Mostrando postagens com marcador Danos capilares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Danos capilares. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cuidando dos cabelos no verão

Foto por Bia Galhano


Ah, o verão!... Época de férias para alguns e de sofrimento para outros (especialmente para aqueles que continuam trabalhando e não conseguem curtir uma praia ou piscina de maneira digna). Seja lá qual for o seu grupo, uma coisa é certa: não só a sua pele, mas os seus cabelos sentem os efeitos do sol intenso que essa época do ano nos proporciona. Já falamos aqui sobre os potenciais efeitos danosos do sol nos fios. A boa notícia é que existem formas de prevenir ou minimizar esses danos!

Produtos com FPS
Existem cremes de pentear e leave-ins com fator de proteção solar, e outros cremes que são filtros solares para cabelos, propriamente dizendo. Faça uso desses produtos e mantenha seus fios protegidos. Se estiver na praia ou piscina, procure reaplicar a cada saída da água ou conforme as instruções do fabricante.

Cabelo preso
Prender os fios é uma ótima forma de protegê-los do sol, já que diminui a área do cabelo exposta aos raios solares. É também muito útil para quem tem os cabelos mais compridos e sofre no pós-praia/piscina para desembaraçá-los. Uma trança única, tranças em marias-chiquinhas ou ainda vários twists são ótimas formas de agilizar a lavagem e simplificar o pentear após nadar.

Manteiga de karité
Ao contrário do que algumas meninas temem, aplicar manteiga de karité no cabelo e se expor ao sol não fritará seus fios! A manteiga até oferece alguma proteção natural contra o sol (bem baixa, contudo) e é um ótimo “impermeabilizante”, principalmente pra quem quer se defender do temido cloro das piscinas. Antes de entrar, molhe seu cabelo com água do chuveiro, retire o excesso e aplique manteiga de karité generosamente sobre os fios. Prenda, de preferência, para que eles fiquem mais protegidos, e vá curtir seu mergulho!

Chapéu e guarda-sol
A barreira definitiva quando se trata de raios solares, o guarda-sol protege não apenas seu cabelo, mas seu corpo todo. Caso a intenção seja pegar um bronzeado (atenção para o horário: o sol  de 10 às 16h não é bom nem para a pele, nem para o cabelo!), opte pelo chapéu que protegerá mais a sua cabeça e deixará o resto do seu corpo livre . E lance mão do chapéu também no seu dia a dia, quando for fazer caminhadas ou passar longos períodos andando sob o sol da rua.

Foto por Bia Galhano

Cuidados no pós-praia ou piscina
Ao lavar seus cabelos, deixe cair bastante água sobre os fios – mais água do que você considera “muito”! Esse enxágue caprichado vai ajudar a tirar dos seus fios o excesso de sal e de água clorada. Siga com co-wash ou com um xampu suave e com a sua hidratação habitual. Se você for passar muitos dias indo à praia ou piscina é sempre bom, na volta para casa, fazer uso de alguma máscara voltada para reconstrução, já que as lavagens e a manipulação frequentes podem estressar demais os fios.


* * *

Como sempre dizemos, cabelo 100% livre de danos é impossível, mas não é por isso que a gente vai largar de mão e acabar com o cabelo totalmente detonado no final da temporada de calor... Tente colocar algumas dessas dicas em prática e minimize as consequências ruins para os seus cabelos!

terça-feira, 18 de março de 2014

Assumir o cabelo natural é usá-lo sempre encolhido?


Uma questão que causa discussão entre as naturais é sobre fazer ou não texturizações que modifiquem o formato dos cachos e dos fios. Enquanto algumas são adeptas de tranças, twists, coquinhos (bantu knots) e até mesmo blow outs (uma espécie de escova que não traciona muito os fios), outras acreditam que, para realmente aceitar seu cabelo natural é necessário usá-lo em seu estado de encolhimento natural, em um wash and go, com volume, em um black power.

Existem alguns fatores que facilitam ou dificultam o uso do cabelo naturalmente encolhido – e um deles é o comprimento do fio. Na minha experiência com os cabelos, percebi que, quanto mais comprido meu cabelo ficava, mais difícil se tornava a hora de desembaraçá-lo após alguns dias do wash and go. Com mais embolação vinha também mais quebra, e de brinde vários nós (tanto nozinhos de fada quanto nós em mechas propriamente ditas) que acabavam tendo que ser cortados durante o ato de pentear.

