sábado, 9 de fevereiro de 2013

Secador + Chapinha = Bolhas no cabelo!

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A fase de transição é um momento em que muitas naturais se veem em um impasse: o que fazer com um cabelo que apresenta duas texturas? 

As diferentes texturas requerem técnicas de tratamento e estilização distintas. Geralmente, a etapa da finalização (quando se “arruma” efetivamente o cabelo) é a que dá mais dores de cabeça nas futuras naturais, especialmente quando aparte com química é bem mais lisa que a raiz. 

Em uma postagem antiga, falei sobre formas de igualar as duas texturas de um cabelo em transição sem precisar sucumbir às químicas. Contudo, nem todo mundo consegue fazer twists, tranças ou coquinhos nos cabelos, seja por falta de habilidade manual, seja porque o cabelo está tão liso que não “segura” a texturização temporária. 

Nesses casos, costuma-se optar pela escova e pela chapinha, pois esticar a raiz crespa pode ser mais fácil do que enrolar o comprimento esticado. Só que a combinação constante do calor e da tração provocados pelo secador e pela prancha pode ser trágica, tanto para a raiz que nasce natural quanto para as pontas que já estão fragilizadas pela química. 

É de consenso que o cabelo seque com o uso do secador porque a água evapora devido ao calor, certo? Sabemos que a evaporação da água nada mais é do que a sua passagem do estado líquido para o gasoso, quando ela atinge a temperatura de 100°C. Pois bem: o vapor da água que é aquecida pelo secador pode ficar preso dentro do fio de cabelo, como uma bolha. Considerando que a maior parte dos instrumentos para cabelo que esquentam atingem temperaturas bem acima dos 100°C, não é difícil de imaginar que as bolhas no cabelo sejam mais comuns do que parecem... 

Imagem mostrando um fio de cabelo com bolhas
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Um cabelo cujos fios estão com bolhas possuem textura áspera, "encaroçada", além de se tornarem bem mais frágeis. O córtex do fio fica danificado e o que aparenta ser uma bolinha é, de fato, uma bolha de ar


Os protetores térmicos funcionam? 

Os produtos que intitulam protetores térmicos, de acordo com a lógica, funcionam. Sem citar marcas, podemos dizer que um produto que se proponha a proteger o cabelo do calor do secador e da chapinha são geralmente compostos por uma combinação de proteína hidrolisada, silicones e agentes condicionantes. O princípio de ação dos protetores térmicos se baseia em três pontos: prevenir a destruição das proteínas do cabelo, prevenir a desidratação do fio e prevenir o rompimento das cutículas, fazendo com que o fio fique mais forte mesmo com o uso do calor

Calor moderado usado em períodos curtos de tempo ou eventualmente (fazer uma escova para uma ocasião específica, pranchar o cabelo ou usar baby liss uma vez na vida e outra na morte) pode não ser tão prejudicial aos fios. Sempre que for necessário lançar mão de algum instrumento que aqueça, use um produto para proteger seus fios do calor e, caso este não possa ser usado em cabelo secos, deixe os fios úmidos, não molhados/encharcados. Mas lembre-se de que a água ferve a 100 °C, portanto o uso prolongado e constante de secador e chapinha pode trazer consequências desastrosas e irreversíveis.




* As informações desta postagem foram retiradas do blog The Natural Haven. Você pode conferir os artigos originais aqui e aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Adolescentes e seus ídolos

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A nossa história conflituosa com os cabelos começa na infância. Desde muito jovens, em uma idade da qual nem lós lembramos, já nos víamos às voltas com escovas, químicas, sessões dolorosas de desembaraço e comentários depreciativos. 

Contudo, é na adolescência que essa insegurança se consolida e se radicaliza. A adolescência já é, por si mesma, uma fase conturbada, quando levantamos uma série de dúvidas sobre nós mesmos, especialmente em relação à aparência. “Sou bonita o suficiente?”, “vou ser aceita em um grupo?”, “o que os meninos vão pensar de mim?”.

