me identifiquei, curti e resolvi compartilhar aqui no blog. Nem vou dar mais detalhes sobre o conteúdo porque merece ser visto e revisto.
Este vídeo foi criado pelo Elenco Cor do Brasil, uma parceria entre o Centro de Teatro do Oprimido e Kuringa Berlim. Clique aqui e assista o vídeo "Cabelo Expressão de meu Poder".
Ficha técnica
Cabelo expressão do meu Poder Clipe do Elenco Cor do Brasil
Elenco Alessandro Conceição Barbara Santos Claudia Simone S. Oliveira Cristiano Mattos Fernanda Dias Graça Maria Isabel Freitas Robson Freire Rosimeire Almeida Soraia Arnoni
Letra da música: Barbara Santos Texto do espetáculo: Barbara Santos Diretor musical: Roni Vídeo: hífen.cinema
Agradeço ao Laboratório Anastacia pelo envio das informações sobre o vídeo! Saiba mais sobre o Laboratório Anastacia em sua fanpage do Facebook.
Dez entre dez naturais que possuem cabelo encaracolado de qualquer diâmetro ou textura de fio sabem que uma das grandes verdades do universo é a de que o cabelo encaracolado nunca é, de fato, do tamanho que aparenta ser. Quanto mais estreitas as molinhas dos nossos cabelos, mais elas tendem a encolher e fazê-lo parecer bem mais curto do que é quando esticado. Como dizia o slogan de um antigo produto para alisamento, nosso cabelo é do tipo “puxa, estica; solta, enrola”.
Esse fator é agravado no caso de fios muito finos, que tendem a ser mais leves que fios grossos. Esses, então, chegam a encolher até um terço do tamanho que atingem quando esticados! Para quem possui cabelos crespos e encarapinhados, isso é sinônimo de cabelo “joãozinho” ou “blackinho” (um “black power” ou “afro” pequeno) durante vários e vários meses. Nosso cabelo parece crescer sempre para cima, e nunca para baixo...
Por conta disso, muitas de nós acabamos cedendo aos alisantes e relaxantes, que abrem os cachinhos e, em teoria, revelam o comprimento real dos fios. Contudo, sabemos o quanto as químicas que alteram a estrutura dos fios de cabelo são agressivas. A estratégia escolhida para ajudar a abrir os cachos e mostrar o quanto nosso cabelo cresceu acaba saindo pela culatra, a partir do momento que o torna mais frágil e propenso à quebra.
Então, para aquelas que já estão naturais há pelo menos um ano e sabem que ganharam uns bons dez centímetros de comprimento nos cabelos, existe solução para mostrar o verdadeiro tamanho da cabeleira conquistada a muito suor e creme de tratamento? A resposta é: existe! Na verdade, há diferentes estratégias para dar uma “esticada” nos cachinhos sem ter que recorrer a produtos que modifiquem a sua estrutura. Vamos ver algumas delas.
Escova e chapinha
Não há forma mais eficaz de esticar o cabelo do que com escova, especialmente se for associada a chapinha. Desse jeito, o cabelo mostrará todos os centímetros obtidos durante sua jornada de crescimento. Porém, é importante saber que o calor do secador e da prancha são grandes inimigos dos cabelos crespos e encarapinhados. Sua estrutura frágil não suporta a aplicação constante de calor, associada à tensão aplicada pela escova e pela chapa. Não raramente, esse método pode deformar suas molinhas, esticando-as de maneira definitiva – ou seja, não adianta molhar o cabelo que elas não vão voltar ao normal NUNCA MAIS (em outras palavras, dano permanente nos fios que só se resolve cortando e deixando crescer novamente). Algumas pessoas fazem uso deste “dano” de maneira proposital e atribuem a ele a manutenção do comprimento longo dos fios como esta famosa natural do YouTube (recomendo assistir este vídeo feito por ela, que mostra como está o cabelo após anos e anos do que ela chama de "heat training"). Eu, particularmente, não recomendo o método, muito menos com esta finalidade! O cabelo vai perdendo definição e chega a um ponto em que só é possível usá-lo escovado (ei, mas não era isso que muitas de nós lamentávamos quando usávamos relaxamento? Pois é...).