Uma das estratégias para diminuir a quantidade de nós era usar o cabelo em um penteado protetor. Eles fizeram parte da minha rotina por meses a fio e tiveram grande responsabilidade por levar meu cabelo até o comprimento que está hoje. Mas confesso que, em determinado ponto, fiquei um pouco cansada do cabelo sempre preso. Ao mesmo tempo, não queria prejudicar meus fios nem perder centímetros preciosos nas pontinhas.

Um presente do meu último wash and go

A solução que encontrei foi lançar mão de twists e twist outs. Nos últimos meses eu venho experimentando bastante com os twists grossos e acabei incorporando-os de vez à minha rotina. Embora as pontas dos cabelos fiquem “soltas”, para baixo, os fios ficam presos em mechas e alinhados, diminuindo enormemente o embaraço. Logo, eu os entendo como uma forma de também proteger os fios e conseguir reter o comprimento que ganhei. Além disso, o twist out me permite mostrar um pouco o comprimento do meu cabelo e aproveitar os centímetros que conquistei ao longo dos anos.

Essa discussão sobre usar o cabelo encolhido ou texturizado me surpreende muito, já que as blogueiras e youtubers americanas que, em sua maioria, serviram como primeira referência nos cuidados com os cabelos, vivem em twist outs, braid outs, em texturizações com coquinhos, bigoudis, bobes e uma infinidade de outros estilos. Elas também entendem que determinadas texturizações são formas de preservar seus fios, evitando que embaracem demasiadamente e facilitando a preparação de penteados presos. Muitas dificilmente abrem mão de texturizações no dia-a-dia. E, a despeito disso, em nenhum momento elas deixaram de ser naturais nem de assumir e declarar que seus cabelos eram “kinky” (ou encarapinhados/carapinha). Ao contrário, compreendem o uso dessas técnicas como parte fundamental do tratamento adequado aos cabelos crespos e encarapinhados e recomendam que suas seguidoras também experimentem.


Conclusão
O cabelo crespo e encarapinhado é versátil, e isso todas nós sabemos. Ao longo da nossa jornada, vamos descobrindo e redescobrindo formas de cuidar dos nossos fios, de acordo com nossos objetivos futuros e com a fase em que nosso cabelo se encontra. Existem várias formas de finalizar e estilizar nosso cabelo que não envolvem químicas transformadoras, e elas podem – e devem – ser pesquisadas e testadas para que você atinja seus objetivos capilares. Nós largamos a química para libertarmos nossos cabelos, então sejamos livres para usá-los como quisermos, seja em um black de parar o trânsito, em um twist out impecável ou em um look mais básico.


* * * Leia também: "Estamos julgando?"

segunda-feira, 3 de março de 2014

Mais sobre crescimento capilar: as "pontas desgarradas"


Aqui no blog já falamos diversas vezes sobre assuntos relacionados ao crescimento dos fios crespos e encarapinhados. Mas é importante lembrar que, quando falamos de “crescimento do cabelo”, não estamos necessariamente querendo dizer “cabelo compridão”. Afinal, o cabelo continua crescendo e se renovando, mesmo quando o cortamos regularmente para conservar o corte ou um tamanho que mais nos agrada.

O que eu vejo das meninas que estão começando a cultivar o cabelo é uma dúvida quanto à percepção visual deste crescimento. “Meu cabelo, está estagnado! Ele não sai do lugar!”, elas dizem. Mas, tratando-se de cabelos crespos, superenrolados, o que seria este “sair do lugar”?

Bom, o que eu pude aprender ao longo da minha jornada é que, primeiramente, nossos cabelos não “tombam” com facilidade nem “crescem para baixo” exatamente como um cabelo liso. Como o nosso blackinho, ao crescer, se expande em todas as direções e além de tudo encolhe, essa percepção de crescimento pode ficar distorcida – mas ainda assim nosso cabelo está crescendo!

Outra forma de perceber o crescimento do cabelo é reparar na sua densidade ou, como eu gosto de falar, na sua “consistência”. Nosso cabelo cresce enchendo, primeiro, para depois “tombar”, se for o caso. Acho mais fácil reparar no desenvolvimento dos nossos cabelos através da sensação de “quantidade” de fios que conseguimos pegar e sentir em um rabo de cavalo ou em múltiplas mechas. Como assim? Eu explico.