Sendo os cabelos um elemento tão significativo no visual, não é de se estranhar que ele seja um dos principais focos de insegurança das adolescentes crespas e cacheadas. É nesta época que muitas garotas decidem alisar os cabelos, na tentativa de não se sentirem um “peixe fora d’água”.

É nesta época também que muitas de nós escolhemos nossos ídolos, nossos modelos comportamentais e estéticos. Queremos ser como eles, agir como eles, queremos nos vestir e nos parecer com eles. Pai e mãe se tornam chatos, cafonas, caretas, enquanto o artista da TV ou aquela amiga linda e popular da escola são o máximo.

Em uma idade em que a opinião dos adultos já não parece importar tanto, qual o papel dos nossos ídolos na construção do nosso padrão de beleza? Que ídolos nos são oferecidos como modelo?

Na minha pré adolescência, imperavam os seriados americanos como Barrados no Baile: jovens ricas, bem sucedidas, lindas, loiras e... Lisas! (OK, tinha a Brenda que era morena – e talvez por isso fosse a minha favorita). Mesmo séries com atores negros mostravam atrizes com cabelos alisados.

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Só mais tarde fomos apresentados a personagens como Carrie Bradshaw, de Sex and the City, que nas primeiras temporadas combinava seu cabelo cacheado meio bagunçado com os looks mais fashion possíveis, e Kady, a filha mais nova do seriado Eu, a patroa e as crianças, talvez uma das primeiras meninas a usarem cabelo crespo solto de que me recordo.

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No Brasil, por muito tempo fomos totalmente carentes de modelos a serem admirados – lembro do entusiasmo com a estreia de Isabel Filardis e com os cachos de Ana Paula Arósio. Mais recentemente, Aisha Jambo, Taís Araújo e Sheron Menezzes, entre outras, vieram engrossar o caldo da sopa de encaracoladas da TV, ainda que algumas delas, eventualmente, tenham desfilado com cachos quimicamente tratados.

Sheron Menezzes

O grande dilema dos adultos que lidam com adolescentes às voltas com seus cabelos é mostrar a elas que sua beleza é admirável, ainda que destoe daquele padrão predominante mostrado na TV. É certo que as jovens em grande parte das vezes, tomam as mulheres adultas mais próximas (mãe, tia) como modelo de contestação e não necessariamente de imitação. Por isso e importante construir as bases desde sempre, dando como exemplo não suas palavras, mas suas atitudes – porque adolescentes detestam qualquer coisa que possa ser entendida como hipocrisia. Não peça à sua filha que ame o cabelo dela: você mesma, ame seu próprio cabelo e deixe transparecer isso em todos os aspectos da sua vida e seus atos do cotidiano.

É certo que a sabedoria vem com a maturidade, mas os anos turbulentos da adolescência podem ser um pouco mais fáceis com uma dose de compreensão e acolhimento.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Você revela seus cuidados com os cabelos?




Via BlackHairInformation.com (tradução minha)