Tensionando o cabelo com calor
Para quem não se importa em usar calor nos fios, mas não quer submetê-los ao estresse da escova + chapinha, há a opção de tensionar os fios utilizando o calor do secador. Com os cabelos secos ou quase secos, pega-se uma parte ou mecha do cabelo por vez com a mão, puxando de forma a esticar os cachinhos ou molinhas. Ainda segurando o cabelo com uma das mãos, aplica-se o calor do secador, deixando o jato de ar quente agir sobre aquela parte durante alguns segundos. Ao fazer isso, notamos imediatamente que aquela parte tensionada ficou mais comprida, com as molinhas menos “apertadas”. Realizando o procedimento por todo o cabelo, consegue-se um comprimento visualmente maior do que aquele obtido com o cabelo naturalmente encolhido, embora este comprimento fique distante do real, obtido apenas com escova. Por envolver menos tração, este método é menos agressivo para os fios do que a escova tradicional. Contudo, ainda deve-se tomar cuidado com o calor, já que uma vez que o fio é danificado, não há mais conserto! Neste vídeo da CurlyChronicles ela mostra como esticar os fios tensionando-os e aplicando o calor do secador:
Ela começa com os cabelos desembaraçados e apenas levemente úmidos, e o resultado é um fio esticado que fica sem um padrão consistente de cachinhos. Isto pode ser útil para realizar alguns penteados ou ainda se o objetivo for usar um cabelo "grandão", como um "afro" ou "black power".
Mas quando se deseja apenas dar uma esticada nos cachinhos sem desfazê-los, pode-se aproveitar a dica deste vídeo do canal Miss Jessie's: estilize o cabelo como de costume e, depois que os fios estiverem totalmente secos, basta aplicar o jato do secador apenas na raiz, dando uma "puxadinha" no cabelo para esticá-lo:
Banding
O banding é uma técnica que consiste em dividir o cabelo em diversas seções e prendê-las com várias xuxinhas de cabelo. Esta técnica permite diferentes “graus de esticamento”: quanto mais xuxinhas e mais próximas elas estiverem umas das outras, mais esticado ficarão os fios. Se a intenção é esticar o cabelo a ponto de desaparecer com os cachos, é recomendado que se divida o cabelo em seções médias, que se penteie os fios levemente úmidos e que estes sejam presos com muitas xuxinhas, colocadas a uma distância bem curta umas das outras e de forma bem apertada. Mas se o objetivo for apenas alongar um pouco o cabelo, “relaxando” os cachinhos, o banding deve ser feito nos cabelos secos, com xuxinhas colocadas de maneira mais frouxa e espaçada, e deixado, de preferência de um dia para o outro. O banding tem a vantagem de não depender de calor para modelar os fios e traz quase o mesmo resultado da secagem do cabelo sob tensão, comentada no item anterior. Além disso, ajuda a evitar o embaraço dos fios, já que desfaz um pouco os cachos e reduz sua tendência a se enroscar em si mesmos e nos demais. Abaixo, o meu cabelo com banding frouxo (que eu uso para dormir e dar aquela “soltada” nos cachos) e pós banding apertado, em que eu penteei cada seção de cabelo e prendi com as xuxinhas, dando várias voltas em cada uma e deixando-as bem próximas.
Tranças e twists
Um jeito de dar uma alongada nos fios sem perder textura é fazendo trancinhas e/ou twists (twists nada mas são do que tranças de "duas pernas"; as tranças tradicionais têm três). Estas duas técnicas podem ser utilizadas em cabelos secos ou úmidos. Em ambos os casos, os cabelos devem ser divididos em seções pequenas, que precisam ser previamente desembaraçadas e hidratadas (pode-se optar por algum produto que, além de hidratação, proporcione alguma fixação). Se estiver úmido, o cabelo deve ser mantido com esta técnica até secar totalmente; se estiver seco, deve ser mantido assim por várias horas (de preferência da noite para o dia) até que o cabelo se fixe naquela forma e/ou que o produto aplicado para fixação seque. É possível acelerar o processo com secador, mas se a sua intenção é fugir do calor, melhor ter paciência a esperar o cabelo secar naturalmente. As tranças e twists soltos podem ser combinados a tranças e twists rasteiros, que proporcionam um caimento diferente quando soltarmos os fios (os chamados "braid-out" e "twist-out") . Quanto mais finas as seções, mais definida ficará a textura do cabelo. Você pode assistir a este vídeo do canal Miss Jessie's que ensina a fazer twists no cabelo molhado e ter uma noção do resultado final da técnica.
Outros problemas causados pelo encolhimento
Além do resultado visual do encolhimento dos nossos fios após estilização, ele também atrapalha em outros momentos. Na hora de lavar, por exemplo, o fator encolhimento contribui para que nossos fios embolem e embaracem. Durante a aplicação de máscaras de tratamento e até durante a estilização com leave-in ou condicionador isso também ocorre. O que podemos fazer para evitar o embaraço exagerado nestes momentos é separar o cabelo em seções, trabalhando com uma de cada vez e prendendo em seguida (em coquinhos ou twists, tanto faz; o importante é que os fios não fiquem soltos ou livres para que não se enrosquem ao encolherem novamente após a manipulação).