A gente sabe que o cabelo tem um ritmo e um ciclo de crescimento médio, mas nem sempre todos os fios estão obedecendo a este ritmo de forma exata – por isso, depois de um tempo, percebemos que nosso cabelo vai perdendo o corte ou ficando com algumas pontas mais compridas do que outras. 

Essas pontas mais compridas acabam deixando o cabelo mais “ralo” nas extremidades, dando aquela impressão de menos cabelo nas pontas, ou aquele efeito de afinamento quando fazemos tranças ou twists. Como esses fios ficam desgarrados do “grosso” do cabelo, eles ficam mais sujeitos a danos, nós de fada, pontas duplas (a máxima do “unidos venceremos” também vale para os nossos fios!) e por isso é bom que sejam cortados mesmo. Eu, pelo menos, costumo usar essas pontas mais ralas como “guia” na hora de me livrar das pontinhas velhas ao aparar o cabelo.

Meu cabelo em banding em 2011 e depois em 2013.
Repare só como na foto de 2013 o cabelo está mais cheio e,
apesar das aparências, ele também está mais comprido!

Repare que quando cortamos essas pontas e deixamos todos os fios do mesmo tamanho, nosso cabelo parece mais “consistente”, mais denso. Embora tenhamos perdido alguns centímetros, o resultado final depois de uma aparada acaba sendo mais satisfatório, não é mesmo?

Como o cabelo não para de crescer, depois de um tempo o “grosso” do cabelo vai atingir aquele comprimento que as pontinhas mais compridas desgarradas atingiram. E provavelmente, quando isso acontecer, vão existir outras pontas desgarradas mais compridas, que eventualmente terão que ser cortadas... E assim sucessivamente.

Na foto de 2012, as pontas estão visivelmente mais ralas.
Na foto de 2013, as pontas estão mais "cheias" e o
cabelo mais comprido mesmo após aparar os fios "desgarrados"

Por isso é importante cuidar muito bem das pontas, para que, após a retirada das pontas desgarradas, esse “grosso” do cabelo não se danifique, arrebente, quebre, tornando-se ralo novamente por causas não naturais. Quando a gente conserva, hidrata e protege as pontas, evita que elas se deteriorem mais do que o inevitável.


Concluindo: para saber o quanto seu cabelo tem crescido, repare na densidade dele, a partir do meio do comprimento até as pontas. Se possível, tire fotos do seu cabelo com o mesmo tipo de finalização de 4 em 4 meses ou de 6 em 6 meses (um intervalo de tempo razoável para perceber diferenças de tamanho em cabelos muito enrolados e para aparar as pontas). Se você acha que no fim das contas o comprimento é o mesmo, repare nas pontas, se elas estão mais densas e formam mechas de espessura mais uniforme, desde a raiz. Se isso acontecer, parabéns! Você tem sido eficiente em manter o comprimento dos fios! Só tenha em mente que o cuidado deve ser constante e para sempre: nunca descuide das suas pontas, de forma que você consiga levar o “grosso” do cabelo ao tamanho que você deseja, caso você deseje fios mais longos.


* * * Quer saber mais sobre o assunto? Confira a "Lead Hair" Theory, levantada pela Chicoro, neste link (em inglês).

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Efeitos dos raios solares nos cabelos

Fonte

Todo mundo tem pelo menos alguma noção de que os raios solares causam danos à saúde. Por isso, dermatologistas sempre recomendam que a gente não saia de casa sem filtro solar. Contudo, talvez não tenhamos sempre em mente que a radiação solar também tem efeitos nos nossos cabelos. Como vimos no último post, o sol pode desempenhar papel crucial no ressecamento e porosidade dos fios da coroa. O artigo abaixo fala um pouco sobre o assunto e mostra que os danos podem ser bem mais profundos do que imaginamos. 

Obs: O artigo original em inglês traz alguns termos mais específicos da Química que eu, como leiga, traduzi da forma que consegui. Caso você note algum erro e queira me informar, ficarei agradecida! 