Tenho visto muitas postagens de moças reclamando que não tem apoio da família ou amigos, que estão cercadas de pessoas que as põem em dúvida e que seus amigos e familiares fazem graça de seus métodos e torcem o nariz para os produtos que usam.
Contudo, para outra questão muito popular em fóruns sobre cabelos, quando perguntadas “você compartilha segredos sobre crescimento dos cabelos na vida real?” a maior parte das mulheres diz não. Elas dão uma série de razões por que não fazem isso, mas a resposta mais surpreendente e que é frequentemente dada, é quando as mulheres dizem “que segredos?”. Como se toda a informação disponível na internet fosse prática comum e bem conhecida por todas as pessoas.
Agora eu sei que não há "segredo" para fazer crescer o cabelo, mas certamente os métodos e o conhecimento disponível em fóruns e blogs para ter um cabelo saudável não são senso comum, ou a necessidade de tais sites não existiria! Se fosse algo que “todo mundo sabe” então por que nós (enquanto raça) não temos desde sempre cabelos longos e saudáveis? Eu tenho que pensar em quantas dessas mesmas moças secretamente se aproveitam da dúvida e do isolamento das outras para esfregar seu cabelo na cara delas dentro de alguns anos. Essas mulheres acham válido serem zombadas agora apenas para rirem por último quando tiverem um cabelo (natural ou relaxado) longo, saudável e maravilhoso?
Isso me lembra aquelas moças que mostram seus progressos com aquele belíssimo cabelo na altura da cintura e quando perguntadas sobre o que fazem – ou quando pedem para que contem sobre seu regime de tratamento – respondem apenas com “Hahaha, obrigada, meninas. Eu realmente não faço muita coisa. Apenas faço co-wash com qualquer condicionador baratinho, quando eu acho que devo e faço coque na maior parte do tempo”. Isso pode ser verdade para algumas poucas sortudas, mas posso garantir que para a maioria das mulheres há mais do que um regime de tratamento simplificado. Elas hidratam e selam a hidratação? Fazem tratamentos profundos? Usam antirresíduos? A rotina de tratamento sempre foi assim simples ou elas tiveram de fazer mais alguma coisa para atingir este comprimento e agora estão apenas mantendo-o? Elas aparam as pontas com regularidade? Existe tanta informação deixada de fora! Algumas meninas ainda procuram por mais detalhes enquanto eu apenas clico no botão de “fechar” em alguns tópicos.
Quando vejo essas respostas absurdamente vagas, suspeitas e até mesmo mentirosas, fico pensando. Se você não faz questão de falar nem em um fórum sobre cabelos, em que todos tem o mesmo objetivo, então certamente não fará questão de falar para pessoas que conhece na vida real e que não tem contato com a comunidade das naturais sobre os detalhes que elas precisam saber para conseguir um cabelo longo e saudável.
Será que algumas moças querem ser as únicas negras no seu círculo imediato de amizades a ter cabelo comprido? Quando eu era mais nova, era muito comum ver uma mulher mais velha (amiga ou estranha) com um cabelo ótimo e perguntar onde ela cuidava dele. Lembro-me que, em várias dessas vezes, a mulher não dizia onde fazia o cabelo. Algumas vezes ela diria o “lugar comum”: “Ah, algum lugar pelo centro... Não lembro o nome agora, mas me lembra que eu te digo depois” mas mesmo depois de lembrá-las repetidas vezes, o nome do salão ou do profissional nunca era revelado.
Em outras ocasiões a mulher era bem direta ao dizer “não conte às pessoas quem faz meu cabelo”. Quando vejo pessoas dizerem que não falam o nome das suas fontes favoritas de pesquisa sobre cabelos, ou que elas não revelam os detalhes de suas rotinas de tratamento mesmo quando perguntadas, eu me questiono se é pela mesma razão desta atitude do “não vou te contar”.
Eu sempre compartilho tanto conhecimento quanto julgue apropriado quando alguém me pergunta sobre o meu cabelo. Se elas dizem que gostam de um penteado em particular, eu respondo com prazer e dou informação sobre como consegui aquele visual. Por exemplo, ontem alguém na igreja comentou o quanto gostava dos meus cachos e eu respondi “obrigada! Usei os flexirods cinza e roxo” porque sabia que aquela pessoa fazia o próprio cabelo e tinha noção do que eu estava falando.
Iniciei várias amigas a fóruns da internet (muitos dos quais eu mesma me cadastrei), a várias vlogueiras de cabelos, e uma de minhas amigas até criou seu próprio canal no YouTube. Algumas compraram produtos que sugeri, outras começaram a fazer tranças/coquinhos depois de me verem e minha família passou a ler algumas das minhas postagens.
Nem todo mundo vai tão fundo no jogo dos cuidados capilares como eu, e tudo bem com isso. Tudo o que faço é prover a informação que a pessoa está interessada em ouvir. Todas nós podemos tem cabelo saudável e – se assim desejarmos – longo, sem precisarmos ser mesquinhas com a informação!

* * *

E vocês? Compartilham seus segredos quando se trata de cuidados capilares ou escondem o jogo e não revelam tudo o que põem em prática?

sábado, 19 de janeiro de 2013

Afinal, o que é um bom day after?

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Vejo muitas meninas falando sobre o day after, o dia seguinte à lavagem. O que fazer com os cabelos depois de passar 8 horas dormindo e rolando a cabeça no travesseiro de um lado para o outro? Não há cabelo que sobreviva, não é mesmo?