O encolhimento também agrava o embaraço no cabelo seco, após estilização. Normalmente, quando fazemos wash and go's (lavamos, aplicamos produto e deixamos do jeito que ficar) nossos fios encolhem ao máximo e tendem a embolar bastante, especialmente quando levamos vários dias para lavar e desembaraçar o cabelo novamente. Boa parte das gurus da internet que conseguiram cabelos compridos incluem em sua rotina estilos e penteados que "estiquem" o cabelo justamente para reduzir a formação de nós (incluindo nozinhos de fada), que podem causar quebra ao pentear os fios e em casos graves necessitam de tesoura para serem eliminados. Por isso, adotar uma rotina em que seus cachos fiquem parcialmente esticados pode manter por mais tempo a integridade de seus fios.
Seja legal com seu cabelo!
Por fim, o que a gente pode fazer é aceitar nossos cabelinhos, com todas as suas particularidades. Não há como se livrar do encolhimento definitivamente e ser natural ao mesmo tempo! O fator encolhimento é parte do nosso cabelo crespo e é parte de toda a diversão. Ao mesmo tempo em que nos decepciona ao trazer para a altura do queixo um cabelo que já está abaixo do ombro, também nos permite variar radicalmente o visual, de um “afro” encolhido discreto até um penteado superelaborado, que ninguém imaginava que fosse possível fazer em um cabelo tão “curto”! Aproveite a versatilidade dos seus fios e aprenda a usar o fator encolhimento a seu favor.
Por melhores que sejam nossos cuidados, mais ricos que sejam nossos produtos ou mais apurada a nossa técnica, parece chegar um momento em que nossos cabelos empacam em determinado comprimento. Temos a impressão, então, de que nossos fios chegaram ao seu limite de tamanho, o qual não será jamais ultrapassado. Normalmente, este suposto limite é a altura dos ombros: tanto naturais quanto alisadas encontram dificuldades em fazer os cabelos crescerem além disso.
É importante saber que o cabelo possui fases de crescimento. E sim, ele também possui um comprimento terminal. Isso significa que o fio de cabelo nascerá, crescerá por alguns anos e após isso permanecerá neste comprimento por mais algum tempo, caindo em seguida. Mas não se preocupe porque você não ficará careca! Seus fios não caem todos de uma vez. É como nossas sobrancelhas ou cílios – de vez em quando cai um fiozinho na nossa mão ou no nosso rosto.
O limite de tamanho que cada pessoa atingirá com seus fios será ditado pela genética. Porém, nem sempre damos chance ao nosso cabelo de chegar ao seu comprimento terminal. O cabelo crespo e encarapinhado é mais frágil e seco do que outros tipos de cabelo, quebrando com facilidade ao ser penteado, por exemplo. Apesar de ser um processo quase imperceptível, essa quebra constante pode ser o equivalente a um corte de cabelo, fazendo com que seus fios estacionem em determinado tamanho e de lá não passem.
Por isso, por mais gentis que sejamos, determinadas práticas necessárias do dia-a-dia contribuem para que nossos fios se mantenham estacionados em determinado comprimento. Pesquisando as rotinas das naturalistas de cabelos compridos da internet, percebi que quase todas elas atribuem os seus muitos centímetros capilares a técnicas de baixa manipulação dos fios. Em outras palavras elas, de alguma forma, mantêm os cabelos presos durante a maior parte do tempo. Mas não são presos de qualquer jeito. Estamos falando de penteados específicos, os penteados protetores, que ajudam a preservar o fio do atrito com as roupas, com o corpo e dos agentes agressivos externos, como o vento, a poeira, a poluição, o sol e a umidade.
Os penteados protetores são sempre pensados e executados tendo em mente os seguintes objetivos:
1. Devem poder ser mantidos por um período significativo de tempo, que varia de alguns dias a várias semanas. Isto é importantíssimo para diminuir a necessidade de manipulação do cabelo. Se cada vez que você penteia seus fios eles correm o risco de quebrar, a estratégia deve ser mantê-los de forma que não embaracem para que se possa pentear o mínimo possível.