Via Hairscapades (tradução e adaptação minhas)

Com frequência, vejo muitas naturais reclamando do cabelo na região da coroa. “É seco, áspero, quebradiço, opaco, é o cabelo mais crespo que elas tem na cabeça, é o mais difícil de cuidar!”. E comigo não é diferente. O cabelo do lado esquerdo da coroa é sempre mais curto e com mais tendência a se danificar que o resto do meu cabelo, apresentando quebra e pontas estragadas. Eu aprendi, ao longo dos anos, que isso se deve ao fato de a região da coroa ser sempre a mais exposta aos elementos externos: sol, vento, chuva, radicais livres. Também achava que esta exposição apenas resultava em cutículas mais abertas e fios mais porosos, já que o cabelo que fica por baixo é mais macio e responde melhor aos tratamentos.

Quando comecei a ler o livro da Chicoro, “Grow it!”, cheguei à seção “Danos causados pelo meio ambiente” e fiquei fascinada ao aprender que os danos causados pela exposição ao meio externo são muito mais profundos que uma simples reação mecânica. Chicoro revela que o cabelo exposto ao sol sem proteção na verdade passa por uma transformação química irreversível! Como se sabe, o sol pode ser danoso à pele devido aos raios ultravioleta, UVA e UVB. Esses mesmos raios podem ser danosos ao cabelo, como o site Naturally Curly nos mostrou com este post bem informativo há alguns anos atrás:

“Muitas de nós estão familiarizadas com o clareamento do nosso cabelo quando passamos muitas horas debaixo do sol no verão. Para muitas pessoas esse é um efeito desejável. Contudo, esse efeito também sinaliza a destruição do pigmento contido no fio de cabelo como um resultado direto da oxidação da melanina, causada pelos raios UV. A radiação UV também pode causar um enfraquecimento das ligações moleculares no cabelo, levando à fratura da cutícula e do córtex do fio. Isso gera um cabelo seco, áspero, com textura mais grossa por causa das cutículas danificadas, pontas duplas e quebra.”

Contudo, em minha opinião, a Chicoro leva esta informação um passo adiante e realmente demonstra como os efeitos do sol são muito similares àqueles causados pela descoloração. Ela afirma: “como um descolorante, a oxidação causada pelos raios do sol pode destruir ou modificar a composição química e os componentes do cabelo”. Ela continua, informando que o cabelo possui um grupo chamado “grupo tiol” e esses grupos estabilizam o fio de cabelo formando pontes de dissulfeto, que contribuem enormemente para a resistência do fio (jogue “cabelo e pontes de dissulfeto” no Google e você verá muitos artigos sobre a manipulação destas pontes em processos químicos como relaxamentos e alisamentos). Esses grupos tióis também deixam o cabelo escorregadio – e nós sabemos o quanto isso é importante. Mas, uma vez que o cabelo é oxidado pelo sol, essas pontes se transformam em ácidos sulfônicos. Esses ácidos sulfônicos são grudentos e o cabelo com eles irá embaraçar com mais facilidade. E isso não é legal. Finalmente, ela conclui atentando para o fato de que essa mudança das pontes de dissulfeto para os ácidos sulfônicos é permanente.

Então, o que isso tudo significa pra nós que estamos sendo desafiadas pelas nossas coroas? A resposta simples: prevenção e tratamento. Para o novo cabelo que ainda não foi muito exposto aos elementos externos, precisamos protegê-lo antes que o dano aconteça. Para o cabelo mais antigo, que já passou pelas alterações químicas, precisamos tomar ações de tratamento que reduzam ou eliminem os efeitos resultantes do dano. Em termos práticos, isso significa combinar as seguintes técnicas:

- Condicionamento – com tratamentos profundos com máscaras hidratantes, assim como máscaras que contenham proteína
- Hidratação – para proteger os fios do sol e combater o ressecamento
- Finalizar com produtos que contenham filtro solar
- Selar a hidratação com óleos e manteigas que ofereçam alguma proteção UV, como a manteiga de karité ou óleo de cânhamo
- Usar uma proteção que cubra os cabelos, como chapéus e lenços
- Adotar penteados protetores para reduzir a quantidade de cabelo exposta ao sol
- Não usar produtos que contenham alcoóis que ressequem nem substâncias que são “ativadas” pelo sol, como o limão

E só porque você não vê o sol não significa que não está sendo exposta aos raios UV. Mesmo em dias mais nublados, devemos estar sempre vigilantes.


* * *


Que medidas você adota para proteger seus cabelos do sol?

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quebra dos fios e porosidade: qual a ligação entre elas?