Eu entendo que um bom day after começa antes mesmo de dormir, quando a gente escolhe um dos métodos de proteger o cabelo, como falei aqui nesta postagem. Garantidamente, 50% do êxito em conservar os seus cachinhos depende de como você os “guarda” à noite, antes de deitar a cabeça e contar carneirinhos.

Mas ainda assim nossos cachinhos não acordam intactos. Mesmo protegidos, eles amassam e desmancham um pouco. Algumas naturais não veem outra solução senão molhar a cabeça toda e começar a estilização do zero, como se fosse o primeiro dia.

O ideal é que isso não seja necessário. Se você já adota um método de proteção do cabelo e mesmo assim ele está amanhecendo em estado de miséria, significa que talvez você precise experimentar outro método.

Eu adotei o método do lenço de cetim. Ok, não é lá o visual mais bonito que eu poderia arrumar, mas é o mais eficiente. No meu caso, ele permite que eu solte o cabelo e tenha de retocar apenas as pontas, que por serem as partes mais antigas dos fios, costumam perder hidratação mais rapidamente.

Refazendo meus cachos: 1. Cabelo ainda preso, depois de retirar o lenço;
2.  Condicionador na palma da mão;
3. Pontas desmanchadas já umedecidas com um pouco de água;
 4. O condicionador deve ser aplicado como que enluvando o produto;
5. Sempre segure acima da região com frizz para não perturbar o resto do comprimento;
 6. Por fim, é só separar os cachinhos que insistirem em ficar grudados

Achei um vídeo da Shameless Maya, uma natural que tem um tipo de cabelo bem diferente do meu mas que, curiosamente, faz o mesmíssimo procedimento que eu faço para arrumar os cachos desmanchados na manhã seguinte. A grande diferença é que, pelo fato de os meus cachos serem mais apertados, eu preciso separar mechas mais finas. Mas, basicamente, assim como eu, ela procura apenas aquelas partes com mais frizz ou mais indefinidas, para umedecer e aplicar mais leave-in.  Confira abaixo:


Como deu pra ver, arrumar os cabelos no day after não deve ser um processo estressante nem demorado. Você escolheu ser natural para ser livre, não vai querer trocar a dependência do secador pela dependência da água, não é verdade?

O cabelo do dia seguinte nunca vai ser tão perfeitamente definido, com o volume exato e brilho impecável de um cabelo recém-lavado. Ele fica com um volume diferente, às vezes até com um “formato” diferente, mas nada disso é ruim. Na verdade, é normal, e cabe a nós aprender a apreciar os visuais diversos que obtemos com o passar dos dias. Um look mais despojado, do tipo "acabei de acordar e saí linda", um cabelo mais orgânico, mais "bagunçado", todas as possibilidades tem o seu charme!

Além disso, não necessariamente você tem que usar o cabelo solto. Faça um penteado, prenda de um lado só com grampos, coloque um acessório. Às vezes é o que falta para disfarçar aquela parte com frizz e destacar os cachos que continuam legais.

E lembre-se: muito do seu sucesso no dia seguinte depende também de como você vem cuidando dos seus fios até então. Cabelos hidratados sempre responderão melhor a qualquer situação "perturbadora" a que forem submetidos e conseguirão manter a definição dos cachos por muito mais tempo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Olha nós aqui outra vez! II




E depois de tanto tempo, o blog ressurge das cinzas!

Não me esqueci do mundo dos cabelos não; tive que dar uma pausa para resolver outras coisas da vida que precisaram ser resolvidas com mais urgência.

Daqui para frente voltamos com a nossa programação normal – ou quase! Pode ser que as postagens fiquem mais espaçadas, mas elas não vão aparecer aqui com certa regularidade.

Além disso, estou devendo um segundo round de respostas às dúvidas mais comuns que as leitoras vem deixando nos comentários! Vou respondendo aos poucos, mas responderei todas, prometo.

Amanhã tem postagem informativa nova, fiquem ligadas!

E sejam bem vindas novamente, é claro!