2. Devem “guardar” as pontas dos cabelos, que são a parte mais frágil, mais antiga e que foi, portanto, mais exposta a tudo o que há de ruim no ambiente: ao clima, aos pentes, às escovas, às suas mãos, aos acessórios que você usa... As pontas sempre devem ter atenção especial e por vezes, além de um capricho na hora de aplicar os produtos, elas também precisam de proteção física.
3. Devem manter o cabelo longe do contato com o seu corpo, seus ombros e suas roupas. Se o objetivo é a baixa manipulação dos fios, não há motivo para substituir a sua mão pela gola da sua camisa... Pode parecer bobeira, mas o atrito diário entre as pontas frágeis dos seus fios com as suas roupas causa danos lentos, cumulativos e reais.
Existem inúmeras possibilidades de penteados protetores. O mais simples deles é o coque. Funciona em cabelos médios e longos, ou seja, justamente aqueles que chegaram na altura do ombro e possivelmente não conseguirão passar deste ponto. É o meu penteado favorito e pode ser mantido por até sete dias.
Meu coque semanal: meus cachinhos permanecem, o que significa que o penteado não está apertado
Além do coque, há também opções para cabelos de qualquer tamanho, como os twists e as tranças (soltas ou rasteiras). Os twists e as tranças devem ser feitos mais frouxos, de forma a não tracionar os fios, para que não acarretem em alopecia por tração. Os twists e as tranças soltas, preferencialmente, não devem receber aplique (aqueles do tipo "kanecalom" ou outro tipo de cabelo sintético) e podem ser deixados por até oito semanas; as tranças rasteiras devem ser refeitas, de preferência, semanalmente.
Tranças rasteiras
E fora esses, há os penteados que a sua imaginação permitir, lembrando sempre das regras: deve poder ser mantido por vários dias, deve guardar as pontas dos cabelos e deve se manter longe do contato com seu corpo e suas roupas.
Apesar de ainda ter algumas pontas expostas, esta pode ser uma idéia para um penteado protetor
É importante também que, à noite, seus fios continuem protegidos. Nessa hora, vale lançar mão da fronha, da touquinha ou do lenço de cetim. E não se esqueça de que o penteado protetor deve ser confortável o suficiente para que você possa dormir com ele! Se sentir seus fios muito repuxados ou algum acessório pinicando sua cabeça, desmanche, durma confortavelmente e, na manhã seguinte invente outro penteado, até achar aquele ao qual você mais se adapta.
ATENÇÃO, ATENÇÃO!
Já que o objetivo é preservar nossos fios e mantê-los hidratados, é muito importante que, antes de fazer qualquer penteado, você hidrate e trate adequadamente dos seus cabelos. Nunca faça o penteado no cabelo já ressecado, sujo ou embaraçado!
Março de 2011
No meu caso, os penteados protetores foram cruciais para atingir o comprimento que tenho hoje em meus cabelos. Devido ao grande encolhimento, meus fios quando secos batem justamente nos meus ombros, o ponto de atrito da discórdia das naturalistas mundo afora.
Percebendo que especialmente os fios da frente e laterais, que mantêm contato direto com meus ombros, pareciam, além de “estacionados”, mais agredidos e ressecados, resolvi adotar penteados protetores de segunda a sexta, os dias em que passo mais tempo fora de casa, trabalhando e estudando.
Novembro de 2011
E não é que, para minha surpresa, a estratégia realmente deu certo? Considerando que eu não corto os cabelos há quase quatro anos, minhas pontas já estavam pedindo socorro, apesar de todos os cuidados que tinha. Na foto ao lado, acho que fica bem nítido como as pontas laterais, que na foto acima estavam em petição de miséria, conseguiram ultrapassar a barreira do ombro e se aproximaram, em tamanho, da parte de trás do cabelo. Adotar penteados protetores no meu dia-a-dia deu às minhas pontas uma sobrevida maior, e ao comprimento do meu cabelo uma preservação incrível.
Para não ter a desculpa da falta de criatividade, vou deixar alguns
links de penteados protetores bem legais aqui embaixo. Não se prenda aos produtos que estejam eventualmente sendo usados; o importante é o "como fazer" e não o que usar. Ah, e além de
protegerem o cabelo, esses penteados podem ser ótimas opções para eventos mais
formais - com alguns acessórios você vai do trabalho a uma festa num
piscar de olhos!
Penteado profissional (Naptural 85) - o penteado propriamente dito começa aos 3:50; não é preciso fazer os twists na frente se o seu cabelo estiver com uma definição legal
Twists "parafuso" (Ms Vcharles) - você pode manter o cabelo enroladinho em twists durante alguns dias e soltar no fim de semana ou quando quiser um cabelo diferente para algum evento