Fonte

Por Chinwe, do Hair and Health, via BGLH

(Este artigo foi inspirado em uma conversa que tive com uma adorável natural, minha irmã, Jacqueline)

Para algumas naturais, o cabelo na área da coroa é mais suscetível à quebra do que o de outras partes da cabeça. A origem dessa suscetibilidade pode ser algum tipo de trauma ou dano nos folículos capilares. Por outro lado, a origem pode estar em um nível mais superficial, como uma diferença de textura, densidade ou padrão de cachos do cabelo em diferentes regiões do couro cabeludo.

As possibilidades acima e muitas outras já foram mencionadas anteriormente em artigos sobre cuidados com os cabelos. Contudo, uma possibilidade que é raramente discutida é a de que a quebra na área da coroa seja devida à alta porosidade dos fios. Vamos falar sobre isso hoje.

1. O que é porosidade?
Muitos de você já devem saber o que é porosidade, mas aqui vai uma breve explicação para aqueles que nao sabem.

A camada mais externa do fio de cabelo é chamada de cutícula. Ela essencialmente protege o córtex (a camada mais interna do fio). A cutícula é composta por numerosas escamas que se sobrepõem umas às outras, como que deitadas, ou então um pouco mais levantadas, o que influencia na troca de água (hidratação) entre o córtex e o ambiente externo. É aqui que a porosidade entra em cena.

Algumas naturais tem fios relativamente porosos devido às escamas da cutícula que são levantadas ou, em casos extremos, que estão danificadas ou faltando. Outras naturais tem fios quase impermeáveis ou baixa porosidade devido às escamas que são bem deitadinhas umas sobre as outras. Finalmente, há também aquelas que se encontram num meio termo, o que algumas pessoas chamam de porosidade normal.

2. Como a porosidade e a quebra estão relacionadas? 
Assim como seus fios de cabelo, ao longo da cabeça, podem ser uma mistura de diferentes texturas (fino e áspero), padrões de cacho (4A e 3C, por exemplo) e densidades (alta e baixa), eles também podem apresentar uma mistura de porosidades, principalmente depois de passar por danos. Por exemplo, enquanto o resto do seu cabelo pode ter baixa porosidade, a região da coroa pode ter porosidade mais alta. Consequentemente, podem ser necessárias duas formas diferentes de cuidar dos cabelos: uma para a região da coroa e outra para o resto do cabelo. Sem levar isso em consideração, pode-se acabar cuidando desta região da coroa de forma inapropriada (achando que toda a cabeça tem baixa porosidade), o que pode levar á quebra nesta região.

Algumas de vocês podem perguntar “O que causa a diferença de porosidade entre a coroa e o resto do cabelo?”. Bem, uma possibilidade pode ser a exposição direta aos raios ultravioleta do sol, como discutido nesta postagem da Shelli, do Hairscapades. A ideia é que, por conta desta exposição direta aos raios, a área da coroa é mais suscetível a danos em um nível estrutural. Quais são as outras possibilidades? Minha irmã cogitou a possibilidade de dano devido à exposição ao calor (por exemplo, anos usando aqueles secadores de pé). Há alguns estudos que associam altas temperaturas com este tipo de dano (Annals of Plastic Surgery, Junho de 2000; Volume 44, Nº. 6, p. 581-90). Eu também acrescentaria uma terceira possibilidade: danos no folículo capilar devido a anos de uso de relaxamentos. Dito isto, sabemos que dano neste nível (do folículo) pode causar prejuízo no crescimento dos cabelos, fios mais fracos e diferença de textura. Danos neste nível poderiam também afetar porosidade, desde o ponto em que o fio de cabelo começa no folículo capilar? Hmm...

3. O que se deve fazer para reduzir a quebra na area da coroa que está ligada à porosidade?
Assumindo que a sua coroa seja mais porosa (e com tendência ao ressecamento) do que o resto do cabelo, é uma questão de ajustar a sua rotina de cuidados à esta diferença. Algumas possibilidades de ajuste voltadas para esta região porosa da coroa são: incorporar tratamentos com proteína , evitar o uso de calor e manipular o cabelo de forma gentil. Para mais detalhes, confira esta postagem do BGLH.

Antes de qualquer coisa, procure saber o que há nessa região da coroa que a faz ter mais probabilidade de quebrar. Por favor, consulte um dermatologista para descartar qualquer tipo de problema médico.


* * *

Como boa e velha natural, não estou livre disso. Desde o início da minha jornada percebi que a região da coroa, ou o topo da minha cabeça, era completamente diferente das laterais e da parte de trás: ela não forma cachos em forma de espiral, os fios são mais grossos e ásperos e com uma forte tendência ao ressecamento. A estratégia que eu encontrei para reduzir a possibilidade de quebra destes fios foi caprichar mais na quantidade de óleo e creme na finalização, deixar a máscara de hidratação agir por mais tempo e usar máscaras com proteínas regularmente, mas com parcimônia.


E você, nota essas diferenças nos seus cabelos? Como você lida com elas?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Scab hair: o estranho cabelo pós big chop


Quando acabamos de fazer o big chop e cortamos todo o cabelo com química que resta, podemos achar que finalmente chegou ao final a nossa saga e que agora é só curtir as alegrias que o cabelo natural proporciona. Mas, para nossa, surpresa, damos de cara com um cabelo meio estranho, áspero, bem mais seco e difícil de lidar do que imaginávamos. Muitas vezes, isso acontece simplesmente porque não sabemos como é nosso cabelo natural e criamos expectativas fora da nossa realidade capilar, em termos de textura do fio e tamanho dos cachos. Contudo, esse cabelo “estranho”, que é experimentado por muitas pessoas que acabaram de cortar toda a parte com química, pode ser o que as gringas chamam de scab hair

Scab hair é aquele primeiro cabelo, mais rígido, áspero e seco, que cresce logo após interrompermos o uso de relaxamentos e alisamentos. Ele é um cabelo que vem justamente naquele período em que o couro cabeludo está se reajustando e se recuperando dos procedimentos químicos que costumávamos fazer. Como passamos muito tempo usando estes produtos, às vezes desde a infância, acabamos não sabendo como nossos fios de cabelo são, de fato, e confundimos o scab hair com o nosso “verdadeiro” cabelo natural. Era ele, afinal, que nos fazia querer sair correndo para o salão retocar a raiz ao menor sinal de crescimento na época dos relaxamentos – quem nunca achou que o cabelo era “duro” por causa daquela raiz alta e sem forma que crescia?

Não há nada que prove cientificamente a existência do scab hair e nem todo mundo que passa pela transição experimenta isso. Mas há quem acredite que a presença do scab hair está ligada a quanto tempo passamos usando químicas nos cabelos. Especialmente nós, que temos cabelos crespos ou encarapinhados e fazemos relaxamentos e alisamentos desde cedo, somos justamente as que mais notam esse cabelo mais problemático.


Dicas para lidar com o scab hair
Hidrate, hidrate, hidrate – o scab hair é, sobretudo, um cabelo seco, sedento. Hidrate bastante o seu cabelo nos primeiros meses após o big chop. Tratamentos profundos com máscaras potentes e xampus suaves são muito bem vindos. Uma boa maneira de selar e reter a hidratação nos fios é o método LOC.

Use óleos vegetaisalém dos óleos vegetais que já são usados no método LOC, você pode lançar mão também de umectações e massagens com óleo vegetal no couro cabeludo. Ao aplicar óleo nos fios, coloque sempre uma quantidade maior naquela parte mais ressecada e necessitada.

Tire as pontasa única maneira de “se livrar” do scab hair é cortando. Vá aparando as pontinhas om alguma frequência, ou, se preferir, após vários meses, faça um corte mais significativo no seu cabelo para retirar a tal parte “estranha” e revelar o seu cabelo natural “de verdade”.

Seja paciente o scab hair é um cabelo mais sensível, que requer mais paciência nos cuidados e na manipulação. Também não há como acelerar o crescimento do cabelo para que se possa cortar logo todo o scab hair fora, o mais rápido possível e de uma vez só. Não é à toa que o processo de volta ao natural das crespas e encarapinhadas costuma ser longo - há quem relate ter enfrentado a condição do scab hair por cerca de 6 meses ou mais. 


Minha experiência com o scab hair
Eu, pessoalmente, experimentei o scab hair quando nem sabia que ele “existia”. Na época em que tirei as tranças e comecei a usar o cabelo natural solto, percebi que um pedaço do meu cabelo, justamente os últimos 5 ou 6 centímetros das pontas, eram muito diferentes do cabelo mais próximo à raiz. Na época, pensei que fosse pela falta de cuidados durante os 5 anos em que usei tranças (porque eu era completamente sem noção e não me preocupei em tratar do meu cabelo neste período!). Hoje em dia, eu imagino que parte daquela textura diferente talvez fosse mesmo causada pela falta de cuidados, mas que na verdade só agravou a situação do scab hair.


Tenho para mim que o scab hair possa estar ligado à agressividade das químicas em relação ao nosso couro cabeludo. Sei que não fui a única a experimentar feridas bem sérias no couro que surgiam após a aplicação de relaxamento. Fico imaginando o quão difícil é a pele do couro cabeludo se regenerar após anos e anos dessas agressões! E como qualquer parte da pele que é ferida, ele muito provavelmente não voltou a ser o mesmo de antes do machucado...



* * *



E você, já experimentou ou está enfrentando o scab hair?



* Fiz esta postagem após um bate papo começado pela Alissan Paixão no grupo CrespiiiiissimO.os, do Facebook. Se você quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui, aqui e aqui.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Estiquei meu cabelo e agora ele não quer mais cachear!"

Fonte

Na semana passada vimos uma das consequências do uso do calor nos fios. Hoje, resolvi comentar sobre uma queixa que no início me surpreendeu, mas agora percebo que é bem mais comum do que imaginava. Vez ou outra, leio relatos de meninas desesperadas, contando que fizeram escova seguida de chapinha ou baby liss e, mesmo após lavarem o cabelo, seus cachos não se comportaram mais como antes: ficaram indefinidos ou esticados, disformes.


"Por que isso acontece?"
O calor muito intenso e direto pode alterar a estrutura do fio de forma definitiva. Acredita-se que ele afete as pontes de hidrogênio (aquelas que permitem que o cabelo molhado seja “moldado” por bobes, twists ou por uma escova após seco), ao mesmo tempo em que causa perda de proteínas do fio. A combinação desses dois fatores muda o formato do cabelo de forma irreversível



"E agora, o que eu faço?"
Quando se estica o cabelo com secador e prancha muito quentes e ele se altera, tratamentos à base de proteína podem ajudar, até certo limite, os fios a voltarem ao seu formato original, pois repõem as proteínas perdidas no processo. O uso contínuo e prolongado do calor pode gerar uma perda proteica tão grande que o fio enfraquecerá a ponto de quebrar


Quais temperaturas são seguras para usar no cabelo? 
Sempre que se aplica algo quente nos fios eles sofrem, em algum grau (pense na sua roupa, que vai ficando desgastada ao longo do tempo com o uso do ferro de passar, mesmo que você use na temperatura indicada como adequada). Por isso, o melhor é evitar o uso de calor

Quando não houver outra saída, procure usar um protetor térmico e um aparelho que tenha regulagem de temperatura. Neste caso, prefira as temperaturas até 150°C, que fazem com que o cabelo perca hidratação, mas não sofra consequências mais graves. De 160 a 175°C o cabelo, além de ficar desidratado, pode sofrer alguma deformação plástica permanente – o cabelo irá voltar ao seu estado “normal”, mas não exatamente como era antes (justamente o problema relatado pelas meninas que fazem escova e o cabelo fica “estranho” após lavar novamente). Finalmente, acima de 200°C, o cabelo derrete, e aí não adianta chorar sobre o leite derramado! 


“Heat training”: o que é isso? 
Existem pessoas que usam esta consequência a seu favor. Este procedimento é chamado de heat training. Ele consiste em “abrir” os cachos de forma gradual, com o uso controlado de calor aplicado diretamente nos fios. O cabelo, após algumas sessões de secador e chapinha, não irá mais enrolar ou encolher como antes, ainda que seja molhado. 

As adeptas do heat training alegam que o processo de deixar o cabelo menos crespo com o auxilio do calor ajuda a evitar o embaraço exagerado, os nós de fada e, portanto, proporcionaria a retenção do comprimento, ampliando a gama de penteados e estilos possíveis de se fazer no cabelo. 

Existem algumas naturais no YouTube, como a Longhairdontcare2011, que praticam o heat training e são bem sucedidas (olha só o tamanho do cabelo dela no vídeo abaixo!). Mas ela mesma reconhece que este método não é para todas e deve ser feito com muita cautela. Considerando que dificilmente algum cabeleireiro irá se propor a fazer isso, as adeptas precisam descobrir sozinhas os limites que seus cabelos aguentam - e a história nem sempre acaba com um final feliz...




Na minha opinião, cabelo esticado permanentemente por calor é sinônimo de cabelo danificado. É claro que existem procedimentos que também são danosos aos fios – relaxamentos e tinturas são, como o heat training, formas de danificar o cabelo de maneira “controlada”, já que nem todo mundo experimenta problemas como quebra exagerada, enfraquecimento e ressecamento dos fios, e muitas, a despeito dos procedimentos feitos, conseguem reter comprimento e conquistam cabelos longos e de aparência saudável. Essas pessoas possuem um cabelo que, naturalmente, é mais resistente a danos. Se o seu cabelo é naturalmente fino, frágil e só de ver um pente costuma arrebentar (como o meu!), então procedimentos que gerem danos, mesmo que de maneira controlada não são para você.




* As informações para esta postagem eu retirei deste, deste e deste site. Confira os artigos originais clicando nos links!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Secador + Chapinha = Bolhas no cabelo!

Fonte

A fase de transição é um momento em que muitas naturais se veem em um impasse: o que fazer com um cabelo que apresenta duas texturas? 

As diferentes texturas requerem técnicas de tratamento e estilização distintas. Geralmente, a etapa da finalização (quando se “arruma” efetivamente o cabelo) é a que dá mais dores de cabeça nas futuras naturais, especialmente quando aparte com química é bem mais lisa que a raiz. 

Em uma postagem antiga, falei sobre formas de igualar as duas texturas de um cabelo em transição sem precisar sucumbir às químicas. Contudo, nem todo mundo consegue fazer twists, tranças ou coquinhos nos cabelos, seja por falta de habilidade manual, seja porque o cabelo está tão liso que não “segura” a texturização temporária. 

Nesses casos, costuma-se optar pela escova e pela chapinha, pois esticar a raiz crespa pode ser mais fácil do que enrolar o comprimento esticado. Só que a combinação constante do calor e da tração provocados pelo secador e pela prancha pode ser trágica, tanto para a raiz que nasce natural quanto para as pontas que já estão fragilizadas pela química. 

É de consenso que o cabelo seque com o uso do secador porque a água evapora devido ao calor, certo? Sabemos que a evaporação da água nada mais é do que a sua passagem do estado líquido para o gasoso, quando ela atinge a temperatura de 100°C. Pois bem: o vapor da água que é aquecida pelo secador pode ficar preso dentro do fio de cabelo, como uma bolha. Considerando que a maior parte dos instrumentos para cabelo que esquentam atingem temperaturas bem acima dos 100°C, não é difícil de imaginar que as bolhas no cabelo sejam mais comuns do que parecem... 

Imagem mostrando um fio de cabelo com bolhas
Fonte

Um cabelo cujos fios estão com bolhas possuem textura áspera, "encaroçada", além de se tornarem bem mais frágeis. O córtex do fio fica danificado e o que aparenta ser uma bolinha é, de fato, uma bolha de ar


Os protetores térmicos funcionam? 

Os produtos que intitulam protetores térmicos, de acordo com a lógica, funcionam. Sem citar marcas, podemos dizer que um produto que se proponha a proteger o cabelo do calor do secador e da chapinha são geralmente compostos por uma combinação de proteína hidrolisada, silicones e agentes condicionantes. O princípio de ação dos protetores térmicos se baseia em três pontos: prevenir a destruição das proteínas do cabelo, prevenir a desidratação do fio e prevenir o rompimento das cutículas, fazendo com que o fio fique mais forte mesmo com o uso do calor

Calor moderado usado em períodos curtos de tempo ou eventualmente (fazer uma escova para uma ocasião específica, pranchar o cabelo ou usar baby liss uma vez na vida e outra na morte) pode não ser tão prejudicial aos fios. Sempre que for necessário lançar mão de algum instrumento que aqueça, use um produto para proteger seus fios do calor e, caso este não possa ser usado em cabelo secos, deixe os fios úmidos, não molhados/encharcados. Mas lembre-se de que a água ferve a 100 °C, portanto o uso prolongado e constante de secador e chapinha pode trazer consequências desastrosas e irreversíveis.




* As informações desta postagem foram retiradas do blog The Natural Haven. Você pode conferir os artigos originais aqui e aqui.